quarta, 26 de setembro de 2018
Concurso
Compartilhar:

Correio traz questões de português para concurso

Redação / 24 de abril de 2016
Foto: Divulgação
1 - Lima Barreto vale-se do texto de Guyau para defender a tese de que

a) as ações do presente ganham sentido quando projetadas e executadas com vistas ao futuro.

b) o futuro só é do nosso domínio quando nossas ações no tempo presente logram antevê-lo e iluminá-lo.

c) as projeções do futuro só importam quando estiverem visceralmente ligadas às experiências do presente.

d) o futuro ganha plena importância quando temos a convicção de que todas as nossas ações são duradouras.

e) as ações do presente têm sua importância determinada pelo valor intrínseco de que se revestem.

2 -O fato de nossa vida estar cercada pelo Desconhecido não deve implicar uma restrição aos empreendimentos humanos, já que, para Guyau,

a) o fundamento da moral especulativa está em planejar o futuro sem atentar para as circunstâncias presentes.

b) o trabalho estéril executado no presente acumula energias que serão desfrutadas no futuro.

c) a incerteza do futuro não elimina a possibilidade de tomá-lo como parâmetro dos nossos empreendimentos.

d) os nossos atos tendem a se tornar estéreis quando pautados por uma visão otimista do futuro.

e) a brevidade do tempo que temos para viver autoriza- nos a viver o presente com o máximo de intensidade.

3 -O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se concordando com o elemento sublinhado na frase:

a) Há trabalhos que a gente (executar) sem imaginar o sentido que ganharão no futuro.

b) Os minutos de que se (necessitar) viver plenamente devem trazer consigo uma expectativa de futuro.

c) As privações que me (competir) enfrentar não devem desestimular meus empreendimentos.

d) As incertezas quanto ao meu próprio futuro não (dever) eximir-me de ser responsável por minhas decisões.

e) Os desafios que cada um de nós hoje se (obrigar) a enfrentar fortalecem-nos diante do futuro.

4 -A construção da frase eu pressuponho esse futuro com o qual nada me autoriza a contar permanecerá correta caso se substitua o elemento sublinhado por

a) perante o qual não sei avaliar.

b) em cujo nada posso desconfiar.

c) de cujo pouco posso prever.

d) por quem nada posso antecipar.

e) do qual nada me é dado esperar.

5 -Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em:

a) o futuro as resgatará (2.º parágrafo) = o amanhã as imputará

b) incerteza que me comprime (2.º parágrafo) = dúvida que me constringe.

c) Todavia executo (2.º parágrafo) = por conseguinte ajo.

d) uma perda estéril (2.º parágrafo) = um ônus impróprio.

e) imponho-me privações (2.º parágrafo) = faculto-me restrições.

6 -Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:

a) Está no futuro o sentido mesmo de tudo o que nos dispormos a fazer nos limites naturais do tempo presente.

b) Mesmo sem assenhorearmos qualquer certeza diante do futuro, nossas ações presentes ressalvam toda liberdade.

c) Pelo simples fato de ignorarmos o futuro, Guyau não desiste de valorizar no presente às ações que poderão projetar-se nele.

d) O desconhecimento do futuro não nos exime de sermos responsáveis por tudo aquilo que empreendemos.

e) Sendo certo que o Desconhecido cercea nossa vida, nem por isso deixaremos de investir sobre o nosso futuro.

Questão de gosto

Atenção: A(s) questão(ões) a seguir refere(m)-se ao texto seguinte.

A expressão parece ter sido criada para encerrar uma discussão. Quando alguém apela para a tal da “questão de gosto”, é como se dissesse: “chega de conversa, inútil discutir”. A partir daí nenhuma polêmica parece necessária, ou mesmo possível. “Você gosta de Beethoven? Eu prefiro ouvir fanfarra de colégio.” Questão de gosto.

Levada a sério, radicalizada, a “questão de gosto” dispensa razões e argumentos, estanca o discurso crítico, desiste da reflexão, afirmando despoticamente a instância definitiva da mais rasa subjetividade. Gosto disso, e pronto, estamos conversados. Ao interlocutor, para sempre desarmado, resta engolir em seco o gosto próprio, impedido de argumentar. Afinal, gosto não se discute.

Mas se tudo é questão de gosto, a vida vale a morte, o silêncio vale a palavra, a ausência vale a presença − tudo se relativiza ao infinito. Num mundo sem valores a definir, em que tudo dependa do gosto, não há lugar para uma razão ética, uma definição de princípios, uma preocupação moral, um empenho numa análise estética. O autoritarismo do gosto, tomado em sentido absoluto, apaga as diferenças reais e proclama a servidão ao capricho. Mas há quem goste das fórmulas ditatoriais, em vez de enfrentar o desafio de ponderar as nossas contradições.

