domingo, 18 de fevereiro de 2018
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Delegado da Lava Jato acredita que corrupção não aumentou no Brasil

Rammom Monte / 21 de Maio de 2016
Foto: Assuero Lima
Em João Pessoa para participar do Simpósio Polícia Federal Contra a Corrupção – Operação Lava Jato, o delegado e presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal do Brasil, Carlos Sobral, falou sobre a corrupção no país. Para ele, o aumento no número de prisões relacionadas a este tipo de crime não está ligada diretamente ao aumento da corrupção em si, mas sim a uma série de outros fatores. A declaração foi dada em entrevista ao programa Correio Debate.

“Eu não acredito que a corrupção tenha aumentado. Acho que estamos passando por um processo de evolução institucional. O país vem evoluindo de 2001 em diante e nesse processo a Polícia Federal também evoluiu. Em 2001, nós abrimos um concurso para 750 delegados, em 2004 mais 500 delegados. Ou seja, nós temos 1700 na ativa hoje. Quase todo o nosso efetivo de delegados tomou posse entre 2001 e 2006, então foi uma recomposição de quadros que há muito não se via na Polícia Federal”, explicou.

Segundo Carlos, um ponto chave que ajudou neste amadurecimento da Polícia Federal, foi o investimento feito, principalmente na área de tecnologia. Além disto, ele relaciona também o maior número de prisões a uma melhora em vários outros setores.

“Nós investimos em tecnologia. Conseguimos um sistema de interceptação telefônica, que antigamente era só usado em tráfico de drogas. Neste mesmo período, a legislação também melhorou bastante. Durante muito tempo o judiciário também foi se aperfeiçoando. O Ministério Público também se aperfeiçoou, capacitou-se para usar estes novos instrumentos de combate ao crime organizado. Então o que nós temos é uma série de fatores que permitiu o avanço das instituições. Hoje nós podemos estar invertendo a sensação de impunidade no país. Quando um político ou um empresário enxerga alguém condenado, ele passa a pensar duas vezes se vale a pena”, disse.

Lista tríplice para Diretor Geral da PF

Durante a entrevista, o delegado Carlos Sobral também comentou sobre o cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal, atualmente ocupado por Leandro Daiello. Segundo Carlos, no próximo dia 30 de maio, os delegados vão votar uma lista tríplice para apresentar ao presidente da República em exercício, Michel Temer, que deverá escolher o nome do novo Diretor-Geral. Carlos acredita que o atual mandatário do país irá acatar um dos nomes.

“Dia 30 de maio faremos uma eleição para indicar nome de três delegados para apresentar ao presidente Temer para que caso haja a atual substituição do diretor geral, como já foi anunciada que vai haver, nós já tenhamos três delegados e acreditamos que um dos três possa ser escolhido. Ainda não estivemos com Temer, mas como ele sinalizou que vai acatar a lista do MPF,  que também não está prevista em lei, tenho certeza que ele possa também acatar a lista formada pelo PF, para que o nosso diretor geral seja um dos três indicados pela categoria”, finalizou.

 

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