quinta, 22 de fevereiro de 2018
Economia
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Preços de remédios variam até 5.436% e provocam dor de cabeça nos consumidores

Ellyka Akemy / 07 de julho de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Em tempos de poder de compra comprometido por causa da inflação, pesquisar o preço de medicamentos deve ser uma tarefa constante do consumidor. É que um estudo do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) revelou que a variação de preço de um mesmo medicamento, com características gerais similares, pode chegar a 5.436%. Esse percentual disparou em relação ao segundo semestre do ano passado, quando a oscilação máxima chegou a 1.937%.

O ICTQ avaliou o preço de 14 medicamentos (genéricos e de referência), em 342 farmácias e drogarias de 16 capitais brasileiras. João Pessoa ficou em destaque em dois rankings: quarto lugar entre as cidades com maior índice de variação de preço do Diclofenaco de potássio Genérico; e quinto lugar entre as capitais com a maior oscilação no custo do Paracetamol Genérico 750mg.

No caso do Diclofenaco de potássio, a variação de preço foi de 650%. O menor valor encontrado do medicamento foi de R$ 2 e o maior R$ 15. Já o preço do Paracetamol variou em 695%, sendo vendido entre R$ 2 e R$ 15,90 na capital paraibana. De acordo com o diretor de pesquisa do ICTQ, Marcos Andrade, essa discrepância na variação de preços dos medicamentos avaliados tem diversas razões.

“Primeiro entra a questão logística. No varejo, alguns estabelecimentos conseguem boas negociações com distribuidores e indústrias, outros estão com produtos perto do prazo de vencimento da validade e alguns, infelizmente, trabalham com produtos sem observar a procedência”, explicou. Andrade acrescentou que outras farmácias não têm muita margem para negociação, em função da infraestrutura que dispõem, dos serviços agregados e prestados na loja e dos impostos que são pagos regularmente, que variam entre os estados.

O diretor de pesquisa do ICTQ ressaltou que o consumidor deve sempre pesquisa e tomar cuidado com a procedência de medicamentos muito baratos. “O cliente deve no mínimo verificar se o estabelecimento está funcionando de forma regular, com a presença de um farmacêutico, porque é esse profissional que assegura, em termos de responsabilidade, a procedência e qualidade do medicamento, seja de qual for a variação de preço”, orientou.

BRASIL

Ao levar em consideração o maior e o menor valor do Paracetamol Genérico 750mg praticado entre as capitais, a variação de preço chega em 5.436%. Neste caso, o preço mais caro do medicamento foi encontrado em Curitiba e o mais barato em Salvador. Outra variação que chamou atenção foi a do antiinflamatório Diclofenaco de potássio Genérico 50mg, que oscilou 3.431% entre as capitais.

Embora alguns farmacêuticos afirmem que o preço do ansiolítico Rivotril 2mg seja tabelado (mesmo valor em todo Brasil), a pesquisa do ICTQ encontrou uma variação de 379% e 588% no preço do medicamento de referência e genérico, respectivamente. Para realizar o estudo, o instituto considerou os medicamentos mais consumidos no Brasil por classe terapêutica: ansiolíticos, antiinflamatórios e analgésicos.

1º Ranking das capitais com maior índice de variação de preço do Diclofenaco de potássio Genérico do Cataflam 50mg (3.431% - índice nacional)

1º Natal: 2.012%

2º Curitiba: 1.525%

3º Vitória: 919%

4º João Pessoa e Porto Alegre: RS 650%

5º Salvador: 584%

2º Ranking das capitais com maior índice de variação de preço do Paracetamol Genérico do Tylenol 750mg

1º Curitiba: 3.868%

2º Recife: 1.573%

3º Belo Horizonte: 1.397%

4º Porto Alegre: 800%

5º João Pessoa: 695%

 

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