domingo, 20 de maio de 2018
2018
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Em ano de eleição, a última palavra sobre alianças e composições é do comandante da sigla

Alexandre Kito / 04 de Fevereiro de 2018
Foto: ASSUERO LIMA
Na Paraíba, políticos procuram se eternizar nas presidências dos partidos e as oligarquias partidárias podem ser facilmente identificados quando se observa que dezenas de partidos têm presidentes no cargo há mais de dez anos. A presença desses ‘donos’ de legendas fica mais forte durante anos eleitorais, quando as decisões de alianças ficam ao bel prazer dos comandantes.

A tese vale para grandes partidos, como o MDB, que tem o senador José Maranhão como líder mais forte da sigla e presidente estadual há mais de 20 anos. O mesmo acontece com os médios, como o Democratas, que tem o presidente estadual Efraim Morais há 14 anos no comando, e também com os nanicos, como o PSDC, que tem sido conduzido por Fábio Carneiro.

Após várias reeleições, alguns são considerados “donos” de siglas e somam mandatos mais duradouros. Porém, na Paraíba muitos são comandados por famílias, como é o caso do PP, que há anos tem a família Ribeiro no comando da Executiva. A legenda é liderada por Enivaldo Ribeiro, que é pai de Aguinaldo e Daniella Ribeiro, deputados federal e estadual, respectivamente. O mesmo acontece com o PDT, que tem como ‘dono’ o deputado federal Damião Feliciano, mas que agrega todo o restante da família, a exemplo da vice-governadora Lígia Feliciano - esposa de Damião, além de Renato Feliciano, filho do casal.

Já partidos como o Democratas, de Efraim Morais, nunca estiveram nas mãos de outra pessoa. O ex-senador já está na presidência da sigla há mais de 14 anos. Ele comanda o partido desde a época do PFL e afirma que nunca teve nenhum problema a frente da agremiação. “Eu sempre fui reconduzido por aclamação pelos nossos filiados”, disse Efraim Moraes. O filho Efraim Filho também integra a Executiva do DEM.

Para o cientista político Ítalo Fittipaldi o que leva à permanência de um presidente por tantos anos são os partidos “de notáveis”, que giram ao redor de um líder. “É uma legenda fraca.”

Em outros casos, há tantas correntes internas que, quando alguém se legitima, fica como nome de consenso, como no MDB. É o que ocorre com o presidente estadual José Maranhão, que há mais de 20 anos preside o MDB na Paraíba. Mesmo nos momentos em que a legenda se encontrava dividida e sem consenso no nome de José Maranhão, ele conseguiu apoio suficiente para se manter até o momento no comando.

Experiência em mandatos

José Maranhão, que há 60 anos desfruta de sucessivos mandatos no legislativo e no executivo e que alimenta o sonho de governar a Paraíba pela quarta vez aos 85 anos de idade, mesmo tendo um mandato de senador a cumprir até 2022, mantém o MDB sob seu comando e quase nunca aceita interferências nas suas decisões.

Um exemplo atual é o ‘racha’ na sigla para que possa ser oficializada a candidatura própria ao Governo do Estado. De um lado o senador, já afirmou que será o candidato. Do outro lado, tem o emedebista Manoel Junior, que tenta convencer os filiados a apoiar a candidatura do prefeito da Capital, Luciano Cartaxo (PSD).

Os partidos são responsáveis pela agregação de interesses que se encontram dispersos na sociedade. Canalizam esses interesses para o governo e auxiliam na formulação de políticas públicas que procuram dar conta das demandas políticas, sociais e econômicas, explicou o especialista Ítalo Fittipaldi.

A concentração de poder dentro das organizações partidárias constitui um forte indicador de que ainda temos que avançar muito para consolidar a democracia.

O PSDB também é uma legenda centralizada pela família Cunha Lima, no Estado. Apesar de ser presidido por Ruy Carneiro, o comando está nas mãos do senador, que é quem tem a palavra final sobre as definições do PSDB.

O mesmo acontece com PSB, que tem como presidente estadual Edvaldo Rosas, mas como líder principal, o governador Ricardo Coutinho, que é quem comanda a legenda e determina todas as ações da sigla.

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