quarta, 19 de setembro de 2018
Política
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Descrença na política faz número de jovens eleitores cair em 5,5 mil na Paraíba

Adriana Rodrigues / 04 de julho de 2016
Foto: Divulgação
O desinteresse dos jovens pela política aparece forte nas eleições deste ano na Paraíba. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o total de eleitores entre 16 e 17 anos no Estado teve redução de mais 5,5 mil (5,71%) em relação ao eleitorado de 2012, última eleição na qual foram escolhidos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores nos 223 municípios paraibanos. Na disputa eleitoral deste ano, eles vão representar apenas 3,13% dos 2.889.678 eleitores aptos a votar em 2 de outubro.

Em 2012, havia 95.973 eleitores dessa faixa etária, o correspondente a 3,35% do eleitorado da época, que era 2.865.815. Em 2016, são 90.490 de jovens, para quais voto é facultativo, habilitados para votar. Em João Pessoa, maior colégio eleitoral do Estado, com 489.028 eleitores, os menores de 18 anos vão representar apenas 1,05% no total do eleitorado, já que eles são apenas 5.138. Em 2012, representaram 1,35% dos 480.236 eleitores pessoense, já que eram 6.476.

Campina Grande, segundo maior colégio eleitoral, com 274.006 eleitores, há um total de 4.818 eleitores na faixa etária de 16 a 17 anos, o correspondente a 1,76%. Em 2012, quando o eleitorado era de 280.207 eleitores, eles representavam 2,25%, com 6.293 eleitores campinenses.

O juiz Breno Wanderley César Segundo, integrante do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) e diretor de Escola Judiciária Eleitoral da Paraíba (EJE-PB), atribuiu a redução dos eleitores até 18 anos a descrença da juventude em relação aos políticos e a realização das eleições como instrumento de democracia.

“Os jovens precisam separar o joio do trigo, sob pena de colocar em um mesmo plano aqueles que desejam ampliar os mecanismos e instrumentos de participação política da democracia e aqueles que apostam em um retrocesso. Precisam, se conscientizar que a participação de cada um é fundamental” –  Breno Waderley César Segundo – Juiz do TRE-PB e diretor da EJE-PB.

Segundo ele, a juventude está constantemente bombardeada pela mídia, no que diz respeito a operação Lava Jato, da questão da Petrobras e tantas outras operações policiais, que estão envolvendo políticos, inclusive integrantes do Congresso Nacional em escândalos de corrupção, lavagem de dinheiro “Eu creio que isso faz que exista uma descrença não só entre os jovens, mas na população de uma forma geral”, avaliou.

O magistrado ressaltou que essas questões estão atingindo principalmente os jovens, que deveriam ter um espírito mais inovador e buscar uma modificação desta situação atual, mas ele tem percebido que deve está influenciando de uma forma muito negativa, ao ponto de afastá-los cada vez mais da política e da participação no processo democrático para escolha dos representantes.

Breno Wanderley disse que deve ser feito para mudar esta realidade é ampliar as ações de conscientização da participação dos jovens, a exemplo das que vem sendo feitas pelo TSE e pelo TRE-PB, com o objetivo para incentivá-los e para fazer com que eles percebam a importância do voto deles. “Os jovens devem se conscientizar que exatamente é pelo voto dele que se escolha novas lideranças, que Congresso Nacional e as demais casas legislativas poderão ser renovadas e os maus políticos excluídos da vida política”, comentou.

O juiz criticou ainda a falta de um maior engajamento para uma maior conscientização dos jovens, principalmente o da faixa etária em que o voto é facultativo, para que eles passem a participar com mais entusiasmo do processo eleitoral, se alistando e votando. Segundo ele, essa questão não deveria ser uma prioridade da Justiça Eleitoral, mas a ser abraçada por toda sociedade, principalmente pelas escolas, pelas universidades, que segundo ele, também têm o dever de conscientizar os jovens que a política é sim um instrumento de mudança e de um futuro melhor para todos.

Para o cientista político e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), José Henrique Artigas, o cenário de crise política e de falta de representatividade dos partidos políticos vem contribuindo para a queda do interesse do eleitorado mais jovem para participar do processo eleitoral. Quando, na realidade, conforme ressaltou, o que se esperava era que a juventude emergisse dessa crise, para surgir como novas lideranças.

De acordo com Artigas, a crise política, que é também uma crise de representação, atinge os atores políticos de modo geral, e não apenas os governantes ou representantes nas casas legislativas. Os partidos políticos estão extremamente desgastados e afastados da chamada geração das mídias digitais, que são exatamente os jovens menores de 18 anos. “A classe política, tanto os candidatos, quanto os partidos políticos, não têm dado respostas para esse segmento, que prefere se afastar cada vez mais da vida política”, comentou.

O cientista política ressaltou que a falta de interesse e de participação dos jovem prejudica o futuro do País. “Precisamos de uma juventude que participe mais, para poder buscar solução dos grandes problemas que afetam à sociedade e a falta de representatividade na política. Além disso, se tornar um ciclo vicioso, com a redução da participação do jovem na vida civil. Porque quanto menor a participação do jovem na política, menor é a participação na vida civil, e menor é a contribuição para melhoria da qualidade da construção de um conjunto amplo de novas lideranças”, declarou.

Para o advogado Harrison Targino, a redução do número de eleitores jovens é resultado do desencanto com a atividade política e do total descrédito da sociedade na classe política. Segundo ele, é preciso que haja uma estimulação para mudar este cenário, pela importância desta participação. De acordo com o advogado, em alguns países, como por exemplo, a Costa Rica, que realiza eleições simuladas com a participação de jovens de 12 anos, para estimulá-los e ensiná-los à importância da política e a não perder a esperança, que a participação de cada um, representa o futuro melhor para o País.

“No Brasil, tem que haver um programa especifico destinado à orientar a juventude a saber diferenciar a política dos políticos, levando assim aos jovens acreditarem na política como resolução de conflitos e implementação de políticas públicas que garantam melhorias para todos. Renegar a política é optar pela Ditadura. E isso não podemos admitir. Por isso, temos que estimular cada vez mais a participação do jovem na Política. E levá-los a saber diferenciar a política dos políticos”. Harrison Targino - Advogado.

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