quarta, 26 de setembro de 2018
Economia
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Quadrilhas juninas endividadas em João Pessoa

Ellyka Akemy / 24 de junho de 2016
Foto: Rafael Passos
Uma indústria que mobiliza aproximadamente 19 mil pessoas e movimenta R$ 800 mil na economia de João Pessoa. Quem ver a alegria dos integrantes e sente a emoção durante as apresentações das quadrilhas juninas, nem imagina o trabalho e o esforço que os dançarinos, os produtores e a comunidade que esses grupos representam fazem para que as agremiações deem um show no período junino.

As despesas dessa indústria são altas: só o contrato com um trio de forró pé de serra, por exemplo, varia entre R$ 11 mil e R$ 15 mil.

“Para arrecadar parte desse dinheiro, as equipes realizam bingos, organizam festas privadas, fazem pedágio nas ruas, pedem apoio de políticos e patrocínio de empresas privadas”, contou o presidente da Federação das Entidades de Quadrilhas Juninas da Paraíba, Edson Pessoa. Segundo ele, outra parte é financiada pelo Fundo Municipal de Cultura (FMC), administrado pela Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope).

As equipes que se apresentam no Grupo A do Concurso de Quadrilhas Juninas da Capital recebem, cada uma, R$ 15 mil e as do Grupo B, R$ 12 mil. Este ano, a Prefeitura de João Pessoa disponibilizou R$ 354 mil, que foram divididos entre 27 quadrilhas juninas, sendo 10 do Grupo A e 17 do Grupo B. Os dançarinos e produtores são voluntários e, muitas vezes, colocam dinheiro do próprio bolso para cobrir os gastos com a produção.

Por isso, o período de apresentações passa e a maioria das equipes fica com dívidas. O coordenador da Quadrilha Flor de Mandacaru, Ricardo Félix, revelou que os R$ 40 mil que o grupo arrecadou para investir na produção deste ano não foram suficientes para pagar as despesas. O saldo negativo do caixa está em R$ 8 mil. “Nossa esperança são os concursos de quadrilhas juninas que acontecem até o final de julho. Tem que suar a camisa para vencer algum e levar o prêmio em dinheiro”, contou.

A Quadrilha Flor de Mandacaru ainda deve participar de nove competições diferentes. Félix destacou que, quando a equipe não consegue juntar dinheiro das premiações, a saída é fazer empréstimos para pagar as dívidas.

R$ 40 mil

De acordo com a Federação das Entidades de Quadrilhas Juninas da Paraíba, os grupos investem entre R$ 25 mil e R$ 40 mil, por ano, para pagar custos com músicos, costureiras, transporte, compra de tecidos/aviamentos e produção de cenário.

"Só fica nesse ramo quem realmente ama a dança regional, porque é realmente difícil. Falta apoio do poder público. As quadrilhas juninas fazem parte da nossa tradição, então deveria ter mais reconhecimento por partes dos gestores". Ricardo Félix. Coordenador da Quadrilha Flor de Mandacaru.

Investimento de R$ 100 mil em CG

O investimento que as quadrilhas juninas de Campina Grande aplicam em suas produções é ainda maior. Os grupos menores gastam, em média, R$ 40 mil por ano e os maiores chegam a aplicar R$ 100 mil para levarem ao pátio do Maior São João do Mundo apresentações impecáveis. Com isso, as equipes precisam fazer um verdadeiro malabarismo para arrecadar o dinheiro. Como muitas não conseguem levantar o dinheiro todo, quando o São João termina elas ficam com grandes dívidas.

O diretor da Associação das Quadrilhas Juninas de Campina Grande, Lima Filho, contou que nenhum grupo da cidade conta com recursos próprios provenientes de apresentações. Todos dependem do poder público e de atividades extras, como bingo e rifas, para arrecadar o dinheiro das produções. Este ano, a Prefeitura de Campina Grande financiou R$ 12,1 mil para cada quadrilha junina.

“Algumas equipes cobram mensalidade dos dançarinos para aplicar na confecção dos figurinos. Os familiares também acabam contribuindo com certas quantias. Mas boa parte faz bingos, rifas e festas para arrecadar recursos”, explicou Filho. Quando o grupo não consegue o dinheiro completo, geralmente o diretor da quadrilha junina se responsabiliza pelo o restante.

Associação se organiza

Após recente visita à Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a convite do Sebrae da Paraíba, a Associação das Quadrilhas Juninas de Campina Grande desenvolveu o projeto Quadrilhando, que nasceu a partir do intercâmbio de ideias com os cariocas. Uma das formas que as escolas de samba do Rio usam para arrecadar dinheiro a ser aplicado nas produções do Carnaval é cobrando para se apresentarem em eventos.

Ano todo

“Percebemos que, ao invés de sermos contratados, nós poderíamos produzir nossos próprios eventos”, destacou o diretor da Associação das Quadrilhas Juninas de Campina Grande, Lima Filho. Agora, ao longo do ano, todo primeiro sábado do mês tem apresentação de quadrilha junina em Campina Grande, no ginásio do Serviço Social da Indústria (Sesi), do Catolé.

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