quarta, 21 de fevereiro de 2018
Economia
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Moedas digitais ganham mercado e podem se armazenadas no próprio computador

Celina Modesto / 10 de dezembro de 2017
Foto: Ilustração
Imagine uma moeda que não tem forma física, não é emitida por país algum, mas sua transferência digital é perfeitamente possível e pode até mesmo comprar. Na verdade, não precisa imaginar. As moedas digitais já existem e têm seu grande expoente no Bitcoin, que na última quinta-feira, quando a matéria foi fechada, atingiu a cotação de US$ 15 mil dólares (R$ 49,3 mil). Podendo ficar armazenada no próprio computador ou num pen drive, por exemplo, agora a questão que fica é: qual será o futuro das moedas físicas e até do sistema financeiro como o conhecemos?

De acordo com explicação do professor de Economia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Alysson Cabral, existem mais de 1,3 mil moedas digitais, sendo que as principais são Bitcoin, Ethereun, Ripple e Dash. “A moeda digital é um programa de computador que gera (cria) os valores e pode ser utilizada para pagamentos e transferências. Basta encontrar interessados na outra ponta. Existem algumas (moedas) brasileiras, mas pouco conhecidas. São também conhecidas como criptomoedas porque utilizam criptografia”, afirmou.

“Não há garantia de nada. A tecnologia utilizada é o blockchain, considerada segura e rastreável, o que em tese garante a segurança das transações. Vários bancos do mundo estudam adotar a tecnologia (não a moeda), inclusive bancos brasileiros”, afirmou Cabral.

Um dos fatores de risco da moeda digital, a exemplo do Bitcoin, de acordo com o professor do Departamento de Finanças e Contabilidade da UFPB, Felipe Pontes, é porque não gera caixa. “Ativos geradores de caixa ‘criam’ dinheiro, mesmo sem que se precise vende-lo. Por exemplo, se você compra ações de uma empresa e ela paga dividendos (distribuição do lucro da empresa para os seus investidores/acionistas), gerou caixa sem ter que realizar o ganho de capital com a valorização da ação. Ou seja, você continua com a ação em sua carteira de investimentos e ainda ganhou alguns reais com a distribuição dos dividendos. O Bitcoin não gera esse caixa. Para ganhar dinheiro, você precisa esperar que ele valorize, para poder vender”, explicou.

Planilha. O integrante do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Sul (Corecon-RS), Guilherme Stein, explicou que a melhor maneira de se pensar no Bitcoin, ou numa moeda digital, é como se ela fosse uma planilha. “Uma espécie de livro-razão. Uma planilha de Bitcoin traz informações como de onde veio a moeda, o código de quem a enviou, a quantidade de moedas e para quem foi enviado. A planilha é pública e fica na nuvem, sendo auditada por diversos lugares do mundo diariamente. Com a auditoria e a tecnologia da criptografia, o Bitcoin se torna seguro”, esclareceu.

Autoria ainda é um mistério

O Bitcoin existe desde 2008, mas sua história é envolta em mistério. “Foi criada por ‘Satoshi Sakamoto’, que ninguém sabe se é um nome verdadeiro ou algum pseudônimo. Para comprar ou vender Bitcoins, é preciso que o interessado tenha uma conta em uma Exchange, uma espécie de bolsa de valores, e transfira os seus reais para efetuar a operação de compra. No Brasil, desde 2014, já temos até caixas eletrônicos para sacar e comprar Bitcoins em valores equivalentes aos nossos reais”, explicou o professor Felipe Pontes.

Além disso, o Bitcoin também é negociado em casas de câmbio e corretoras ou diretamente com quem detém uma carteira da moeda.

O Bitcoin também pode ser adquirido “minerando”. “Ou seja, disponibilizando seu computador para que as transações sejam processadas, o que consome muita eletricidade e capacidade de processamento, mas gera ‘receita’. Recentemente, se descobriu páginas da internet e aplicativos que capturavam os equipamentos dos usuários para ‘mineração’”, disse Cabral. Embora as transações possam ser consideradas seguras, já que contam com padrões de alto nível de segurança, existem os riscos envolvidos, inclusive de invasão de hackers.

“Existem também formas ilegais de obter Bitcoins, como hackear computadores para roubar a carteira, já que muitos guardam a ‘moeda’ no próprio computador, ou as chaves criptográficas para ter acesso a carteira virtual guardada em uma corretora”, afirmou o professor.

Negociações de contratos futuros

Hoje será realizada pela primeira vez uma negociação de contratos futuros, ou derivativos, envolvendo o Bitcoin. Tais contratos são referentes a negociações nos quais um investidor assume o compromisso de comprar ou vender um ativo por um valor pré-determinado em uma data futura. O objetivo desse tipo de contrato é proteger o investidor de oscilações de preço ou especulações. Os fãs da moeda digital encaram essa negociação como primeiro passo rumo à legitimidade do Bitcoin.Hoje será realizada pela primeira vez uma negociação de contratos futuros, ou derivativos, envolvendo o Bitcoin. Tais contratos são referentes a negociações nos quais um investidor assume o compromisso de comprar ou vender um ativo por um valor pré-determinado em uma data futura. O objetivo desse tipo de contrato é proteger o investidor de oscilações de preço ou especulações. Os fãs da moeda digital encaram essa negociação como primeiro passo rumo à legitimidade do Bitcoin.O primeiro contrato futuro de Bitcoin vai ser negociado às 21h de hoje, horário de Brasília, na bolsa de Chicago, a Cboe Global Markets. Em uma semana, será a vez da CME, do CME Group. De acordo com a agência Reuters, a Nasdaq anunciou que tem planos para abrir seu contrato no ano que vem. No entanto, especialistas veem a rápida ascensão da moeda digital com bastante ceticismo. As bolhas financeiras representam um problema mesmo para quem não realizou investimentos. “Quando estouram, provocam prejuízos para muitos que termina contaminando a economia real. Se as pessoas se endividaram para entrar nessa corrida maluca, de repente, se veem endividadas e sem condições de honrar os compromissos, atingindo o sistema financeiro tradicional, obrigando os governos a socorrerem os bancos. Endividadas, as pessoas reduzem a demanda por bens e serviços da economia real, provocando crise econômica, com falência de empresas e desemprego, o que agrava ainda mais a situação da economia real”, afirmou o professor Alysson Cabral.

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