quinta, 24 de maio de 2018
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Conectados 24 horas: e quando o celular vira incômodo?

Lílian Moraes / 07 de junho de 2016
Foto: Arquivo
Já foi o tempo que escutar a conversa das pessoas era falta de educação. Desde que o celular entrou em nossas vidas, tudo mudou. Hoje, somos bombardeados com brigas, declarações de amor ou de ódio, ameaças, intimidades, segredos, discussões sobre salários e até problemas de doença. O que era secreto entre as famílias, casais, empresas se tornou público.

Ao atender ao telefone celular, muitas pessoas acabam extrapolando o bom senso e ultrapassando os limites. Mas como se comportar com o aparelho em um país onde já são 283 milhões e 42 mil celulares, segundo dados da Anatel até abril deste ano? Mas será que ele é usado corretamente? Nas ruas, no trabalho, em ambientes fechados, a etiqueta é fundamental.

Além de expor a vida em público,  outro grande problema é o uso da internet durante um almoço, jantar ou mesmo um lanche entre familiares ou amigos. “De repente cada um pega o celular e fica mandando e-mail ou conversando no WhatsApp ou ainda no bate papo do facebook e ainda postando e conferindo fotos no Instagram e não dá atenção ao grupo ou a pessoa que está com ela. Isso é muito feio”, disse a consultora de  imagem pessoal, Martha De Diviitis.

Segundo ela, as pessoas eram mais reservadas. “Depois do celular os hábitos mudaram completamente. Quando atendem o telefone, a pessoa viaja para uma esfera íntima que é habitada por apenas duas vozes. E aí não importa se você está na rua, no ônibus, na sala de aula, no restaurante e, muitas vezes, até no trabalho. As pessoas começam a conversar sem pensar nas outras que estão ao redor, conhecidas ou não. Assim, acompanhamos conversas alheias sem querer e, em poucos minutos, estamos cercados por pessoas falando sozinhas, sem parar”,  observa.

Para a cerimonialista Dada Novaes , independente de qualquer situação, padrão social ou cultural deve se ter em mente que pra tudo existe limites. “Tudo o que incomoda é deselegante. Tudo que complica é deselegante. Falar alto é falta de educação, exceto quanto conversamos com pessoas que não escutam muito bem, mas tudo isso com muito respeito”, destaca.

“Atualmente, uma das coisas mais desagradáveis é o barulho da campainha de celular em locais públicos. Contribuir para esse incômodo coletivo é falta de educação e etiqueta, além de ser desrespeitoso para os outros”, explica.

“O correto é desligar o telefone em locais onde há outras pessoas pagando para se divertir. Restaurantes, cinemas, teatros e igrejas não são os lugares mais apropriados para receber uma ligação e no caso de ter colocado o celular no modo de vibração, levante-se e atenda o telefone em uma área reservada, rapidamente, e retornar ao convívio dos convidados”, explica.

Para a especialista em Programa de Neurolinguística, Anne Rodrigues, estamos passando pela fase da paixão que é aquela do exagero que queremos ficar 24 horas com o objeto. Depois vai passar e vamos para a fase do amor . “ O celular é uma ferramenta de comunicação e nós temos que dominá-la e não deixar ele nos dominar’, ensina a especialista.

De acordo com o empresário e consultor em gestão de carreiras e talentos, André Caldeira, o  processo de salvação começa com a autoconsciência. “Preciso mesmo puxar meu celular agora? Por que tenho que olhar minhas mensagens a cada 5 minutos? Por que fico o tempo todo tentando ver se entrou alguma mensagem nova? Estou esperando uma mensagem de vida ou morte ou algo crucial para o desenvolvimento da minha carreira? Tenho que reaprender a parar, respirar, analisar meu comportamento automático. Tenho que me policiar, prestar atenção, combater o excesso, voltar a desenvolver a presença real, ativa, consciente e socialmente adequada nas relações no trabalho”, explica.

Ele ensina que é preciso evitar  o uso em locais públicos fechados, como repartições públicas e outros locais frequentados por muitas pessoas. Se preciso, retire-se para atender ou fazer uma ligação do lado de fora.

