terça, 13 de novembro de 2018
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Alex Madureira se apresenta no Espaço Cultural, em João Pessoa

Audaci Junior / 18 de março de 2018
Foto: Divulgação
“Esse show é um repertório instrumental com temática nordestina, um instrumental sem rótulos que nem identificamos ainda. É o universo da sanfona transportado para a guitarra”, resume o músico paraibano Alex Madureira sobre a apresentação gratuita do projeto Music from Paraíba que apresentará hoje, a partir das 19h, começando no mezanino e continuando na Sala José Siqueira, no Espaço Cultural, em João Pessoa.

De acordo com o instrumentista, a base dessa apresentação é o seu álbum intitulado Deu o C****!, totalmente autoral. “É uma expressão idiomática que pode representar várias situações”, conta. “Como o que vivemos nesse momento, no qual a política e economia influenciam na estética cultural”, complementa o paraibano.

Essa interferência também reflete na abertura do show, onde o Carrinho PB-Pop – criado para difundir e vender a produção musical local – será a base para os músicos Adeildo Vieira e Rieg fazerem um pocket show.

Sobre transportar o puxar o fole da sanfona para o dedilhar da guitarra, Alex Madureira explica que se deve ter muita dedicação para transpor essa sonoridade. “São instrumentos opostos. Tem que ter muita pesquisa, tempo e técnica para essa situação. Isso não é uma prova definitiva. É dinâmico, nunca estático. Sempre está em andamento”, sinaliza.

Para Madureira, a Paraíba é muito musical. “Tem que revitalizar e situar sobre isso. Somos a resistência mesmo e temos essa ideia dentro da gente. Isso é um resgate e não um modismo”, opina.

Madureira atenta sobre ritmos como o baião terem origens indígenas. “É como o desfile de Carnaval das tribos indígenas, que atualmente estão relegados ao último patamar. Isso é a História da Paraíba. Eles dançam desde 1585”.

Conexão. Alex Madureira começou a tocar violão por volta dos 13 anos, resultando em uma carreira de mais de 50 anos na música.

Na sua passagem de 12 anos pelo Rio de janeiro, nos anos 1980, cultivou amizades de nomes como Ivan Santos e Cláudio Lira, que atualmente mantém contato com o instrumentista direto da Alemanha para refletir e compor suas obras.

“A estadia no Rio acrescentou para nos auto-reverenciarmos”, brinca. “Por que se fala ‘Paraíba’ de modo pejorativo por lá? Porque é uma expressão cultural muito forte, como o Pavilhão de São Cristovão, que é o ‘reduto dos Paraíbas’”.

Sobre seus novos projetos ainda para este ano, Alex Madureira revela que está compondo um disco inédito junto com o Mestre Fuba, já acumulando até o momento nove músicas. “É sobre o universo dele atualmente, com referências religiosas, mas também na vertente do frevo e de outros ritmos”, aponta o paraibano. “Ele faz as letras e eu faço os arranjos”.

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