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Paraíba desperdiça 650 toneladas de alimentos ao ano

Érico Fabres / 03 de agosto de 2015
Foto: Nalva Figueiredo
Em relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas – ONU, o desperdício de alimento no Brasil é estimado em 26,3 milhões de toneladas ao ano. Cerca 10% da perda acontece na fase de consumo. Uma estimativa na comparação com a perda mundial, a Paraíba seria responsável por 650 mil toneladas de alimentos (0,05% do total). Em João Pessoa, existem 1,7 mil estabelecimentos que lidam com alimentos, com uma perda diária mínima de dois quilos, segundo o Sindicato dos Hotéis Restaurantes Bares e Similares (SHRBS) em João Pessoa, o suficiente para fornecer um almoço ou janta 6,8 mil pessoas.

Somente nos restaurantes, cujo preço médio do quilo é de R$ 25, há uma perda de R$ 250 a R$ 300 por semana, que acabam no lixo ou são utilizados para alimentar animais.

A ONU estima que 870 milhões de pessoas passem fome no mundo e, a cada dia, mais de 20 mil crianças menores de cinco anos morrem por falta de alimentação, sendo que 26% delas são consideradas raquíticas. Os custos com a desnutrição são estimados em 2% a 3% do PIB global, o equivalente à quantia de US$ 1,4 a US$ 2,1 trilhões por ano, segundo a FAO. Desde 2009 foram quase 1,6 mil mortes na Paraíba, sendo 105 em 2015.

Uma Pesquisa de Orçamento Familiar (POF 2008) no Estado mostrou que 31,8% das famílias pesquisadas afirmaram que a quantidade de alimentos consumidos no domicílio às vezes não era suficiente e mais de 7% que não era suficiente regularmente.

De acordo com Graco Parente, 3,4 toneladas é o desperdício mínimo diário dos estabelecimentos que lidam com alimentos na Grande João Pessoa, mas em alguns lugares, que servem almoço e janta, pode dobrar os dois quilos.

“Além de ter a questão de almoço e janta, existe também o fato de restaurantes maiores possuírem um desperdício maior, chegando até dez quilos”, revela. A Vigilância Sanitária afirma que até permite doações, desde que alimentos fiquem acondicionados. Quando sai do Buffet, tempo é de 30 minutos para consumo, por isso os restaurantes pararam de doar.

A perda mensal mínima em João pessoa chega a 150 toneladas, podendo alimentar 300 mil pessoas ao mês (ou dez mil pessoas por dia em 30 dias), cerca de 75% da população de Campina Grande e quase 40% da população da própria capital. “Antigamente muitos locais realizavam doações, mantinham em condições de consumo, porém as pessoas que pegavam os alimentos não a consumiam dentro do prazo, o que causava mal estar nas pessoas e acabava resultando em multa, por isso a maioria aboliu a prática”, diz Parente.

De acordo com o presidente, o tempo de exposição em um buffet é o que duram os alimentos, não permitindo que eles sejam congelados para servir novamente.

Doação semanal a porcos

Entre cascas e sobras, cerca de 50 quilos (um tonel) de alimentos são dados aos porcos por semana em função das exigências da Vigilância Sanitária em um restaurante do Centro da cidade. “Antigamente eram dois tonéis, logo no início aqui, mas em razão do grande desperdício, fizemos um controle e agora somente preparamos comida para a quantidade esperada de pessoas, se acabar, acabou”, conta o proprietário, Edson Gama da Silva.

Com 150 refeições ao dia, a cota só aumenta com reservas para que o tempo de desperdício ainda maior aumente. “Antigamente o que sobrava ia tudo para o lixo, mas um dia estava no Mercado Central e uma pessoa me perguntou o que eu fazia com as sobras, falei que ia para o lixo e ele perguntou se poderia pegar para dar aos porcos, concordei e até hoje ele busca”, diz.

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