sábado, 18 de novembro de 2017
Entrevista
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Entrevista: “A TV continuará sendo o principal veículo de comunicação”

Luiz Carlos Sousa / 21 de maio de 2017
Foto: Edu Moraes/ Divulgação Record TV
“A TV permanecerá, ainda por muito tempo, como o principal veículo de comunicação do Brasil e do mundo”. A afirmação é do vice-presidente comercial do grupo Record, Walter Zagari. Em entrevista ao Correio, Zagari conta a revolução que a TV viveu nos últimos 15 anos, especialmente, o crescimento da Record TV, a evolução da produção, a qualidade da programação e a expansão da rede. A explicação para crescimento para ele está baseada em não ter “medo de ousar e de investir, mesmo em momentos de crise”. Zagarri persegue um ideal e não faz questão de manter segredo sobre ele: “Profissionalmente falando, não sossegarei enquanto não vir a Record TV no topo da pirâmide, ocupando o primeiro lugar de audiência e de faturamento”.

- Há 15 anos o senhor está na Record.  O que o senhor destacaria como sendo a mudança mais importante na emissora nesse período?

- A principal mudança é que todos nós crescemos e amadurecemos muito durante estes 15 anos: eu e a minha equipe, como profissionais, e a Record TV, como emissora de televisão. De 2002, quando eu ingressei na emissora, até hoje, é nítida a evolução das nossas produções, da qualidade da nossa programação e da expansão da Rede. Hoje estamos presentes nos quatro cantos desse enorme Brasil com uma grade completa e de qualidade impecável. E como resultado de todo esse crescimento nos consolidamos como a segunda maior rede de televisão do país.

- Qual a estratégia para operar as mudanças que proporcionaram o crescimento da emissora em todo o País?

- Não tivemos medo de ousar e de investir, mesmo em momentos de crise. Nossos focos são ampliar a nossa fatia no mercado e oferecer ao telespectador atrações com padrões de qualidade impecáveis. E para isso não medimos esforços. Destaco, dentro da nossa estratégia agressiva de crescimento, os altos investimentos realizados na nossa grade de programação e a contratação de grandes nomes da TV brasileira e internacional, como Buddy Valastro.

- Dá para mudar o perfil de uma emissora de TV com uma aposta única, ou o projeto envolve do Jornalismo à produção de novelas; do programa de auditório a uma maior participação das afiliadas?

- Existem canais bem-sucedidos voltados para um único tema, mas a Record TV tem outro perfil, com uma programação diversificada. Além de jornalismo, teledramaturgia, programas de auditório e reality shows, é importante ressaltar que incentivamos a programação de conteúdo regional nas diversas emissoras que compõem a rede.Esse modelo de negócio estimula a produção de conteúdo local que passa a ser exibida nacionalmente enriquecendo, ainda mais, a nossa programação.

- O que o senhor gostaria de ter feito e não deu ainda para ser feito?

- Nunca deixei de fazer nada que estivesse ao meu alcance! Às vezes pode até não dar certo, mas eu sempre tento... Profissionalmente falando, não sossegarei enquanto não vir a Record TV no topo da pirâmide, ocupando o primeiro lugar de audiência e de faturamento. Há 15 anos, quando eu cheguei na emissora, era uma missão quase que impossível. Hoje, após muitos anos de trabalho de toda a Direção da emissora esse desafio é totalmente factível. Ao analisar a situação atual, considerando os excelentes resultados já conquistados, o nível das nossas produções e o profissionalismo, a garra e o foco de todos os profissionais da emissora, dos mais variados níveis hierárquicos, esta determinação está cada vez mais próxima de se tornar realidade.

- O senhor é um otimista em relação à televisão no Brasil ou acredita que a internet também afetará a vida das emissoras – pelo menos daquelas que não investirem maciçamente em tecnologia da informação?

- Sou sempre otimista em relação à TV. Acredito que teremos transformações no modo de ver televisão e a internet certamente irá influenciar a forma como o público interage com a programação. A TV ganhou novas funções e invadiu outras telas, como tablets e celulares. E para se manter neste cenário é preciso investir e estar atento às mudanças. A Record TV há anos realiza investimentos na integração de conteúdo. Em 2009 criamos o nosso portal, o R7.com, em 2015 passamos a oferecer nossa programação no R7 Play. Além disso, muitos de nossos programas podem ser assistidos ao vivo pela internet. Não creio, entretanto, que a TV irá desaparecer. Pelo contrário! Quanto mais se investiga sobre a TV, mais convictos ficamos da importância que ela possui no mercado brasileiro, sem a menor chance de perder o seu espaço. Apesar da entrada de novos players e das novas plataformas de conteúdo, a supremacia da TV frente aos demais veículos de comunicação é incontestável e tenho total certeza que será mantida.

