sábado, 18 de novembro de 2017
Entrevista
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Prata na Olimpíada de Seul, Mazinho fala sobre momento do filho Rafinha

Raniery Soares / 20 de agosto de 2016
Foto: Getty Images
“Vendo este momento do Rafinha estou voltando 28 anos no tempo”. Quando o paraibano Mazinho conquistou uma medalha de prata com a seleção brasileira, durante os Jogos de Seul-1988, o seu filho (o meia Rafinha Alcântara) ainda não havia nem nascido. Em entrevista exclusiva ao Correio, o tetracampeão mundial falou sobre a sua expectativa em relação à briga do Brasil pela medalha de ouro no futebol masculino, além do fato do seu ‘herdeiro’ já ter se igualado com a prata numa edição de olimpíadas.

Mazinho contou que se sente feliz, tanto pelo fato do filho participar da disputa de um título de campeão olímpico, como também por através de Rafinha relembrar a eletrizante disputa vivida na Coréia do Sul, em 1988.

“Ah, para descrever um momento como esse é muito difícil. Me sinto contente, pois hoje lembro, através do Rafinha, das oportunidades maravilhosas que eu tive junto com os companheiros da seleção em Seul. Ele já se igualou e pode me superar nessa briga, mas acho que isso não será difícil, pois eles estão no caminho certo. Os últimos jogos foram uma arrancada importante e com certeza vão conseguir este objetivo”, disse.

Lateral, volante e ainda meia, o paraibano de Santa Rita fez questão de lembrar os momentos mais decisivos da briga pela medalha de ouro, em Seul. Naquela ocasião, o Brasil empatou com a Alemanha Ocidental em 1 a 1, graças a um gol de Romário, o que levou a partida para os pênaltis. Para a sorte dos brasileiros, em cinco cobranças dos alemães, três foram perdidas. O Brasil marcou com João Paulo, Luís Carlos Winck e novamente Romário, levando o time para a final.

Porém, na última partida, quem estava do outro lado era a poderosa União Soviética. Empolgado, Romário abriu o placar e depois os adversários empataram, de pênalti. O jogo partiu para a prorrogação e os brasileiros não conseguiram a tão sonhada medalha de ouro. Mazinho conta que este era o grande objetivo, mas infelizmente não foi alcançado.

“Primeiro pensávamos em chegar à final. Depois que derrotamos a Alemanha na semifinal, já sabíamos que o adversário era a União Soviética. O time deles era muito bom, joguei com alguns deles, mas obviamente queríamos a medalha de ouro. Infelizmente ela não veio, bem diferente do que eu estou vendo agora, pois tenho analisado que a seleção hoje merece ser campeã para coroar este trabalho e seguir nesta mesma linha. Acredito que grande parte desses jogadores vão seguir com este projeto e vão devolver ao Brasil o status que sempre tivemos, que é a de campeã”, analisou.

“Não tenho como comparar a seleção do meu tempo com a de hoje”

mazinho, bebeto e romario

O paraibano contou que acompanha todos os passos do filho, inclusive os jogos. Perguntado sobre quais as características mais marcantes da ‘sua’ seleção e a de hoje, Mazinho afirmou que é impossível estabelecer uma comparação, exatamente pelo grau de diferença entre as duas.

“É uma comparação muito diferente e posso dizer até impossível de ser feita. Nós éramos muito isolados do mundo externo. Íamos pra competição e ficávamos isolados, mas hoje você tem celular, internet, o que possibilita você ter todo um contato com o mundo externo”, contou.

Futebol brasileiro em crise

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A crítica de Mazinho ao futebol brasileiro entra em cena quando a pergunta dirigida a ele é: a seleção brasileira é a tetracampeã ou a do 7 a 1? Ele fez questão de apresentar um paralelo, enfatizando o alto nível da sua época e afirmando que hoje, o item que mais influencia na queda de rendimento do futebol brasileiro é a falta de organização, que vem desde os clubes e acaba refletindo na seleção.

“Tínhamos jogadores com o nível técnico muito elevado e isso que atualmente falta no futebol brasileiro. Essa qualidade não está ausente só nos clubes, mas também na seleção. O meu desejo é que uma medalha de ouro vinda através desses garotos possa ser um importante passo para organizar a seleção e mostrar que o futebol brasileiro segue vivo, afinal temos grandes promessas. O nosso diferencial é que sempre tivemos promessas que se transformaram em grandes nomes, o que hoje, por causa da desorganização do nosso futebol não conseguimos mais”, relatou.

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