segunda, 23 de outubro de 2017
Turismo
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Conheça três lugares paraibanos para visitar em SP

Redação / 12 de outubro de 2017
Foto: Divulgação/CTN
Hoje um dos destinos preferidos dos paraibanos durante os feriados nacionais ou mesmo nas férias - tanto que agora há voos diretos operados pela Gol -, São Paulo ajuda a contar boa parte de uma época em que a viagem era muito mais dramática e incerta.

Com a concentração das indústrias brasileiras no Sudeste durante as décadas de 1960 e 1970 e a consequente crise no Nordeste e no Norte, muitas pessoas decidiram migrar naquela época para a metrópole levando tudo o que tinham.

Além da viagem em condições precárias, a vida em São Paulo também não foi fácil para os migrantes: segundo o geógrafo Thiago Romeu, que escreveu um trabalho sobre a imigração paraibana na capital paulista em seu mestrado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), os nordestinos eram vistos no Sudeste com preconceito ao mesmo tempo em que eram considerados "fortes" para o trabalho.

“Apesar de desprezados como pouco afeitos ao trabalho, indisciplinados, errantes e tendentes ao banditismo e ao fanatismo, os nordestinos vão ocupando postos de trabalho na região mais dinâmica da economia capitalista nacional”, diz.

A presença de nordestinos em São Paulo, assim como no Rio de Janeiro, por outro lado, fez com que surgissem bairros inteiros habitados por migrantes, que, assim, puderam manter intactos alguns costumes da terra natal e espaços de socialização com conterrâneos.

Hoje, com o desenvolvimento do Nordeste e a descentralização da indústria, muitas daquelas famílias voltaram para seus estados, deixando na cidade suas marcas culturais reconhecidas por todos os habitantes.

Na capital paulista existe um vasto roteiro de festas, eventos, encontros e outras reuniões da comunidade paraibana, sem contar os pequenos e escondidos espaços onde até hoje existe um pedaço da Paraíba dentro de São Paulo. Para os paraibanos que viajarem à metrópole, o Correio da Paraíba indica três lugares para se sentir momentaneamente em casa.

Vila São José (São Caetano do Sul)

O bairro de Vila São José, em São Caetano do Sul, cidade da Grande São Paulo, tornou-se um lugar-comum dos paraibanos na região por causa de uma pensão instalada ali por um migrante de São José das Piranhas (503 km de João Pessoa) nos anos 1950.

À época ainda sem muitos traços de urbanização, o bairro atraía migrantes pelas olarias que ali já estavam instaladas. O crescimento do número de trabalhadores fez com que as antigas chácaras fossem substituídas por ruas e cortiços habitados até hoje. “É uma vila onde as pessoas convivem como se estivessem no interior do país, naquelas cidades pequenas onde todos se conhecem, todos vão à missa, todos tomam sorvete na lanchonete da esquina”, diz Ademir Medici, jornalista do Diário do Grande ABC, periódico da região.

Além dos cortiços, a Vila São José possui restaurantes paraibanos e, no mês de setembro, há uma festa organizada pela prefeitura com música, dança e comidas típicas da Paraíba. O ponto central da festa é a esquina da Rua Humberto de Campos com a Avenida Armando de Arruda Pereira - local de encontro tradicional dos migrantes nos anos 1960.

Restaurante Na Cozinha

Desde janeiro de 2009, o chef de cozinha paraibano Carlos Ribeiro administra o seu próprio restaurante, o Na Cozinha, no bairro dos Jardins, zona oeste de São Paulo. Apesar de ser conhecido como “casa do picadinho”, é outro prato típico paraibano que enche o coração dele: o rubacão.

“Até mesmo em João Pessoa esqueceram dele. Algumas pessoas ainda fazem em casa e até alguns chefs começaram a prepará-lo depois que colocamos no nosso cardápio aqui em São Paulo, mas ainda é pouco lembrado”, diz ele.

Feito com uma imensa variedade de ingredientes - uma mistura de feijão-verde ou de corda, arroz da terra, carne de charque ou carne sol, nata fresca, creme de leite, temperos variados, leite, queijo de coalho, manteiga de garrafa etc. - ele conta que, sempre que pode, substitui outros pratos mais conhecidos pelo rubacão paraibano.

“Algumas vezes fui cozinhar em jantares fechados, importantes, e preferi preparar o rubacão a um tradicional risoto italiano, por exemplo”, comenta.

O Na Cozinha, apesar de não ter o rótulo de “paraibano”, tem muita influência da infância de Carlos em João Pessoa. Não apenas os ingredientes, que ele diz lembrarem os pratos feitos em casa na capital, mas as receitas, que são releituras daquela época. Quase tudo no cardápio do restaurante tem coentro, pernil assado, carne de sol ou mandioca, além do avental dos garçons, que tem um desenho da Pedra de Ingá, um dos destinos turísticos do estado.

Além de tocar o restaurante, ele também dá aulas de receitas e oferece consultoria a outros estabelecimentos, fora os livros que escreveu e as viagens que faz geralmente pelo Brasil, associando a gastronomia com a cultura nacional. Na imprensa paulistana, é conhecido também por sua militância pela regulamentação da comida de rua na cidade e pelas pesquisas que faz país afora. “A cozinha brasileira é um misto incrível de coisas, mas eu sempre deixei a minha origem paraibana bem clara”, completa.

Centro de Tradições Nordestinas

Ao contrário dos outros dois lugares indicados, o Centro de Tradições Nordestinas de São Paulo é conhecido até mesmo de quem nunca viajou ao Nordeste. Localizado nas margens do Rio Tietê, onde passa uma das vias rodoviárias mais importantes do país, ele é famoso na cidade desde a oferta culinária até os grandes shows organizados regularmente.

Só em outubro e novembro, por exemplo, passarão pelo CTN os cantores Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho e a dupla Zezé di Camargo e Luciano. Nomes como Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Pablo e Fagner também já se apresentaram no centro nos últimos anos. Aos sábados e domingos, a entrada é gratuita e também há diversos shows de forró e ritmos da região.

Além dos shows, o local reúne 10 restaurantes nordestinos, 12 quiosques de bebidas típicas, uma capela católica, um memorial ao Padre Cícero e um grande espaço para a realização de eventos especiais, como o do Dia do Nordestino, o Carnaval e o tradicional São João. “É um lugar que eu venho para lembrar da época em que morava em Coremas”, diz a empregada doméstica Laura Paranhos, referindo-se ao município às margens do açude de mesmo nome.

Já o motorista Jamerson Santos, de São José do Egito, diz que gosta de ir ao CTN para comer. “Tem uma carne de sol aqui que nem na minha cidade eu encontrava. O pessoal é bom mesmo”, finaliza.

 

 

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