terça, 25 de setembro de 2018
Economia
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Ferrovias estão abandonadas há 20 anos e podem fazer economia parar

Érico Fabres / 17 de julho de 2016
Foto: Rafael Passos
A Paraíba abandonou as ferrovias de vez em 2011, quando restaram em funcionamento apenas a malha ferroviária dos trens de passageiros da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e a parte de Itabaiana até Campina Grande e que vai até Recife. Com isso, o transporte rodoviário foi priorizado tanto para cargas quanto para o transporte de passageiros. Mas essa mudança pode custar caro em alguns anos e fazer a economia paraibana estagnar.

De acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep), Francisco Buega Gadelha, quando todo o Pólo Cimenteiro do Estado estiver em funcionamento, estarão envolvidos no transporte de material cerca de 1,4 mil caminhões, o que tornará o trânsito em alguns trechos das rodovias praticamente impossível.

Em 1997, a Transnordestina Logística S/A, antiga Companhia Ferroviária do Nordeste - CFN, obteve a concessão da Malha Nordeste, que um dia foi da Rede Ferroviária Federal (RFFSA).

A empresa, que tem a concessão de 4.238 km de ferrovias em sete dos nove estados do Nordeste, iniciou a operação dos serviços públicos de transporte ferroviário de cargas em 1998, dando prioridade o abastecimento dos portos de Suape (PE), Pecém (CE) e Itaqui (MA).

Aumento de até 20% em Cabedelo

De acordo com Gilmara Temóteo, presidente da Companhia das Docas da Paraíba, uma possível reativação da malha ferroviária seria de grande valia para o Porto de Cabedelo, que poderia ter seu movimento aumentado em entre 10% e 20%. “O porto movimenta cerca de 80 a 100 mil toneladas/mês, são cerca de 150 caminhões/dia. Nós temos uma malha ferroviária ali próximo que seria muito interessante ser reativada, temos cargas pesadas como granito, minérios, que facilitaria muito mais o transporte. Facilitaria o escoamento das cargas, traria um menor custo nas operações e preservaria as estradas”.

Gilmara Temóteo afirmou que a demanda existe e, aumentaria, já que o Porto está em processo de dragagem para aumento do calado e possibilitaria um aporte maior de navios.

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Fundamental para as indústrias

Se a necessidade do sistema de trens é essencial para a indústria, segundo Buega Gadelha, presidente da Fiep-PB, principalmente na fronteira com o Ceará, para facilitar a entrada de insumos e matérias primas e também para desobstruir as rodovias que vão para Recife - nenhuma delas está no projeto da Transnordestina -, que não beneficia a Paraíba em nenhum ponto.

“Com a Rede integrada de Desenvolvimento, o Pólo Cimenteiro, que será o segundo maior do Brasil, teremos uma quantidade muito grande de caminhões na estrada, o que prejudicará as rodovias, aumentará riscos de acidentes e também encarece o custo do transporte”, conta. Estima-se que os gastos sejam 70% menores com os trens.

Um trem com 40 vagões pode carregar o equivalente ao que levam 120 caminhões, que exigem pelo menos 120 motoristas, enquanto na locomotiva são poucos, fora gastos com combustível, pedágios e o próprio frete. A economia seria muito grande, o que possibilitaria preços mais acessíveis ao consumidor final ou um congelamento em casos de recessão, como a que atinge o Brasil atualmente, diz Gadelha.

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