domingo, 20 de maio de 2018
Futebol
Compartilhar:

FPF poderia ter influência nas decisões do Tribunal de Justiça Desportiva

Raniery Soares e Halan Azevedo / 16 de Maio de 2018
Foto: Rafael Passos
FPF_RafaelPassos-(1)
Uma possível interferência da Federação Paraibana de Futebol (FPF) no trabalho do Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol da Paraíba (TJDF-PB) e da Comissão Estadual de Arbitragem (Ceaf) sempre esteve no imaginário do torcedor. Como é que decisões de processos e a escalação de árbitros que não tinham a mínima condição de trabalhar nos jogos aconteciam?

A resposta para uma das perguntas pode ter sido revelada em uma escuta telefônica que o Correio teve acesso a gravação, envolvendo o presidente do TJDF-PB, Lionaldo Santos e o da FPF, Amadeu Rodrigues. O assunto em questão é o julgamento envolvendo o Treze Futebol Clube, na época da polêmica sobre o regulamento do Estadual.

Botafogo e Treze se enfrentaram na semifinal, com o primeiro jogo acontecendo em João Pessoa e o segundo em Campina Grande. Porém, o Belo acionou a justiça, alegando que por ter feito mais pontos na primeira fase deveria ter a vantagem de decidir em casa. Contudo, o entendimento do regulamento era que este privilégio seria dos times que terminaram em primeiro lugar nos seus respectivos grupo – no caso, Campinense e Treze.

Na transcrição, Amadeu Rodrigues telefona para Lionaldo e diz que “estão (o Treze) querendo agitar de todo jeito, porque o Botafogo solicitou arbitragem do intercâmbio e eles (diretoria do Treze) da Fifa”. O presidente do TJDF-PB revela que o advogado do Galo havia “entrado com uma ação para o vice-presidente do Tribunal, para que fosse adiado (o julgamento)”.

Aparentemente irritado pela resposta do jurista, Amadeu rebate dizendo que “não vai adiar nada. Isso é medo de jogar”. Depois, Lionaldo faz uma pergunta, no sentido de buscar uma orientação sobre o posicionamento que deve ser adotado no julgamento em questão. O presidente da FPF é enfático e defende a sua tese.

A versão dos citados

Na coletiva realizada na última segunda-feira (14), o Correio questionou o presidente Amadeu Rodrigues e os advogados Hilton Souto Maior e Eduardo Araújo sobre o caso em questão. Eduardo foi o encarregado de responder, já que Amadeu apenas leu uma carta e não atendeu a imprensa no momento das perguntas.

Na resposta, Eduardo justificou que Amadeu estava apenas expressando para Lionaldo o posicionamento da diretoria jurídica da FPF, que já estava divulgada em um documento. O advogado ainda negou a suposta interferência de uma entidade sobre a outra e ratificou a independência dos poderes.

Já o presidente do TJDF-PB, Lionaldo Santos, disse à reportagem que quando Amadeu fala em sugestão, está se referindo ao advogado do Treze (George Ramalho). Sobre a interferência da FPF no Tribunal, ele descartou e disse que existe apenas uma relação de respeito.

“Somos instituições e trabalhamos pelo futebol. A minha intimidade com o presidente da FPF é tão grande, que funcionamos no mesmo prédio e nem meu carro eu posso estacionar na garagem. Quando ele falou comigo, eu pedi uma sugestão sobre a postura do advogado nesta situação. Posso garantir que não tinha nada a ver com interferência”, disse Lionaldo.

Nosman fala sobre anulação

Denunciante do maior escândalo do futebol paraibano (a manipulação de resultados, por parte de dirigentes de clubes e árbitros, em jogos do Estadual investigada pela Operação Cartola), o vice-presidente da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Nosman Barreiro, afirmou nessa terça-feira (15) – em entrevista ao programa Correio Debate da 98 FM - que, caso ele assuma a Federação após intervenção da Confederação Brasileira de Futebol (FPF) na entidade, o Campeonato Paraibano deste ano pode ser anulado.

Para Nosman, a operação investiga uma pequena parte de “todo o procedimento criminoso que tem na Federação”. Os crimes estariam sendo cometidos por dirigentes, árbitros e o presidente da FPF, Amadeu Rodrigues.

“Essa Operação Cartola é uma pequena parte de todo o procedimento criminoso que tem na Federação. O torcedor é a maior vítima de tudo isso. Se tiver realmente uma participação [de dirigentes] que influenciou os resultados como (a Operação Cartola) está mostrando, acredito que não tem outra possibilidade a não ser de anular (o Campeonato Paraibano)”, afirmou Nosman.

Ainda durante a entrevista, Nosman contou que aguarda o término da intervenção da CBF na FPF para analisar a possibilidade de ele assumir o comando da entidade. Além disso, ele citou que outras federações de futebol podem estar envolvidas no esquema de manipulação de resultados.

Relacionadas