sexta, 25 de maio de 2018
Economia
Compartilhar:

Made in PB: Estado vira pólo de produção de games

Rammom Monte / 24 de junho de 2016
Foto: Divulgação/Narsvera e Brasil Game Show
Foi-se o tempo que os jogos eletrônicos eram produzidos quase que exclusivamente no exterior, principalmente nos Estados Unidos, Japão e Canadá. Atualmente, os horizontes estão se expandindo e atingindo os locais mais inesperados. E é exatamente neste contexto em que se insere a Paraíba. O Estado é atualmente um dos grandes pólos de produção de jogos independentes (onde não uma grande produtora por trás) do país, tendo Campina Grande como o centro disto tudo. Para o produtor Rubem Medeiros, fundador do estúdio paraibano Narsvera, em pouco tempo a Paraíba deve ser tornar um dos expoentes na produção de games em todo o Nordeste.

“No Brasil, esse segmento vem crescendo constantemente e proporcionalmente acho que até um pouco mais do que no restante do país. Porque aqui temos cursos específicos da área, formando muita gente boa. Estimo que daqui uns cinco anos a Paraíba vai ser um dos principais pólos do Nordeste”, disse.

A Narsvera está produzindo o game “Lampião Verde – A maldição da botija”. O jogo já está em estágio final e no próximo mês já deverá ser lançado uma versão demo. A estimativa é que a versão final seja apresentada ao público em setembro. O jogo se passa nas profundezas do Sertão nordestino. O personagem principal é um cangaceiro morimbundo com superpoderes que enfrenta os perigos e as armadilhas em busca de uma botija mal-assombrada. Ainda em setembro, o estúdio irá ter um stand na feira Brasil Game Show, que acontece dos dia 1 a 5 daquele mês em São Paulo. O evento é um dos principais da América Latina no segmento. Para Rubem, participar desta feira é um privilégio.

“A gente já havia ido no ano passado. Levou o jogo, apresentou ao pessoal. Mas fomos com um grupo de desenvolvedores em um estande do SEBRAE, fizemos contato e colhemos feedback. Mas este ano vai ter um estande só da Narsvera . Eu acho que lá estão todas as empresas do Brasil, conversar com eles de igual para igual, isso é algo muito importante para a Paraíba”, explicou.caboclos-2

Ajuda alheia para desenvolver o jogo

Segundo Rubem, o custo estimado para produzir o jogo girou em torno de R$ 300 mil (bem diferente das centenas de milhões dos games das grandes produtoras). Porém, parte deste valor veio de financiadores individuais. Através de um financiamento coletivo na internet, a produtora conseguiu angariar a quantia de R$ 36 mil. O restante saiu de recursos próprios e investidores.

E os esforços começam a dar frutos. Rubem revelou que já há uma conversa com a empresa americana Microsoft para que o game fique disponível para o Xbox One, console da empresa norte-americana.12314739-1082208221812260-6478482562569758140-o1

Nova área em expansão

O fundador e CEO da Brasil Game Show, Marcelo Tavares, analisou a atual situação do mercado de jogos independentes no Brasil. Segundo ele, esta é uma área em completa expansão no país. E um dos “culpados” por isto são os cursos específicos da área, além da popularização da internet.

“Brasileiro é apaixonado por esta área e a gente sentia uma carência do desenvolvimento local. Agora há vários cursos de graduação, extensão, voltados para áreas de games, e essa massa de produtores, de talentos, esse volume de profissionais, conseguem amadurecer. O Brasil conseguiu pegar carona nessa onda mundial, a gente tem uma gama de opções para o produtor conseguir comercializar os seus games, a gente vê o reflexo agora”, explicou.

Segundo ele, esse “boom” se reflete na própria Brasil Game Show. No ano passado, eram 36 estandes voltados para jogos independentes, já neste ano serão 108, um crescimento de 300%, contrariando a tão falada crise financeira que assola o país.

Em relação à internet, Marcelo explica que o fato de não precisar haver mais uma mídia física para distribuir os jogos. Agora, através de downloads, os usuários têm acessos a estes jogos, o que faz com que cresça cada vez mais o número de jogadores destes games.

Outra coisa que também melhorou nos últimos anos, segundo Marcelo, foi a visão das pessoas em relação ao mercado de games. Para ele, não existe mais aquele pensamento de que jogos são para crianças e jovens.

“Diminuiu bastante isto. Trabalho desde 2002 com isto, mas sou usuário desde os sete anos. A gente via este tipo de imagem, mas isso mudou nos últimos oito anos. É um mercado que movimenta, emprega muita gente, é um segmento de entretenimento como qualquer outro. Como você baixa um joguinho para jogar no seu celular, você pode até achar que não, mas você é um gamer sim. Passa a fazer parte deste universo”, explicou.

O que é a Brasil Game Show

A Brasil Game Show é a maior feira de jogos eletrônicos da América Latina (300 mil visitantes em 2015) e tem sido uma catalisadora desse processo.  Segundo Marcelo, o evento é voltado para o público em geral, seja você um produtor ou apenas um jogador.

“Foram 300 mil pessoas nos cinco dias de evento. É um evento que une toda a cadeia de consoles, de games, atraindo um publico cada vez mais diversificado. Reúne todos os lançamentos da região, principais campeonatos, presença de celebridades do meio, 180 marcas com espaço no evento. É voltado para o público geral, com seus lançamentos apresentado em primeira mão para  o mercado brasileiro. Grande varejistas fazem ações diferenciadas no evento, mudando preços e outras coisas”, finalizou.10838687376_39d3f5d7e6_b

Relacionadas