domingo, 20 de maio de 2018
Futebol
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Amadeu diz que é inocente e que ‘Operação Cartola’ virou processo midiático

Raniery Soares / 15 de Maio de 2018
Foto: Rafael Passos
Se a melhor estratégia de uma defesa é o ataque, o presidente – agora afastado - da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Amadeu Rodrigues, fez muito bem. Na coletiva realizada nessa segunda-feira (14), na sede da entidade, o mandatário garantiu que é inocente, desqualificou o processo que investiga o suposto esquema de manipulação de resultados no futebol da Paraíba e além disso, garantiu que enquanto o interventor nomeado não assumir, permanecerá no cargo.

Nessa segunda-feira (14), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decretou o afastamento de Amadeu do cargo por um período inicial de 30 dias e logo nomeou o advogado mineiro Flavio Boson Gambogi como interventor. Ele é auditor da 5ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e comandará a FPF até a conclusão das investigações.

Segundo o presidente, o processo se tornou midiático ao invés de permanecer no viés jurídico e investigativo, após o vazamento das escutas telefônicas trazidas em primeira mão pelo Correio da Paraíba, em reportagem publicada no último domingo.

Sem atender a imprensa diretamente, o dirigente leu uma carta ao lado dos advogados Hilton Souto Maior e Eduardo Araújo, este que também atua como diretor executivo da FPF e que foi o responsável por responder as perguntas da imprensa.

Na leitura do documento ele saudou os funcionários e afirmou que o seu único intuito enquanto estiver como presidente é contribuir com o desenvolvimento do futebol da Paraíba. Logo depois, disparou dizendo que “forças externas querem arrancar o futebol paraibano da evolução”, o que pode ser encarado como um recado direto para seus opositores.

“Só o que tivemos até agora foram denúncias infundadas, invasões, fraudes, além de falsidade em vários segmentos. Esclareci todas as prestações de contas, inclusive a do ano passado, que foram frutos de uma acusação infundada, que originou tudo isso. Além disso, sou obrigado a explicar o que já foi publicado na imprensa, onde sou atacado sem chance de me defender”, falou.

“Quem errou que pague. Não tomamos qualquer atitude com intuito de ludibriar instituições ou pessoas. Aos que pedem minha renúncia, digo que continuarei lutando pelo futebol e provarei a minha inocência”, disse Amadeu.

Guerra contra o ex-aliado

Amadeu também não poupou o ex-aliado Nosman Barreiro. Para Rodrigues, práticas envolvendo cheques, documentos falsificados e boletins de ocorrência foram atos ilícitos praticados pelo vice-presidente.

Sabendo que o sonho do vice é assumir o comando da entidade, Amadeu mandou um recado.

“Estou convicto que com todos os sacrifícios, estamos tirando o futebol paraibano do buraco. Aos que pedem minha renúncia, continuarei defendendo os interesses do nosso futebol e tornarei cada vez mais clara a minha inocência. Manterei-me forte, para que personagens escusos não tomem o poder de maneira incorreta”, falou.

Nosman, que também é investigado, disse em nota que ficou surpreso com a decisão da Comissão de Ética da CBF, mas adiantou que continuará colaborando com a justiça, com a polícia e também com o interventor Flavio Boson Gambogi.

“Declaro ainda que estou perfeitamente à disposição para auxiliar no que for necessário ao interventor da entidade, bem como continuo a disposição das autoridades policiais para a continuidade na apuração dos fatos”, diz trecho da nota.

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