sexta, 25 de maio de 2018
Política
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Deputados da Paraíba dão ‘tchau’ para Cunha

Adriana Rodrigues / 08 de julho de 2016
Foto: Divulgação
A renúncia do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da Presidência da Câmara dos Deputados repercutiu de forma positiva entre os integrantes da bancada federal da Paraíba. Alguns classificaram o ato como natural, em decorrência do resultado das investigações contra ele. Outros consideraram que ele demorou para tomar esta atitude, que deveria ter acontecido desde que teve o nome envolvido nos escândalos de corrupção e de lavagem de dinheiro. Também teve quem preferiu não opinar e aguardar os desdobramentos para a escolha do novo presidente.

Para o deputado Rômulo Gouveia (PSD) a renúncia de Cunha foi muito tardia. Ele considera que o ex-presidente da Câmara perdeu o tempo e deveria ter renunciado à Presidência assim que saíram as primeiras denúncias. “Antes tarde do que nunca. Acho que agora a Casa pode voltar a um novo momento. Eu espero que o novo presidente retome os trabalhos e a credibilidade da Casa. Porque há um desgaste e a sociedade cobra uma atuação mais firme do Legislativo”, comentou.

No que diz respeito ao sucesso de Cunha na Presidência, Rômulo ressaltou que vários nomes se apresentam e estão se credenciando para disputa, entre eles o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), Heráclito Forte (PSB-PI),  Carlos Manato (SD-ES),  Jovair Arantes ( PTB-GO),  Rodrigo Maia ( DEM-RJ). Quanto aos parlamentares da Paraíba, ele ressaltou que até agora nenhum nome ainda foi cogitado. “Obviamente se qualquer paraibano se candidatar contará com meu voto”, afirmou.

O deputado Efraim Filho (DEM) disse que a renúncia de Cunha demonstra a força das investigações da operação Lava Jato, que segundo ele é irreversível. “Essa operação é hoje um patrimônio da sociedade brasileira porque enfrenta a corrupção independentemente de partido. Enfrentou o Governo Dilma, Lula e o PT. Agora Eduardo Cunha, mostrando que doa a quem doer o combate à corrupção e a impunidade deve ser feito e essa renuncia é um desdobramento dessas investigações”, declarou.

Para Efraim, é muito difícil falar em substituto agora. Mas o que se espera, conforme ressaltou, é que seja um nome consolidado e que tenha o respeito da Casa e que possa conduzir a Câmara dos Deputados após todo esse período de turbulência. Entre os nomes citados por ele como credenciados para a disputa estão os deputados José Carlos Aleleuia (DEM-BA) e Rodrigo Maia, além de outras opções que outros partidos podem lançar.

O deputado Damião Feliciano (PDT) considerou que não tinha outro caminho para Eduardo Cunha, a não ser renunciar a Presidência. “Não há o que se estranhar na decisão, já que a situação chegou ao extremo, ao ponto dele joga a tolha”, comentou.

Damião espera que com esta medida o País comece a voltar aos eixos, se acalme e comece a surgir uma luz no fim do túnel para estabilidade da política e, consequentemente, para o fim da crise econômica. “Achei o momento mais que oportuno. O País precisa retomar o desenvolvimento e por um ponto final nessas crises”, declarou.

O deputado Veneziano Vital do Rêgo (PMDB) preferiu não opinar especificamente sobre a renúncia de Cunha, mas pelo processo sucessório que terá pela frente para escolha do novo presidente. Segundo ele, são vários os postulantes para o cargo, mas só terá uma percepção melhor do processo na próxima semana.

Já o deputado Luiz Couto (PT) utilizou a tribuna da Casa para comemorar a renúncia de Cunha e fazer um desabafo contra o desafeto, a quem acusa como um dos responsáveis pelo afastamento de Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República. “É um descarado e chantagista, que usou da vingança para cassar a nossa Presidenta, agora vem como vítima. Vamos cassá-lo, através da decisão do Conselho de Ética, e vamos trazê-la aqui para cassá-lo. Essa excrescência não pode continuar nesta Casa” declarou o petista.

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