segunda, 18 de junho de 2018
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Pombos viram praga urbana em João Pessoa

Katiana Ramos / 25 de junho de 2016
Foto: Rafael Passos
 

Eles estão por toda a parte e, nas praças do Centro Histórico de João Pessoa, fazem morada nas torres das igrejas ou nos telhados dos antigos casarões. A presença constante dos pombos lembra até alguns pontos turísticos da Europa, onde eles costumam figurar nas fotos dos visitantes. O problema é que essas aves, aparentemente indefesas, podem transmitir doenças e causar prejuízos materiais à população.

Os pombos se espalharam tão rápido pela capital que alguns grupos já fixaram morada até mesmo na orla, como o Largo da Gameleira, em Tambaú. Segundo o gerente de Vigilância Ambiental e Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde, Nilton Guedes, a presença desses animais nas ruas tem sido a praga urbana mais difícil de se combater na capital.

Entre os motivadores desse problema estão o acesso fácil a alimentos e a moradia, conforme explica Nilton Guedes. "Onde há essa infestação de pombos há oferta de alimentos por perto, principalmente porque algumas pessoas fazem isso. O que é um complicador, porque muita gente não entende que essas aves podem transmitir doenças através das fezes, que também são altamente corrosivas", frisou.

De acordo com o gerente de Vigilância e Zoonoses, não há notificações no órgão sobre casos de doenças contraídas através do contato com as fezes dos pombos. Contudo, ele lembrou que muitos moradores ligam para o órgão informando casos de danos materiais causados pelos excrementos dos pombos, como a corrosão de telhados, danificação de pinturas, fachadas, coberturas de estrutura metálica e veículos.

"Nós não fazemos o trabalho de recolher os pombos. Mas, orientamos as pessoas a limpar os locais onde eles defecam com cuidado, utilizando máscaras para proteger o rosto, luvas e jogando uma solução de cloro com água no local", alertou Nilton Guedes.

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Ações do Zoonoses

De acordo com Nilton Guedes, as equipes do Centro de Zoonoses têm atuado com campanhas educativas em escolas, para que a população não alimente e não facilitem moradas para os pombos, como caixas de ar condicionado, parapeitos de janelas e outras estruturas que fiquem no telhado das residências. Além disso, os bairros com maior concentração dessas aves estão sendo monitorados.

"Fazemos a catação dos ovos e informamos a população sobre os perigos de contato com as fezes desses animais, além do risco à saúde deles também quando se alimentam de forma inadequada. À medida que seja mais difícil encontrar comida e locais de abrigo, os grupos vão se dispersar e ficará mais difícil a reprodução. Mas é preciso que as pessoas se conscientizem", reforçou o gerente do Zoonoses.

Doenças transmitidas pelos pombos

Salmonelose: doença infecciosa provocada pela bactéria Salmonella spp. A contaminação ocorre pela ingestão de alimentos contaminados por fezes de animais;

Criptococose: doença provocada pelo fungo Cryptococus neoformans e o contato com o homem se dá através das fezes de aves, principalmente pombos.

Histoplasmose: transmitida pelo fungo Histoplasma capsulatum, presente nas fezes de aves e morcegos, a contaminação acontece pela inalação dos esporos (células reprodutoras do fungo);

Ornitose: doença infecciosa causada pela bactéria Chlamydia psittaci e a contaminação pode ocorrer pela inalação de poeira das fezes secas de aves que podem está contaminadas, como os pombos.

 

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