domingo, 20 de maio de 2018
Policial
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Bandidos voltam a usar drones para explodir banco na PB

Ricardo Júnior / 24 de Fevereiro de 2018
Foto: Google Street View
Não, você não está lendo a mesma matéria publicada pelo Jornal Correio na edição da última quinta-feira. Apenas a história voltou a se repetir na madrugada de ontem. Mais uma vez bandidos utilizaram um drone para monitorar a ação da polícia durante assalto contra correspondente do Bradesco.

O caso foi registrado na cidade de Dona Inês, no Agreste paraibano, a 160 km de João Pessoa. Armamento de uso exclusivo das Forças Armadas foi utilizado pelo grupo para praticar o crime.

O leitor já deve saber de cor o roteiro desse tipo de ocorrência. Bandidos chegaram fortemente armados, abusaram de tiros para intimidar a população e a própria polícia, detonaram o caixa eletrônico e fugiram impunes. De acordo com a Polícia Civil, pelo menos duas explosões foram ouvidas pelos moradores da cidade.

O impacto foi tão forte que danificou as estruturas de uma loja e de uma funerária que ficam vizinhas ao terminal bancário, deixando um verdadeiro rastro de destruição. Contudo, o que chamou mais a atenção da polícia foi que os bandidos usaram um drone e armamento de uso restrito na ação.

“Um drone foi visto sobrevoando a área, possivelmente para monitorar os passos da polícia. Na realidade, foi uma ação rápida, que durou cerca de quinze minutos. Foram encontradas cápsulas de fuzil calibre 556 e pistola calibre 45, que são armas de uso exclusivo do Exército. Os bandidos conseguem esse armamento através do tráfico internacional de armas. A rota do tráfico mostra que as armas entram pela fronteira do Brasil com o Paraguai e seguem até o Sudeste do País, onde são comercializadas com as gangues e distribuídas para as demais regiões, principalmente entre os estados do Nordeste”, revelou o delegado seccional de Solânea, Diógenes fernandes.

Ainda segundo o delegado, as quadrilhas especializadas em roubos a bancos têm logística e uma forma organizada de agir. “Não resta dúvidas de que parte da quantia angariada com os assaltos é usada para financiar as próximas ações do grupo, enquanto a outra parte é dividida entre seus integrantes. As ações são bem planejadas, há toda uma logística que envolve desde a locação de armas até o furto de veículos para praticar os crimes”, contou.

Conforme informações da Polícia Militar, o correspondente bancário tinha sido abastecido na quinta-feira. “Se a gerência do banco tivesse avisado a PM do abastecimento, o comandante do batalhão teria providenciado reforço policial  na área e aumentado o número de militares no destacamento, que conta com 2 a 3 homens durante 24 horas por dia”, afirmou o soldado José Varela Filho, que estava de plantão na cidade durante o ataque.

De acordo com ele, os bandidos levaram todo o dinheiro do único caixa eletrônico que havia no local. “Levaram tudo, não sobrou sequer uma nota”, completou.

A reportagem tentou contato com o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar, major Gilberto Felipe, mas as ligações não foram atendidas.

Prejuízo

Informações extra oficiais dão conta de que o prejuízo causado pelos criminosos foi R$ 150 mil, mas a perícia não tinha confirmado até o fechamento da reportagem. Após o crime, o grupo fugiu em direção à zona rural de Dona Inês, onde há várias rotas de fuga. O policiamento foi reforçado na divisa da Paraíba com o Rio Grande do Norte.

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