domingo, 27 de maio de 2018
Futebol
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O torcedor que virou mascote do Botafogo-PB

Raniery Soares / 24 de setembro de 2016
Foto: Raniery Soares
Você já se perguntou o que significa torcer por um time de futebol? Ir ao estádio, por exemplo, pode ser a resposta mais fácil. Mas, imagine alguém que das arquibancadas do Estádio Almeidão, em João Pessoa, decidiu que se transformaria em um mascote humano? Esta resposta pode ser facilmente dada pelo policial militar José Fernandes Sousa, ou melhor, o Xerife do Belo.

Com 58 anos, ele é sargento reformado. Torcedor do Botafogo desde 1975, quando veio da cidade de São Miguel de Taipu (PB) para João Pessoa, Fernandes sempre foi um torcedor apaixonado pelo alvinegro da estrela vermelha. Ele conta que um dia postou uma foto com um chapéu de xerife nas redes sociais e foi daí, embalado por pedidos de outros torcedores, ele resolveu se transformar em uma espécie de ‘mascote humano’.

“Quando eu postei a foto, os torcedores falaram: “Fernandes, você deveria representar o nosso time. Como você é militar, porque você não se transforma no xerife do Belo?” e foi assim que eu montei essa roupa, com essa indumentária, exatamente para ficar igual ao mascote oficial do time, só que na forma humana”, conta.

Sargento Fernandes já virou um símbolo da torcida botafoguense. Tanto, que em todos os jogos, assim como os mascotes entram em campo para fazerem a festa com a torcida, ele pisa nos gramados onde o Botafogo joga no momento em que o time sai do vestiário.

Ele também conta que em dias de jogos do Belo, ele passeia pela cidade no seu carro (que inclusive é personalizado com suas fotos), promovendo uma verdadeira convocação ao torcedor botafoguense. Segundo o Xerife, este ‘clima’ criado por ele antes da partida dá uma garantia de até 50% da renda de cada espetáculo.

“Confesso a você que pelo menos metade daquele Almeidão vai por causa deste envolvimento que eu faço. Saio fantasiado no meu carro, chamando o torcedor para comparecer e eles fazem uma festa. Muitos até me dizem que foram porque se sentiram convocados pelo Xerife do Belo para apoiar ainda mais o Botafogo”.

Mas, Fernandes como todo torcedor tem sonhos que deseja ver o seu time realizando. Um deles e o mais interessante é que o policial militar quer um dia doar um ônibus para o Belo. “Penso muito nisso todos os dias. Se eu tivesse esse dinheiro hoje, com toda certeza compraria este ônibus e doaria para o Botafogo. Ainda vou conseguir, não tenho nenhuma dúvida”, finalizou.

 

O ‘Xerife do Nordeste’surgiu nos anos 70

O xerife como mascote do Botafogo foi uma criação do cartunista paraibano Luzardo Alves, no início da década de 70. Intitulado “Botinha, o Xerife do Nordeste”, o personagem original foi inspirado em um cachorro do artista, nas cores preto e branco (igualmente ao time). O nome do cachorro? Botinha, que logo após se tornou um apelido carinhoso do Time da Maravilha do Contorno.

“Era um cachorro que eu gostava muito. Sou torcedor do Botafogo e como o time sempre teve uma grande representatividade no Nordeste, criei o personagem como alguém que mandasse na região”, relembra Luzardo, que de forma triste afirma que o mascote original acabou sendo esquecido.

Sem lembrar precisamente a época, o cartunista conta que o ‘Botinha’ acabou sendo isolado, dando lugar ao xerife humano, que ele nega ter sido criação sua. “O mascote criado por mim é o Botinha, o Xerife do Nordeste. Este em figura humana eu não conheço o seu criador”, disse Luzardo.

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