segunda, 24 de setembro de 2018
Economia
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Especialistas alertam sobre uso do FGTS como garantia para o crédito consignado

Ellyka Akemy / 22 de julho de 2016
Foto: Divulgação
Conforme anúncio da Caixa Econômica Federal (CEF), agente operador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a regulamentação sobre o uso do FGTS na contratação de empréstimo consignado só deverá sair em setembro deste ano. No entanto, órgãos de defesa do consumidor e especialistas da área econômica e financeira alertam que este tipo de crédito pode acelerar ainda mais o endividamento do trabalhador.

A assessoria de imprensa da CEF informou ontem que o Conselho Curador do FGTS ainda não definiu o número máximo de parcelas e as taxas de juros que serão cobrados pelas instituições nas operações de crédito consignado.

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) avaliou o uso do FGTS na contratação de empréstimo consignado como um retrocesso que complicará ainda mais a situação do consumidor, principalmente aquele que já está endividado. "Incentivo ao endividamento para acelerar a economia não é a saída, é uma armadilha, pois o FGTS é uma das únicas reservas financeiras dos trabalhadores para situações como desemprego", afirmou a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci.

O economista Celso Mangueira destacou que, embora o governo ainda não tenha anunciado como será na prática o acesso a este tipo de crédito, certamente os trabalhadores passarão a ser mais “assediados” pelas instituições financeiras para que contratem o serviço, assim como acontece hoje com os aposentados e pensionistas. “Mesmo que o rendimento do FGTS seja o menor do mercado, ele ainda é uma reserva financeira segura para o trabalhador. Mexer nesse dinheiro no presente vai comprometer a renda do beneficiário quando ele mais precisar”, afirmou Mangueira.

O educador financeiro Reinaldo Domingos também comentou que essa ferramenta de obtenção de crédito poderá aumentar os já altos índices de endividamento da população. “O FGTS funciona como uma poupança forçada. Então, não vejo com bons olhos o uso dos recursos para a amortização de dívidas ou garantir empréstimos”, ressaltou.

“Infelizmente, hoje se vive um momento em que se pensa muito no consumo imediato, deixando de lado projeções da importância de poupar para uma aposentadoria, por exemplo”, acrescentou Domingos. Os especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o trabalhador deve enxergar o FGTS como um investimento de longo prazo, ainda que seu rendimento seja o mais baixo do mercado.

“Por anos tivemos uma banalização do crédito e, como resultado, os brasileiros estão batendo recordes de inadimplência, por isso, muito cuidado! É importante que os trabalhadores tenham consciência na hora de utilizar essa linha de crédito”, ressaltou Domingos.

O que se sabe até agora sobre o uso do FGTS na contratação de empréstimo consignado?

De acordo com a Lei nº 13.313, ao contratar o empréstimo o consignado, o trabalhador pode optar como garantia 10% do saldo do FGTS ou até 100% da multa rescisória paga pelo empregador no momento da demissão. O governo pretende estimular o crédito e, em janeiro, estimou que até R$ 17 bilhões poderão ser emprestados a quem quiser fazer consignado usando o FGTS como garantia após a aprovação da medida. Caso fique inadimplente, o fundo cobrirá.

Dicas do educador financeiro Reinaldo Domingos sobre o assunto:

- Antes de tomar qualquer crédito, é importante conhecer a sua real situação financeira, ou seja, fazer um diagnóstico financeiro, descobrindo para onde vai cada centavo do seu dinheiro durante o mês, registrando também as dívidas, caso existam;

- Antes de buscar pelo crédito consignado, é importante tomar consciência que o custo de vida deverá ser reduzido em até 35%, isto porque a prestação desse empréstimo será retirada diretamente de seu salário ou benefício de aposentadoria;

- É comum o empréstimo do nome a terceiros por parte de aposentados e até mesmo funcionários, mas este procedimento é prejudicial a todos, por isso não deve ser feito.

 

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