- Que cenário o senhor imagina para os próximos anos na TV?

- Apesar de já respondido acima, enfatizo novamente: A TV é e permanecerá soberana.

- O senhor acredita que o artista – aí incluídos jornalistas, atores, apresentadores - continuará sendo fundamental para a TV?

- As pessoas, não só os artistas, mas jornalistas, apresentadores e técnicos de diferentes áreas são a alma da TV. Não se faz televisão sem o talento e a criatividade de uma equipe.

- O telejornalismo ainda será uma das opções mais fortes para investimento das emissoras?

No caso da Record TV, sim! A importância do jornalismo na composição do faturamento e da nossa audiência é total.

- O telejornalismo inspirado no cotidiano, que foi alvo de grandes investimentos da TV brasileira nos últimos anos, lhe parece forte o suficiente para se manter na programação?

- É uma das vertentes mais relevantes do jornalismo. E aqui na Record investimos muito na prestação de serviço. Para nós é importante estar presente no cotidiano do nosso público, dando a ele respostas importantes e imediatas. Tudo isso sem deixar de lado a essência do jornalismo, que é a informação com credibilidade dos mais variados assuntos, nacionais e internacionais, que de alguma forma impactam a vida dos telespectadores.

- Como o senhor imagina que a área de teledramaturgia caminhará? Seguirá o exemplo americano das séries ou a novela ainda terá lugar cativo na TV brasileira?

- As novelas, sem medo de errar, possuem e sempre possuirão um lugar cativo e um papel social de extrema importância perante a sociedade brasileira. Elas são muito mais que uma atração ou um simples programa de TV! São “máquinas” de influenciar a vida das pessoas. E nós, da Record TV, cientes da força apresentada pelo gênero, reinventamos nosso jeito de fazê-las e passamos a produzir as tramas bíblicas. Descobrimos esse nicho de mercado e investimos maciçamente no gênero. Fazemos novela do jeito que o Brasil gosta, sem se importar com formatos internacionais.



- A opção da Record pelas produções inspiradas em temas bíblicos é um sucesso. Os temas eternos ainda têm um apelo que não pode ser ignorado, apesar de todo o desenvolvimento humano e das mudanças culturais de nosso tempo?

- As melhores novelas são aquelas que tratam de temas universais, tocando em assuntos que afligem a todos, não importa qual a época retratada.  As histórias bíblicas fazem sucesso e são atemporais exatamente por isso: os dilemas dos heróis são atuais e o público se identifica com as questões levantadas.

- Como o senhor acredita que a relação das emissoras com as afiliadas evoluirá diante da perspectiva de tantas mudanças – especialmente tecnológicas – que estamos vivendo?

- O segredo do sucesso está na manutenção da relação de parceria com os demais mercados. Nós, em nosso conceito de Rede, não podemos trabalhar isoladamente. Se queremos nos tornar a principal rede de televisão do país temos que juntar nossos esforços, trabalhar nacional e localmente sempre com padrões de qualidade de altíssimo nível e estarmos constantemente focados no telespectador: entendendo o que ele quer da gente e oferecendo o que ele espera da gente.

- Grandes eventos – os esportivos, os de entretenimento – ainda têm um espaço garantido para a geração de receitas, como por exemplo, Copa do Mundo, Olimpíadas e Carnaval?

- Nem sempre. Todo evento é interessante desde que haja anunciantes interessados em patrociná-los. Tivemos inúmeras oportunidade de participar de grandes eventos e através de uma análise prévia descobrimos que o nosso investimento não seria suprido pela geração de receita. O segredo está em transformar o investimento em lucro. Quando essa equação é viável, seguimos adiante. Quando percebemos que financeiramente não seremos beneficiados optamos por deixá-los de lado e partir para outras frentes de investimento.

- Se o senhor tivesse o poder de decidir que aposta faria para a TV nos próximos anos?

- Não vou apostar. Vou afirmar: a TV permanecerá, ainda por muito tempo, como o principal veículo de comunicação do Brasil e do mundo. O poder exercido por ela perante a massa é exclusivo e longe de ser alcançado por qualquer outro meio.

 

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