quarta, 20 de junho de 2018
Política
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Deputados federais paraibanos concordam com decisão sobre afastamento de Cunha

Mislene Santos e Adriana Rodrigues / 05 de maio de 2016
Houve quem divergisse, mas parte dos deputados federais paraibanos consideraram acertada a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, que determinou nesta quinta-feira (5) o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do mandato de deputado federal. Para os parlamentares ouvidos pela reportagem, o peemedebista utilizava o cargo para obstruir investigações da justiça, como a Operação Lava Jato,  e para contemplar interesses pessoais.

Pelo menos essa foi a opinião de Pedro Cunha lima (PSDB). Segundo ele, o peemedebista estava se utilizando do cargo para obstruir várias investigações em que ele está envolvido, entre eles citou a Operação Lava Jato.

“Eduardo Cunha Tem sido um peso para a Câmara e para a República Brasileira”, afirmou Pedro Cunha Lima, acrescentando que Cunha estava comandando a Casa com foco pessoal e não nas necessidades do Legislativo Nacional. “Por isso, acredito que o STF fez a devida correção com esta medida extrema de intromissão de um poder no outro, mas que foi necessária”, destacou o deputado.

Segundo ele, o afastamento de Cunha possibilitará que o processo que está em andamento no Conselho de ética deva correr com mais celeridade.  “Estando fora da presidência, ele (Cunha) não é tão forte e o processo deve ser mais célere, pois é muito grave ter uma pessoa com o histórico como o dele na linha sucessória da presidência da República”, ressaltou Pedro Cunha Lima.

Afastamento terá efeitos na Câmara 

O deputado Efraim Filho (Democratas) disse que a decisão do STF mostra que a Operação Lava Jato é irreversível e veio para “desnudar uma democracia vendida” e que qualquer tentativa de obstrução não ficará impune.  Efraim acredita que o afastamento do Eduardo Cunha gerará vários efeitos no andamento dos trabalhos na Câmara dos Deputados. “Não sabemos quais ainda, pois temos que esperar os acontecimentos”, declarou o democrata.

Sobre processo de cassação de Cunha, que anda a passos lentos no Conselho de Ética da Câmara, Efraim acredita que, com o afastamento do peemedebista, este caso deve ter um desfecho no tempo adequado. “Tanto os processos de impedimento da presidente Dilma e o de  Eduardo Cunha no conselho de ética terão  o seu fim no tempo certo”, sentenciou  Efraim.

Wilson Filho concorda

O deputado Wilson Filho (PTB) também avaliou a decisão do ministro Teori Zavascki, de forma favorável para o andamento dos trabalhos na Câmara dos Deputados. Ele ressaltou que o afastamento de Cunha da Presidência da Casa já era esperado. Ele disse, no entanto, que ficou surpreso com o afastamento do mandato parlamentar.

“O meu pensamento é que a Câmara estava realmente prejudicada, os trabalhos estavam prejudicados com a manutenção de Eduardo na presidência. O Conselho de Ética já estava há algum tempo sem resultado e o resultado é a cassação dele. Mas creio que o afastamento da Presidência é importante para a Casa continuar trabalhando", declarou Wilson Filho.

Pedetista se diz surpreso com decisão

Já o deputado Damião Feliciano (PDT) divergiu dos colegas, ao considerar que a decisão do ministro do STF deveria ser melhor analisada, do ponto de vista jurídico e político. Ele disse que foi pego de surpresa com o afastamento de Eduardo Cunha e não sabe quais serão as consequências que esta interferência direta do STF no comando da Câmara dos Deputados, no que diz respeito à questão constitucional da independência dos Poderes.

“Fui pego de surpresa. Considero que este assunto deveria ter sido analisado minuciosamente, com o devido processo legal, e a decisão tivesse o aval majoritário dos integrantes da Câmara. Afinal, se trata de um presidente de um parlamentar, deveria ter ocorrido uma análise mais profunda”, declarou o parlamentar pedetista.

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