segunda, 18 de junho de 2018
Economia
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Fantasma do desemprego assusta e faz pessoas esquecerem lazer

Érico Fabres / 17 de abril de 2016
Foto: Rafael Passos
Mesmo quem tem estabilidade no emprego receia ser demitido, temor que muitas vezes se transforma em doença com afastamentos. O Brasil fechou o ano passado com um saldo 1,5 milhão de desempregados. Com isso, perder o trabalho (quem ainda tem um) é o que mais preocupa os consumidores (57%), seguido da inflação (23%), da diminuição da renda (11%) e da redução das linhas de crédito (9%). Para a psicóloga Mayara Almeida, o medo, sendo uma emoção, pode gerar diversas reações e, tratando-se do receio do desemprego, causa inúmeras mudanças na dinâmica familiar, podendo adoecer um ou mais membros, gerando condições físicas e emocionais frágeis, como a síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada e depressão. Em 2013, foram 858 afastamentos no Brasil por causas de depressão ou transtornos de ansiedade e 909 em 2014.

As constatações são da Pesquisa Hábitos de Consumo – realizada no início do mês em função do Dia Mundial do Consumidor 2016 realizada pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), em todo o Brasil, de 2 a 23 de fevereiro.

De acordo com IBGE, 166 mil pessoas com mais de 14 anos estavam desocupadas nos últimos três meses de 2015 em todo o Estado, a maior taxa nos últimos quatro anos. A psicóloga ainda acredita que pode ocorrer uma considerável mudança na rotina em épocas de crise econômica, podendo intensificar o medo do desemprego e a ansiedade pode vir a ocupar um nível extremo, pois a angústia diante da insegurança pode vir antecipadamente e paralisar, ou limitar o dia-a-dia comum.

Nem estabilidade gera tranquilidade

Para José Mulato Alves, 33 anos, nem mesmo a estabilidade de três anos no emprego no comércio de João Pessoa traz sossego a ele. Ele conta que da última vez que esteve desempregado, sua rescisão foi toda para quitar dívidas, mas quando consegui um novo trabalho, o atual, voltou a gastar e novamente se endividou.

No ano passado, no ápice da crise econômica, percebeu que se não tomasse alguma atitude, as contas a pagar se tornariam uma bola de neve e entraria e ficaria inadimplente. Cortou a ‘cervejinha’, seu pior desgosto, e quase todos os tipos de lazer (exceto os gratuitos).

Já o vigilante Jailton Sousa e Silva, 34 anos, que trabalha como terceirizado, o medo é ainda maior.

Para o operador de telemarketing Thiago Dantas Medeiros, 24 anos, que ficou quatro meses na espera de conseguir um emprego, o temor é uma rotina, já que a rotatividade no setor é muito grande.

“No caso do telemarketing é muita ilusão de contratações, anunciam muitas vagas porque demitem muito também, então é mais rotatividade de que saldo de empregos gerados”, diz.

Principal causa da inadimplência

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O desemprego disparou como principal causa da inadimplência dos brasileiros, segundo a pesquisa nacional Perfil do Consumidor Inadimplente, realizada pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), referente ao primeiro trimestre de 2016.

De acordo com o levantamento, 41% dos entrevistados não conseguiram pagar as contas em dia em consequência indireta do desemprego, já que os salários não são reajustados e a inflação torna tudo mais caro, o que não permite pagar todas as contas. Alessandra de Sousa Pessoa, 36 anos, trabalhava como agente financeira, mas saiu recentemente do emprego para depender de si mesma, tornando-se autônoma.

Ainda segundo a pesquisa, o desemprego tem afetado a inadimplência principalmente para as famílias que ganham até três e entre três a dez salários mínimos, com 49% e 34% das menções, impossibilitando-as de efetuarem o pagamento de suas contas regularmente. No ano passado, esses percentuais eram de 41% e 30%, respectivamente.

Queda

A pesquisa da Boa Vista SCPC mostra também que a percepção de “recebimentos versus gastos” caiu 11 pontos percentuais no primeiro trimestre de 2016, de 44% para 33% das menções, enquanto aumentou a fatia dos que consideram que a relação entre recebimentos e gastos piorou, passando de 26% para 38%.

Sem intenção de comprar

Ainda de acordo com o levantamento, a situação econômica está deixando o consumidor retraído: 74% dos entrevistados não pretendem fazer novas compras nos próximos meses, tão logo consigam quitar as dívidas que causaram a restrição. Entre os que pretendem voltar às compras depois de saldados seus compromissos, a compra de um carro zero km continua a ser o “sonho de consumo”, com 43% dos respondentes, três pontos percentuais acima em relação ao ano anterior. A compra de imóveis surge em segundo lugar, mesmo diminuindo a intenção de 23% para 18% das menções.

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