quarta, 21 de fevereiro de 2018
Economia
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Jovens preferem tocar seu próprio negócio e não têm medo da crise

Érico Fabres / 01 de Maio de 2016
Foto: Rafael Passos
Os jovens empreendedores estão fazendo valer o ditado que diz que eles são o futuro da nação. Segundo uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), seis em cada dez (60%) empreendedores com idade entre 18 e 34 anos não aceitariam trocar a atividade que desempenham em suas empresas por um emprego formal que pagasse um salário compatível com o mercado, somado aos demais benefícios previstos pela CLT.

Nem mesmo o longo período de dificuldades enfrentado pela economia brasileira, a insatisfação recorde dos empresários com a situação financeira e com as margens de lucro fazem com que eles desistam. Para muitos, a persistência têm dado certo.

O coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina (FASM), Reginaldo Gonçalves, alerta que a crise vivenciada nos últimos anos fez florescer o desejo e o espírito empreendedor de parte da população, principalmente pelo grande índice de desemprego que assola o País e a necessidade de sobrevivência. E a grande maioria dos que desejam enfrentar o desafio e remar contra a maré são os jovens.

Ainda segundo a pesquisa, outros 23% dos entrevistados até aceitariam a proposta, mas tentariam conciliar o novo emprego com a sua empresa e apenas 3,7% concordariam em abandonar a vida de empresário para virar um trabalhador assalariado. Também de acordo com o levantamento, 81,1% dos entrevistados não possuem um trabalho paralelo, ao passo que 8,9% têm um emprego formal e 5,4% trabalham de modo informal para outra empresa.

Instabilidade econômica

Conforme Reginaldo Gonçalves, para sair e driblar a crise, muitas pessoas estão buscando no empreendedorismo, alternativas para a geração de receita. Muito disso se deve à instabilidade econômica e política e o crescente desemprego que têm flagelado o Brasil, gerando insegurança por parte dos trabalhadores, mesmo os que estão empregados. Segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 10,2% dos trabalhadores estão fora do Mercado.

Em termos nominais, são 10,4 milhões de pessoas desempregadas. Conforme afirma o contabilista, a sobrevivência da empresa, além da atitude empreendedora, depende de regras que, muitas vezes, são abandonadas nos momentos de crise, em virtude do imediatismo, fazendo com que o negócio padeça.

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Não abre mão do negócio

A administradora Priscilla Souto, 25 anos, durante a faculdade, já almejava empreender, tanto que realizou cursos no Sebrae para isso. Quando concluiu, entrou em contato com o proprietário da Cabanna Móveis, hoje localizada na BR-230, em frente à Mata do Amém, e mais outro investidor para alavancar o empreendimento e ampliar o negócio, que na ocasião somente importava.

A aceitação dos produtos e a criação da fábrica, além de um preço razoável, fizeram com que alcançasse um patamar onde o negócio fosse considerado imprescindível a ela, tanto que nem mesmo a mudança dela para São Paulo há alguns dias fez com que desistisse da parceria criada.

Já o barbeiro Felipe Alves Pereira, 25 anos, iniciou o seu empreendimento na informalidade. Quando percebeu o potencial, inscreveu-se para ser um Micro Empreendedor Individual (MEI) e então surgiu a Sevilha Barbearia.

Os negócios foram tão bem que nem mesmo a loja em Mandacaru bastou, teve que ampliar o empreendimento, contratar funcionários e abrir um novo local, na Edson Ramalho, bem mais amplo, para poder atender a quantidade de clientes que o endereço antigo, ainda em funcionamento, não suportava mais.

Dispensa emprego

Até mesmo entre os empreendedores que mantém outras atividades profissionais, há um explícito desejo de dedicar-se exclusivamente ao próprio negócio. A pesquisa revela que seis em cada dez (60%) jovens empreendedores que exercem uma profissão paralela querem o desligamento de seus empregos para se dedicar de modo integral aos negócios.

Outro dado da pesquisa mostra que 10,7% das empresas comandadas por jovens empreendedores não sobrevivem de maneira independente e ainda precisam de aportes financeiros de outras fontes como sócios, amigos, ou investimentos pessoais para se manter em atividade.

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