(Emiliano Barreira, inédito)

7 - Definida como instância definitiva da mais rasa subjetividade, a questão de gosto opõe-se, terminantemente,

a) ao subterfúgio de que nos valemos para evitar um princípio de discussão.

b) ao princípio da recusa a qualquer fundamentação racional numa discussão.

c) à atribuição de mérito à naturalidade de uma primeira impressão.

d) ao primado do capricho pessoal, ao qual tantas vezes se apela.

e) à dinâmica de argumentos criteriosos na condução de uma polêmica.

8 -Atente para as seguintes afirmações:

I. No 1.º parágrafo, a menção a Beethoven e a fanfarra de colégio ilustra bem a disposição do autor em colocar lado a lado manifestações artísticas de valor equivalente.

II. No 2.º parágrafo, o termo despoticamente qualifica o modo pelo qual alguns interlocutores dispõem-se a desenvolver uma polêmica.

III. No 3.º parágrafo, a expressão servidão ao capricho realça a acomodação de quem não se dispõe a enfrentar a argumentação crítica.

Em relação ao texto está correto o que se afirma APENAS em

a) II e III.

b) III.

c) I.

d) I e II.

e) II.

9 -Muita gente não enfrenta uma argumentação, prefere substituir uma argumentação pela alegação do gosto, atribuindo ao gosto o valor de um princípio inteiramente defensável, em vez de tomar o gosto como uma instância caprichosa.

Evitam-se as viciosas repetições da frase acima substituindo-se os elementos sublinhados por, respectivamente,

a) substituir a ela - atribuindo a ele - lhe tomar

b) substituir-lhe - atribuindo-lhe - tomar-lhe

c) substituir-lhe - atribuindo-o - tomá-lo

d) substituí-la - atribuindo-lhe - tomá-lo

e) substituí-la - lhe atribuindo - tomar-lhe

10 - Na passagem da voz ativa para a passiva, NÃO houve a devida correspondência quanto ao tempo verbal na seguinte construção:

a) Será que ele apreciará tais formas ditatoriais? = Será que tais fórmulas ditatoriais serão apreciadas por ele?

b) Haveremos de enfrentar esse e outros desafios = Esse e outros desafios haverão de ser enfrentados por nós.

c) A questão de gosto dispensaria as razões = As razões teriam sido dispensadas pela questão de gosto.

d) O autoritarismo apagava as diferenças reais = As diferenças reais eram apagadas pelo autoritarismo.

e) Os acomodados têm proclamado a servidão ao capricho = A servidão ao capricho tem sido proclamada pelos acomodados.

Comunicação - Da escrita à digital

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à(s) questão(ões) a seguir.

Com a genial invenção das vogais no alfabeto grego, a escrita estava se disseminando pela Grécia antiga − e Sócrates, o homem mais sábio de todos os tempos, temia um desastre. Apreciador da linguagem oral, achava que só o diálogo, a retórica, o discurso, só a palavra falada estimulava o questionamento e a memória, os únicos caminhos que conduziam ao conhecimento profundo. Temia que os jovens atenienses, com o recurso fácil da escrita e da leitura, deixassem de exercitar a memória e perdessem o hábito de questionar. O grande filósofo intuiu que a transição da linguagem oral para a escrita seria uma revolução. E assim foi. Numa direção promissora, porém, que permitiu o mais esplêndido salto intelectual da civilização ocidental.

Agora, 2.500 anos depois, estamos às voltas com outra transição revolucionária. Da cultura escrita para a digital, é uma mudança de fundamentos como não ocorre há milênios. A forma física que o texto adquire num papiro de 3.000 anos antes de Cristo ou numa folha de papel da semana passada não é essencialmente distinta. Nos dois casos, existem enormes diferenças de qualidade e clareza, mas é sempre tinta sobre uma superfície maleável. Na era digital, a mudança é radical. O livro eletrônico oferece uma experiência visual e tátil inteiramente diversa.

Sob qualquer ângulo que se examine o cenário, é um momento histórico. Desde que os gregos criaram as vogais − o "aleph" semítico era uma consoante, que virou o "alfa" dos gregos e depois o "a" do alfabeto latino −, o ato de ler e escrever não sofria tamanho impacto cognitivo. Desde os tipos móveis de Gutenberg, o livro não recebia intervenção tecnológica tão significativa. O temor é que o universo digital, com abundância de informações e intermináveis estímulos visuais e sonoros, roube dos jovens a leitura profunda, a capacidade de entrar no que o grande filósofo Walter Benjamin chamou de "silêncio exigente do livro".

