terça, 17 de outubro de 2017
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Paixão por profissão atravessa geração e passa de pai para filho; conheça história

Isis Vilarim / 13 de agosto de 2017
Foto: Reprodução/Arquivo/Matheus
“Filho de peixe, peixinho é”. O ditado é antigo, mas é carregado de significados. Na criação de um filho, o pai transmite para ele cidadania, respeito e tantos outros valores que podem fazer daquela criança um adulto capaz de ser o espelho de quem o educou. Além dos valores familiares, muitos filhos também herdam a profissão dos pais. Por tradição ou paixão, eles seguem o mesmo caminho que foi percorrido por alguém que o inspira, como é o caso de Matheus Lucena, 22, hoje professor de Educação Física, inspirado no pai, Tadeu Antônio, que já faleceu. Comente no fim da matéria.

Matheus entrou para o curso de Educação Física depois de trocar o computador pelo altere. Ele chegou a cursar Rede de Computadores, mas foi influenciado pela rotina do pai, também graduado no curso e apaixonado pela profissão.

"Meu pai foi meu professor desde a 5ª série (atual 6° ano), quando eu ficava com muito medo nas aulas, pois queria ser o maior exemplo dentro de sala. Como ele era professor de Educação Física, ele sempre me usava como exemplo nas aulas práticas e isso foi me trazendo coisas boas. Eu cresci vendo o trabalho dele dentro de clubes e escolas, sempre fui presente em seu trabalho, seja na natação ou área escolar. Comecei a cursar Redes de Computadores, por já trabalhar na área, pensando ser meu dom, mas no decorrer do tempo não me encontrei e decidi seguir o meu pai", contou Matheus.

Finalmente no 5º período do curso, realizando um desejo dele e do pai, Matheus recebeu a notícia que Tadeu Antônio tinha falecido. “Foi um momento muito difícil, pois queria que ele estivesse ao meu lado em minha colação de grau. Muitas pessoas da minha família, minha esposa e meus amigos me ajudaram a seguir em frente. Hoje, formado, vejo todo o esforço e dedicação que ele tinha com a profissão e tomo isso como um exemplo, um espelho tanto para vida profissional, quanto para vida pessoal”, disse Matheus, emocionado.

Mesmo com o momento doloroso, Matheus lembra da boa relação que tinha com ele. "Sempre me deu apoio e me incentivou. Ele se surpreendeu, pois pensava que eu iria ser da área da informática, e gostou da decisão. Eu já me via trabalhando junto dele, já pensava se poderia ser seu estagiário ou mais pra frente companheiro de profissão. Ao longo da graduação, nas atividades desenvolvidas, em todas as atividades em que tive o prazer de conviver ainda no tempo da escola, pude trazer seus ensinamentos para o meu dia a dia”, lembra Matheus.

Influência

Os pais são os principais modelos para os filhos; quanto melhor for esse vínculo, mais os pais terão influência sobre eles.

Ao Portal Correio, a psicóloga Danielle Lucena explicou os pontos positivos e os negativos da influência profissional.

“Quando há uma admiração e os filhos pensam ‘gostaria de ser um bom profissional nesta área como o meu pai’, ou ‘eu o admiro e me sentiria feliz seguindo a mesma profissão’ é positivo, porque o filho conhece o dia a dia da profissão e vê no pai um exemplo a ser seguido”, explicou.

Porém, segundo Danielle, a influência tem um lado muito negativo quando é adquirida por pressão dos pais. “Pode ser negativo quando o pai tenta impor aos filhos uma escolha profissional. Infelizmente isso ainda é muito comum. Alguns pais desejam vê-los trilhando o mesmo caminho que eles por se sentirem felizes e orgulhosos de sua profissão; outros, por acreditarem que em determinada profissão o filho teria uma vida financeira mais confortável. O problema é quando passam a fazer pressão na escolha profissional do filho. Com isso, acabam desconsiderando as aptidões e preferências dos seus filhos, o que acaba sendo fonte de imenso sofrimento para os jovens que se veem pressionados pelos pais a seguirem determinada profissão”, explicou.

A psicóloga ainda orientou qual modelo deve ser seguido para a influência ser positiva. “O ideal é que os pais possam atuar junto aos seus filhos como orientadores e intermediadores, possibilitando o desenvolvimento vocacional dos filhos e não limitá-los”.

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