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Paraíba tem 77 pontos de internet gratuita, mas nem todos funcionam

Lucilene Meireles / 20 de julho de 2015
Foto: Nalva Figueiredo
Internet de graça e de boa qualidade? Sejam bem-vindos ao futuro! A rotina dos moradores do Porto do Capim, em João Pessoa, mudou desde que a Associação Nacional de Inclusão Digital (Anid) instalou um ponto de distribuição de internet gratuita, na localidade. Lá é fácil encontrar pessoas se conectando, no meio da rua. O negócio de venda de bolos da comerciante Renata Gomes dos Santos cresceu; a dona de casa Shirley Tomé da Silva diz que a internet ajudou nas tarefas escolares da filha. Até as pessoas que não têm objetivos específicos estão conectadas e se beneficiando com a interação social.

Em todo o Estado, são 77 pontos de distribuição do sinal em 11 municípios. Treze só em João Pessoa. Mas, nem todos funcionam como deveriam. Dos três visitados pela reportagem, apenas um estava operando. Por enquanto, o futuro só chegou para alguns.

“Agora temos acesso à informação"

Quem mora próximo à Escola Estadual Padre João Félix, no Porto do Capim, onde fica o equipamento, nem precisa sair de casa para ter acesso. Já os que residem a mais de 300 metros de distância precisam se aproximar. Durante o dia, alguns moradores ficam perto da escola para navegar. Mas é à noite que o movimento de usuários se torna mais intenso.

Renata Gomes é comerciante e aproveita para testar novas receitas que acessa no universo online. “Tenho feito bolos e comecei a vender para o pessoal que fica na rua. As vendas estão excelentes e consegui até aumentar um pouco a renda aqui em casa”, comemorou. Ela contou que antes tinha um pacote que era caro e não funcionava bem. “Agora, é de graça e a velocidade é ótima”.

“Agora temos acesso à informação. Esse serviço foi bastante positivo ao promover a inclusão digital destas pessoas”, avaliou o professor de Matemática Flávio Soares.

Para a dona de casa Shirley Tomé, a chegada da internet gratuita beneficiou muitos moradores sem acesso. “Facilitou as atividades escolares da minha filha. E eu aproveito para manter contato com minha família”.

Sinal falho na Praça Antenor Navarro

Na Praça Anthenor Navarro, há sinal do Junts, projeto de inclusão digital que a Anid desenvolve em locais onde as grandes operadoras não oferecem serviço ou em que ele apresenta falhas. Porém, ao tentar acessar, o serviço não funciona. A observação foi feita pelo monitor de turismo David Marques. “Faz em torno de um ano que instalaram e existe o sinal. No entanto, nunca funcionou. Seria uma boa, porque é uma praça bastante visitada, inclusive por turistas, mas infelizmente, apesar de conseguir conectar, não temos internet”, lamentou.

Outro local onde a Anid instalou um ponto de internet é o Colégio Liceu Paraibano, mas o serviço funcionou pouco tempo. Conforme a diretora da unidade, Telma Medeiros, quando começou a reforma do prédio, que ainda está em andamento, foi necessário desativar. “É uma boa iniciativa, mas falta terminar de instalar. O técnico ficou de retornar, mas isso não aconteceu. Estamos aguardando”, declarou.

“No futuro, seria muito bom que as pessoas tivessem acesso gratuito à internet e também à água, energia elétrica, mas como isso não é possível, que ao menos haja um preço justo para que todos possam ter esse acesso. E que todo local de uso coletivo tenha internet gratuita, com ajuda do governo, nos assentamentos rurais, com boa conectividade e boa qualidade”, afirmou Percival Henriques, presidente da Associação Nacional para Inclusão Digital (Anid) e conselheiro titular do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI/BR).

Roteadores retirados do Liceu

Sobre o funcionamento dos pontos, o presidente da Anid, Percival Henriques explicou que no Liceu Paraibano os roteadores foram retirados por conta da reforma e, como é um prédio tombado, não é possível quebrar paredes para implantar o sistema. A reinstalação ainda será discutida entre a Anid e a escola. Já na Praça Anthenor Navarro, ele explicou que raramente as pessoas se conectavam e, por isso, o equipamento foi levado para o Porto do Capim. “Mas, se tiver demanda, poderemos levar sinal para lá novamente”.

A Anid, cuja sede nacional está instalada na Paraíba, possui um trabalho de inclusão digital que passa pelo acesso livre à internet nas praças, assentamentos rurais e espaços de uso coletivo. O outro é de espaço digital, onde a tecnologia é utilizada para melhorar a vida das pessoas, como fator de conhecimento.

Com um sistema autônomo de conexão, a Associação também conta com parceiros, a exemplo do Ministério das Telecomunicações. “Estive recentemente com o Ministro das Telecomunicações para tentar atender o Brasil inteiro. Temos 100 milhões de pessoas conectadas, mas pelo menos 80 milhões não têm conexão decente. Queremos melhorar a de quem está conectado e conectar quem não está. Entre os que têm conexão, queremos também tentar fazer com que o uso da internet seja proveitoso”, declarou Percival.

Os recursos da Anid são de doações, de cursos de treinamento que ministra e cobra por eles, além do apoio dos associados mantenedores. Já a instalação dos pontos digitais fica sob a responsabilidade de técnicos da própria entidade, mas também são contratados serviços terceirizados. “Nossos recursos são limitados, mas os municípios podem nos procurar. E à medida que for possível, firmamos parcerias”, disse.

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