domingo, 19 de novembro de 2017
Esportes
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Profissão, jogador de games: paraibano conquista o mundo dos esportes eletrônicos

Rammom Monte / 11 de abril de 2016
Foto: Arquivo Pessoal
O que podia parecer loucura há alguns anos, está se tornando cada vez mais realidade: viver única e exclusivamente do mundo dos games. Já faz um certo tempo que os jogos deixaram de ser apenas diversão e vêm se tornando o meio de sustento de vida de muitas pessoas. A profissionalização passa até pelo nome. O que antes era chamado apenas de games, hoje ganhou a alcunha de e-sports (Esportes Eletrônicos, em português), com direito a campeonatos mundiais e premiações substanciais.

Um dos representantes desta nova modalidade de esporte é o paraibano Epitácio Pessoa de Melo Filho, mais conhecido com o Taco. O atleta de 21 anos sagrou-se, juntamente com a equipe Luminosity Gaming, campeão mundial do jogo Counter Strike Globall: Offensive, no campeonato Major League Gaming Columbus 2016, que aconteceu nos Estados Unidos no último domingo (3). Com a vitória, a equipe ganhou uma premiação de US$ 500 mil, aproximadamente R$ 1,8 milhão.

Epitácio, ou Taco, afirma que criou interesse pelo mundo dos jogos após ver seus irmãos e primos mais velhos jogando. Atualmente, ele mora em uma Gaming House nos Estados Unidos, juntamente com mais seis companheiros de equipe. Porém, engana-se que a rotina seja fácil. Taco diz que o ritmo de treinos e viagens é frenético.

“Nossa rotina de treinos é feito por nós, de acordo com nossas necessidades, mas geralmente são em torno de oito horas por dia. Além dos eventos que fazemos com os nossos patrocinadores. Viajamos praticamente todo mês, às vezes até quatro vezes no mesmo mês, para a Europa ou outros estados dos Estados Unidos para disputar campeonatos”, afirmou.

Atualmente, Epitácio trancou a universidade e vive com uma renda entre 20 a 40 mil reais, que vêm de stream, publicidade junto a patrocinadores, salário, além das premiações dos campeonatos que disputam.

Como entrou no mundo dos games

Assim como vários outros jogadores, Taco começou jogando pela internet. Com o destaque conseguido na rede, ele foi convidado para um time e passou a participar de alguns campeonatos. Após se destacar novamente, agora já por este time, ele foi sendo convidado para melhores times até chegar ao melhor time que estava no Brasil, o que foi o passaporte para ele morar nos Estados Unidos.

“Com esse meu time, venci vários campeonatos brasileiros e ganhamos o maior deles, que dava vaga em uma liga nos Estados Unidos para morar e disputar lá. Então fui aos Estados Unidos em outubro do ano passado, quando começamos a jogar ligas menores. Neste meio tempo, o outro time brasileiro já disputava ligas maiores, mas não estavam conseguindo alcançar os resultados esperados. Foi quando me chamaram para o time que eu estou agora, que é o Luminosity Gaming. Lá, comecei a jogar campeonatos mundiais e as melhores ligas do mundo. Estávamos bem e conseguimos chegar em terceiro no ranking mundial, sempre chegando às semi-finais e finais dos campeonatos. E na semana passada vencemos o maior campeonato que já teve do jogo, o Major MLG Columbus”, explicou.

Como funciona o time

Uma equipe é composta por seis pessoas. Sendo cinco jogadores e um técnico. E para poder participar de campeonatos, é preciso que se esteja em um time.TACO-LG8

Realidade dos jogos eletrônicos no mundo

Apesar das enormes cifras que envolvem o mundo dos games no âmbito mundial, a realidade no Brasil ainda não é a ideal. Se considerarmos na Paraíba, o segmento é quase nulo. Epitácio acredita que isto tem a ver com os investidores.

“O esporte eletrônico já é uma realidade na Europa e Estados Unidos, mas no Brasil ainda vem crescendo, pois algumas organizações evitam o Brasil por conta da burocracia e os altos impostos. No Nordeste, especificamente na Paraíba, o cenário é fraco, para não falar nulo”, desabafou.

Campeão do mundo

Epitácio falou ainda sobre o sentimento de se sagrar campeão do mundo de Counter Strike. Porém, ele ressaltou as dificuldades que teve que enfrentar até atingir o objetivo. “Ser campeão do mundo foi um marco, pois nunca tivemos as melhores condições de treinos por estarmos no Brasil. Então tivemos que sair e abrir mão de várias coisas, como famílias e amigos. Então chegar ao topo do mundo foi uma recompensa pelo tanto que trabalhamos. Especificamente saímos do lixo ao topo do mundo, mas abrimos mão de várias coisas durante muito tempo para conseguirmos isto”, finalizou Epitácio, dizendo que volta ao Brasil em agosto apenas para passar férias e que em seguida retorna aos Estados Unidos para retomar os treinamentos.

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