segunda, 19 de fevereiro de 2018
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Gripe é perigosa mas pneumonia é muito mais e mata seis por hora na Paraíba

Bruna Vieira / 26 de Abril de 2016
Foto: Arquivo
O medo das doenças ‘novas’ – como zika, chikungunya e influenza A são reais e legítimos – mas uma velha doença continua merecendo muita atenção.

A cada seis horas, uma pessoa morre em decorrência da pneumonia, na Paraíba, segundo média do ano passado. Este ano, já foram 355 vítimas. Segundo médicos, diversos microorganismos atuam como agentes causadores, como vírus, bactérias e fungos. A gripe mata bem menos, mas também pode evoluir para uma pneumonia. O vírus da influenza sofre mutações ao ponto de se tornar tão agressivo quanto ao da gripe espanhola no século passado. A diferença é que, hoje, as tecnologias em saúde evitam que se repita a mortandade.

Apesar da relação da gripe com a pneumonia, essa não é a principal causa desta. “As mortes são causadas, em sua maioria, pelas complicações das gripes. Qualquer pessoa está susceptível à pneumonia, até mesmo as que têm sistema imunológico normal. Não tem critérios para prevenir, nem onde pega você sabe”, esclareceu o pneumologista Sebastião Costa.

Inúmeras bactérias podem causar a pneumonia. As principais são Streptococcus, Staphylococcus e Haemophilus. “Há duas formas de pegar: de pessoa a pessoa (menos frequente), por bactérias gran positivas, neutralizadas por antibiótico simples, e em ambientes hospitalares, com bactériasgran negativas, mais graves e agressivas, que precisam de antibióticos mais pesados. Se tratada, em sete dias está curado e se não tratar, mata”, revelou o especialista.

De acordo com o pneumologista, o vírus está sempre circulando. A síndrome respiratória aguda grave (Srag) ocorre quando a infecção (que pode ser causada por H1N1 ou outro agente infeccioso) é muito grande, causando insuficiência respiratória e levando o paciente à UTI. “A pneumonia não causa insuficiência, não evolui para Srag. É tratada por antibiótico, enquanto na virose se tratam os sintomas”, concluiu.

Segundo o médico, a H1N1 é bem menos frequente que as outras viroses e a vacina imuniza por um ano, mas o contágio de pessoa a pessoa é alto. “A preocupação é que ela é muito agressiva, tira do trabalho. O vírus vai sofrendo mutação, ficando mais agressivo até chegar ao pico. Em 1918, desenvolveu-se a gripe espanhola, que matou 40 milhões de pessoas em dois anos e quase dizimou a Europa. No Brasil, foram 100 mil. Na época não tinha recurso, vacina, medicação. Ele continua mutando e, em algum momento, vai se tornar muito agressivo de novo, só que agora temos antivirais”, disse Sebastião Costa.

Embora os processos infecciosos mais comuns para a causa da pneumonia sejam as bactérias, a infectologista Helena Germóglio explicou que esse não é o único meio de se contrair o mal. “Outros microorganismos podem ser agentes de infecção, como os fungos. Em relação às gripes, não podemos dizer que esse ou aquele é mais perigoso”, apontou a médica.

No ar-condicionado. O pneumologista e alergologista Jorge Benevides alerta ao cuidado com o ar-condicionado. “O aparelho precisa estar sempre limpo ou vai acumular bactérias, que podem sim, gerar uma pneumonia. Isso vale para o ar do carro também. Todo e qualquer invasor no sistema respiratório pode fazer com que o quadro seja moderado a grave. A causa mais comum é a influenza. Uma gripe mal curada,começa com nariz escorrendo, secreção amarela, tosse e rouquidão. A pessoa toma um xarope caseiro e a febre alta aparece. É sinal que deixou se ser somente viral e virou bacteriana. Se não melhorar em dois dias, é preciso procurar um médico.

“A melhor prevenção da pneumonia em evitar lugar com muita gente, lavar as mãos constantemente, o nariz com soro fisiológico diariamente e se hidratar. O H1N1 debilita totalmente e a medicação precisa ser tomada em 48h ou a pessoa não melhora. A demora em procurar o profissional prejudica”, afirmou o pneumologista da Hapvida.

Vírus ‘troca de roupa’

O pneumologista Sebastião Costa explica que há dois tipos de viroses do trato respiratório: o resfriado comum e a gripe. Os demais tipos de gripe estariam classificados entre os resfriados. “O resfriado pode ser causado por mais de 200 vírus. É uma variabilidade muito grande de sintomas. A virose abre espaço para a infecção bacteriana porque reduz a imunidade e produz secreção, que é o caldo de cultura para as bactérias. No começo do ano, surgiram muitas infecções. Nas crianças, os refriados mais comuns são causados pelo rinovírus ou sincicial, causando dispineia e cansaço”, declarou.

Para o médico, a gripe é mais comum nesse período do ano, porém, não está relacionada ao clima. “É uma coincidência nessa época, porque agosto é frio e mesmo assim reduziu virose. É o ciclo do vírus. As pessoas estão tendo contato com ele e desenvolvendo resistência. Ao fim do ano, praticamente todo mundo está imunizado e haverá menos casos. No próximo ano, para se livrar dos anticorpos, o vírus se transforma, ganha uma nova roupagem para ficar imune aos que já tiveram contato e as pessoas que foram vacinadas. Não houve atraso na distribuição da vacina, porque essa é a época de começar a vacinar. Se no ano passado o vírus era X, esse ano é Y e a vacina não serve mais. Ela é modificada todo ano”, justificou.

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