Leitura profunda não é esnobismo intelectual. É por meio dela que o cérebro cria poderosos circuitos neuronais. "O homem nasce geneticamente pronto para ver e falar, mas não para ler. Ler não é natural. É uma invenção cultural que precisa ser ensinada ao cérebro", explica a neurocientista Maryanne Wolf, autora de obra sobre o impacto da leitura no cérebro. Para tanto, ele tem de conectar os neurônios responsáveis pela visão, pela linguagem e pelo conceito. Em suma, precisa redesenhar a estrutura interna, segundo suas circunstâncias. Ao criar novos caminhos, expande sua capacidade de pensar, multiplicando as possibilidades intelectuais − o que, por sua vez, ajuda a expandir ainda mais a capacidade de pensar, numa esplêndida interação em que o cérebro muda o meio e o meio muda o cérebro. Pesquisadores investigam se a construção dos circuitos neuronais está sendo afetada nessa mudança para a era digital.

(Adaptado de: André Petry. Veja, 19 de dezembro de 2012, p. 151-6)

11 - É correto concluir do texto:

a) Apesar dos receios de alguns filósofos, a passagem da linguagem falada para a escrita, na Grécia antiga, foi uma mudança revolucionária que levou os jovens atenienses à prática do diálogo.

b) Ainda não há dados conclusivos a respeito das implicações trazidas ao funcionamento cerebral pelos numerosos estímulos propiciados por uma leitura virtual.

c) Devido à quantidade e à rapidez de estímulos visuais, as alterações surgidas com o desenvolvimento tecnológico, ligadas ao ato de ler, tendem a facilitar a ampliação dos circuitos cerebrais.

d) Além dos estímulos ao funcionamento cerebral, as facilidades oferecidas pela tecnologia em relação aos livros virtuais justificam a influência que a leitura digital exerce nos jovens.

e) Com base em estudos feitos por especialistas, o desenvolvimento cerebral ocorre naturalmente, por suas características genéticas, a partir da interação entre visão e linguagem.

12 - Em relação ao último parágrafo, é correto afirmar que seu conteúdo

a) se destaca do desenvolvimento dos demais parágrafos, por introduzir um assunto ainda não abordado anteriormente.

b) apresenta possíveis razões que confirmam a superioridade da leitura digital sobre aquela realizada no livro impresso.

c) remete a falhas nas pesquisas sobre leitura que estão sendo feitas na área da neurociência, por não apresentarem resultados concretos.

d) é principalmente explicativo, ao oferecer informações sobre o funcionamento dos mecanismos cerebrais ativados no ato de ler.

e) retoma os argumentos que vêm sendo desenvolvidos em todo o texto, apresentando uma síntese do assunto tratado.

13 -O sentido da expressão "silêncio exigente do livro", como se lê no 3.º parágrafo, se explica

a) pela atenção e concentração necessárias para a análise e a consequente assimilação do conteúdo de uma obra impressa.

b) pela dificuldade de leitura encontrada, por vezes, em obras impressas que não têm a clareza necessária ao entendimento do conteúdo.

c) pela obrigatoriedade da leitura de obras clássicas, no caso do livro impresso, diferentemente das opções oferecidas pelo mundo virtual.

d) pelos estímulos digitais que favorecem a apreensão de informações rápidas e múltiplas, possibilitando uma abrangente formação cultural.

e) pelo esforço empregado no manuseio de um livro impresso, em oposição à praticidade e ao conforto oferecidos pela leitura virtual.

14 -Numa direção promissora, porém, que permitiu o mais esplêndido salto intelectual da civilização ocidental.

A presença da conjunção grifada acima indica, no contexto do 1.º parágrafo

a) confirmação de que a escrita estava se disseminando pela Grécia antiga.

b) contraponto à afirmativa de que Sócrates, com seu apreço pela linguagem oral, temia um desastre.

c) constatação de que só a palavra falada estimulava o questionamento e a memória.

d) hipótese provável de que os jovens atenienses perderiam o hábito de questionar.

e) concordância com o fato de que a transição da linguagem oral para a escrita seria desastrosa, segundo Sócrates.

15 - Sob qualquer ângulo que se examine o cenário, é um momento histórico. (início do 3.º parágrafo)

A afirmativa acima se baseia no fato de que

a) o impacto causado pela tecnologia que propicia a leitura digital assemelha-se à revolução resultante da transição da linguagem oral para a escrita, na Grécia antiga.

b) as mudanças em relação à leitura, que passa a ser virtual, são idênticas às que ocorreram na Grécia antiga, com a invenção das vogais.

c) o livro digital, apesar das inovações tecnológicas, mantém sua proximidade com os tipos móveis inventados há séculos por Gutenberg.

d) a história referente à escrita, surgida há milênios, vem se repetindo no decorrer do tempo, desde a invenção dos tipos que permitiram a impressão de livros.

e) o acentuado desenvolvimento tecnológico tem melhorado, a partir de estímulos visuais, a relação humana com a leitura.

Relacionadas