Viciado em tecnologia, o estudante de Direito, João Luiz Sobral, conta que se mantém conectado 24 horas. “Sei que estou errado e que é preciso me desligar, mas quando vejo já estou vendo o facebook, o instagram e consultando meus emails”, observou.

A consultora Argentina Felipe também está consciente do vício no celular. “ Estou tentando me policiar e desligar o aparelho da internet, mas confesso que gosto de registrar tudo o que está acontecendo”, conta.

Em caso de necessidade, o ideal é manter um tom de voz ameno sempre que fizer uma chamada em área pública, para que as pessoas conheçam detalhes da sua vida ademais nenhum deles estão interessados em saber o que você fez na noite passada ou como pretende fechar aquele negócio.

celulares

Se tiver que fazer uma chamada em locais públicos, seja tão breve quanto possível. Converse com objetividade e deixe para entrar em detalhes quando estiver em um local privativo.



  • Desligue o celular quando entrar em cinemas, igrejas, bibliotecas, hospitais, etc. Se necessário, coloque-o no modo silencioso e saia do local para atender chamadas que sejam realmente importantes;


  • Nunca use o celular ao volante. Além de ser uma infração grave de trânsito, a chamada desvia sua atenção e pode provocar acidentes. Se precisar atender ou retornar uma ligação importante, estacione o veículo em local seguro primeiro;


  • Sempre desligue o celular antes de participar de uma reunião. Este não é o momento apropriado para se ausentar e atender uma ligação;


  • Se estiver conversando com alguém, não interrompa a conversa para atender uma ligação, a não ser que seja algo muito importante. Sua atenção e educação deve estar voltada primeiro ao seu interlocutor, e somente depois para as chamadas telefônicas.




Mesmo com as vantagens da tecnologia que fazem parte de uma grande parte das atividades profissionais, recreativas e até mesmo afetivas das pessoas e de todas as vantagens oferecidas, o maior problema é a crescente "dependência" da conectividade  na vida cotidiana.

Se ligue

Uma das situações mais absurdas é quando as pessoas atendem ao celular no cinema. Além de ser uma grande falta de educação, o indivíduo acaba incomodando os que estão ao seu redor, que pagam para viver um momento de lazer e acabam se aborrecendo com a falta de educação alheia.

Em um restaurante, o programa simulou uma discussão no celular. O ator fingiu que estava brigando com a namorada e atrapalhou muita gente. É importante lembrar ao telespectador que ninguém tem nada a ver com a sua vida, por isso, evite escândalos ao falar no aparelho. Seja discreto!

No ônibus, no carro, no shopping, o tempo todo, as pessoas não se importam em manter uma boa educação para falar ao telefone e acabam contando a sua vida para todo mundo ouvir. É importante tomar muito cuidado, pois dividimos o nosso ambiente com outras pessoas, que podem não gostar do nosso comportamento. Agir discretamente é sempre a melhor solução para não haver aborrecimentos de nenhuma parte.

Regras

1 – Evite falar alto ao conversar no celular. Ninguém precisa e quer saber o conteúdo do seu bate-papo. No trabalho, o cuidado deve ser redobrado.

2 – Compre logo um fone de ouvido porque ninguém merece escutar suas músicas ou aqueles vídeos que só você acha graça.

3 – Se sair da sua mesa de trabalho, leve o seu celular com você. Todos possuem atribuições e não tem tempo nem paciência para ouvir o seu aparelhinho tocar insistentemente.

4 – Não fique de olho no celular do colega. É falta de educação.

5 – Na consulta médica ou até mesmo na padaria, interrompa a sua conversa no celular quando for chamado.

6 – Quando estiver com alguém em um evento ou jantar de negócios, esqueça o  celular e dispense atenção àquela pessoa que está ali na sua frente.

7 –  Desligue o celular na reunião de trabalho,  e numa peça de teatro e no cinema. Entre nesses locais com o aparelho no modo silencioso.

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