domingo, 18 de fevereiro de 2018
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Espetáculo ‘Balada de um Palhaço’, abre o projeto Interatos deste mês

André Luiz Maia / 09 de dezembro de 2017
Foto: Divulgação
O dramaturgo Plínio Marcos (1935-1999) é um dos nomes mais importantes do teatro brasileiro, responsável por peças antológicas como Dois Perdidos numa Noite Suja (1966), Navalha na Carne (1967) e O Abajur Lilás (1969). Hoje, no entanto, o público pessoense terá a oportunidade de ver a montagem de um texto menos conhecido do teatrólogo, mas igualmente impactante: Balada de um Palhaço (1986).

A performance fica por conta do grupo goiano Arte & Fatos e abre a programação do projeto Interatos, a mostra e formação permanente de teatro, dança e circo realizada mensalmente pela Fundação Espaço Cultural (Funesc). Esta edição é dedicada ao circo, já que amanhã é comemorado o Dia do Palhaço, que traz uma programação especial (confira todas as atrações no box nesta página).

A história de Balada de um Palhaço se passa em um circo decadente, nos apresentando o palhaço Bobo Plin (nesta montagem, encarnado por Edson de Oliveira) em busca de um sentido para seu ofício, já que ele se sente cansado e desmotivado pela repetição mecânica do trabalho no circo. Tudo parece monótono e pouco estimulante. Do outro lado, temos Menelão (Bruno Peixoto), um palhaço mercenário, que tem como principal objetivo lucrar com o circo.

O embate entre explorador e explorado define a dinâmica do espetáculo, que dialoga, de acordo com Danilo Alencar, diretor da montagem, diretamente com a classe artística de maneira geral. "Esse texto traduz o olhar de uma hipervalorização e um respeito muito grande pelo ator. A gente achou interessante por trazer esse diálogo direto e citações a outras obras do próprio Plínio", salienta, em entrevista ao CORREIO.

Na encenação, que traz o texto original na íntegra, Danilo tomou a liberdade de acrescentar algumas cenas que deixam mais evidente essa intertextualidade. A ação dos atores faz referência a peças como Navalha na Carne. "São ações compatíveis com o momento da ação. São citações subjetivas que são detectadas por quem tem as referências das peças, mas que também não interferem na experiência de quem nunca viu nenhuma montagem do Plínio. Uma espécie de subtexto", completa.

A montagem do Arte & Fatos para Balada de um Palhaço já está circulando há onze anos e, de acordo com Danilo, foi um texto que cativou a ele e ao grupo de maneira imeadiata. "Até hoje eu não sei se eu que encontrei o texto ou foi o texto que me encontrou. Estava em uma feira em São Paulo e lá conheci Fred Maia, pesquisador da obra do Plínio, que tinha uma coletânea grande de todas as dramaturgias. No meio de todos eles, vi um livro azul, pequenininho. Era o texto. Quando fizemos uma primeira leitura, eu e o grupo decidimos que com ou sem projeto de incentivo, montaríamos a peça", relata o diretor.

O que chamou sua atenção, principalmente foi a forma poética que Plínio Marcos escreve seus textos. "Balada... é um dos mais poéticos que ele escreveu, quando estava no hospital, em 1983, devido a um infarto. No texto, ele parece ter um encontro consigo mesmo, lidando com questões éticas e espirituais, algo comum na obra dele, que questionava muito a sociedade", analisa Danilo Alencar.

Interatos. A programação abre neste fim de semana, mas se estende ao longo do mês. As atividades de dança, por exemplo, acontecem entre os dias 15 e 17 de dezembro, quando acontece o Encontro de Dança de Salão com debates, oficinas e apresentações dentro do projeto Bailaço. Entre as atrações estão Samuel Samways (MG), Jonas Karlos (PB-SE) e Beth Sotero (SE) e a dupla Cleweson Soneca e Maria Hercília (PB).

Ao todo, serão seis oficinas gratuitas com foco na dança de salão, além da roda de conversa "Novos Olhares para a dança de salão", com Samuel Samways, Débora Pazetto (MG), Carolina Polezi (SP), Paola Vasconcelos (RS), Jonas Karlos e Eugra Souto (PB). As oficinas são gratuitas e para se inscrever os interessados devem solicitar inscrições pelo e-mail dancafunesc@gmail.com.

O Interatos realiza mensalmente uma programação voltada para as artes cênicas em todas as suas formas de expressão, seja através de espetáculos, seja através de palestras, debates, seminários e cursos de formação. Ao longo de 2017, ele trouxe espetáculos de grupos de Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Amazonas, dentre outros.

A programação também absorve atividades desenvolvidas dentro da própria Funesc, pelos setores de Dança (sob gerência de Ângela Navarro), teatro (coordenação de Suzy Lopes) e circo (a cargo de Diocélio Barbosa).

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