segunda, 18 de junho de 2018
Economia
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Preço do feijão deve cair; leite e carne devem subir

Ellyka Akemy / 09 de julho de 2016
Foto: Arquivo
Se o fator climático contribuir, o preço do feijão pode cair em meados de setembro para o consumidor. Mas, em contrapartida, segundo avaliação do Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual (Ideme), os preços do leite e da carne bovina devem continuar subindo e poderão ser os novos vilões da cesta básica do trabalhador.

O coordenador do Departamento de Estudos e Pesquisas do Ideme, Carlos Gonçalo, destacou que o preço do feijão disparou nos últimos meses por questões climáticas. “O Paraná, que é o maior produtor de feijão do Brasil, foi atingido por fortes chuvas no período de pré-colheita e Iracê, na Bahia, segundo maior produtor, sofreu com a seca”, explicou.

Gonçalo acrescentou que esses fatores geraram um desabastecimento do produto em todo Brasil, fazendo com que o preço do alimento disparasse. Em janeiro deste ano, o quilo do feijão custava R$ 6,11 e, em junho, quase dobrou – R$ 10,13, segundo pesquisa do Ideme.

Os consumidores fazem o que podem para se adequar a essa situação, seja reduzindo o número de produtos comprados, ou procurando preços mais acessíveis aos seus orçamentos.

Feijão só na feira

A dona de casa Vicentina Fernandes, que mora no bairro da Torre, passou a comprar feijão no Mercado Central. “Nos supermercados, encontrei até de R$ 13 o quilo. Aqui, o preço está melhor e levo a quantidade que eu quero”, contou. Vicentina comprava mensalmente três quilos de feijão e passou a comprar apenas um, para adequar o orçamento ao aumento dos preços dos alimentos.

O comerciante Antônio Carlos Rodrigues, que tem um box no Mercado Central, afirmou que a alta no preço do feijão fez as vendas caírem em 30%.

“O pessoal ainda compra o feijão que mais gosta, independente do preço, mas acaba levando menos que antes”, contou.

Entressafra será diferencial

O coordenador do Departamento de Estudos e Pesquisas do Ideme, Carlos Gonçalo, revelou que a entressafra do leite pasteurizado vai começar e a tendência é que o preço do litro do produto aumente nos próximos meses. Em junho, o preço subiu 4,98% em relação a maio. “Em setembro, o rebanho sofre bastante com o período de estiagem das regiões que são bacias leiteiras do país, e isso impacta na baixa da produção de leite”, explicou.

O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz, complementou que o quilo da carne bovina também sofrerá aumento nos próximos meses em consequência do mesmo motivo. “O gado não encontra pastagem e os pecuaristas são obrigados a comprar ração. Tudo isso é custo para a produção e acaba contribuindo para a elevação ao consumidor final”, explicou.

E não adianta comprar frango para tentar economizar. Segundo Braz, a ração da ave, feita a base de soja e milho, também aumentou, e isso irá impactar no preço final do quilo do frango, que também deverá ficar mais caro nos próximos meses.

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