sábado, 18 de novembro de 2017
Paraíba
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Mortes por falta de cinto de segurança fazem PRF e DER promoverem campanha nos ônibus

Ainoã Geminiano / 28 de março de 2016
Foto: Assuero Lima
"Nós paramos em um posto de combustíveis e quando voltamos para o carro e retomamos a viagem, não coloquei o cinto. Menos de dois minutos depois aconteceu a batida e, por estar sem cinto eu fui arremessada para fora do carro. Quase morri, passei muito tempo em recuperação e desde então nunca mais viajo sem cinto, mesmo que seja em ônibus". O relato da designer Thais Nascimento reforça os números e a necessidade de uma campanha de conscientização.

No ano passado 170 pessoas morreram e 631 ficaram gravemente feridas em acidentes nas rodovias federais que cortam a Paraíba. E, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), uma das principais causas de mortes nas BRs é a falta do uso do cinto de segurança. Ao todo, 149 motoristas e 378 passageiros foram flagrados sem o cinto em fiscalizações. Para reverter esse quadro, a PRF e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) iniciaram, nesse domingo (27), uma ação preventiva entrando nos ônibus nos portões de embarque do Terminal Rodoviário e alertando os passageiros para que coloquem o cinto, assim como acontece antes das decolagens e pousos de aviões.

Nas primeiras abordagens feitas houve grande adesão dos passageiros à ideia. Alguns reclamaram de que o equipamento estava com defeito e foram orientados a procurar o motorista, que é responsável pela segurança dos ocupantes do veículo. Segundo a PRF, se os passageiros forem encontrados sem cinto, durante uma abordagem, a responsabilidade será do motorista, que responderá pela infração.

A auxiliar de serviços gerais, Mércia Rodrigues, ainda não criou o mesmo hábito de usar o equipamento de segurança durante as viagens de ônibus e conta que só se atenta para isso quando viaja de carro. "Não costumo usar cinto quando estou de ônibus. Só quando viajo de carro", afirmou.

Na estrada é mais perigoso que no ar

Na avaliação do policial rodoviário Cledson Ferreira, um dos coordenadores do projeto, embora as pessoas tenham mais medo das viagens aéreas, a viagem terrestre e muito mais perigosa. "Em um voo, temos apenas dois momentos críticos em que se exige o uso do cinto: a decolagem e o pouso. Na estrada, toda a viagem é crítica. Portanto não tem essa de se cansar e tirar o cinto, parar para ir ao banheiro e não colocar o cinto de volta. Em uma batida com ônibus o impacto é muito mais forte e as pessoas são arremessadas com mais facilidade. Uma única pessoa sem cinto coloca em risco a vida de todos os outros passageiros", disse.

Ação poderá ser incorporada ao procedimento de embarque

O gerente de transportes do DER, Antônio Fleming Cabral, disse que o projeto está sendo realizado em fase experimental, mas a ideia é criar nos ônibus um procedimento de rotina semelhante ao que acontece nos aviões, usando sempre um policial rodoviário e um agente do departamento. "Temos um trajeto da rodoviária até o Alto do Mateus em que a dupla pode ir embarcada no ônibus, conversando com os passageiros e verificando a colocação do cinto. Depois eles retornar em um carro de apoio para pegar o próximo ônibus. Com várias duplas, poderemos cobrir o maior número possível de ônibus", explicou.

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