domingo, 19 de novembro de 2017
Câmara
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Câmara de João Pessoa já teve embates ideológicos

Adelson Barbosa dos Santos / 29 de março de 2016
Foto: Arquivo
Onde estão e o que fazem os 19 ex-vereadores pessoenses que exerceram mandatos de cinco anos, entre 1983 e 1988? Como eram os debates naquela época marcada pelo fim do Regime Militar (1985) e a promulgação da Constituição (5 de outubro de 1988)?

Quem responde é o ex-vereador Inácio o Montenegro, conhecido como Naná, que, 28 anos após concluir seu último mandato, pretende retornar à Câmara Municipal de João Pessoa. Aposentado, Naná deve ser candidato a vereador pelo PP.

Segundo ele, entre 1983 e 1988, os debates no plenário da Câmara de João Pessoa eram tão acirrados, ou mais, como os de hoje. Naquela época, João Pessoa teve dois prefeitos: Oswaldo Trigueiro do Vale (13 de março de 1983 a 31 de dezembro de 1985) e Antônio Carneiro Arnaud (1º de janeiro de 1986 a 31 de dezembro de 1988).

A explicação para João Pessoa ter tido mandato de cinco anos para vereador e dois prefeitos no mesmo período se dá pelo seguinte motivo: Durante o Regime Militar, não havia eleições para prefeito das capitais.

O prefeito era nomeado pelo presidente da República, em consonância com o governador. Oswaldo Trigueiro (PDS) foi o último nomeado. Com o fim do Regime, em 1985, houve eleições para prefeito. O eleito foi Carneiro Arnaud (PMDB). Os mandatos dos vereadores foram prorrogados até 1988, quando houve novas eleições.

Naquela legislatura, seis suplentes chegaram a assumir: Abelardo Jurema, Genivaldo Fausto , José Gonçalves (falecido), Luiz da Silva, Sebastião Calixto (falecido) e Valdomiro Ferreira (falecido).

Apenas três partidos comandavam

Naquela legislatura, segundo Naná Montenegro, a Câmara realmente discutia os assuntos da cidade de João Pessoa e não apenas assuntos de interesse pessoal do vereadores.

Ele disse que eram debates ideológicos e muito acirrados entre situação e oposição, até porque havia representação de apenas três partidos.

Naná lembra as discussões acaloradas entre o esquerdista peemedebista Antônio Augusto Arroxelas e o jurista do PDS Jovani Paulo Neto, que era considerado de direita. Lembra também os embates entre a comunista do PMDB, Sônia Germano (ela pertenceu a um partido de esquerda denominado Movimento Revolucionário de outubro, o MR-8, que defendia a luta armada), e o latifundiário do PDS, Roderico Borges, que chegou a presidir a União Democrática Ruralista (UDR) na Paraíba.

A UDR defendia os interesses dos latifundiários (grandes proprietários de terra), contra ações de entidades como a Pastoral da Terra e, posteriormente, do MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra). O vereador Naná, como líder do prefeito Carneiro Arnaud (PMDB), brigava com todos da oposição. “Eram debates de interesse da população”, frisou.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

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