quarta, 21 de fevereiro de 2018
Economia
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Crise obriga 85% a ajustar orçamento familiar

Redação com assessoria / 12 de Abril de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Deixar o carro na garagem, reduzir os passeios em família e usar cartão de crédito só em última instância. As mudanças de hábitos adotadas pela família do advogado Ricardo Fernandes e da servidora pública Lucilene Agostino nós já contamos aqui mesmo no Correio Online. Só que agora esse corte nas despesas para ajustar o orçamento foi comprovado em pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Segundo o levantamento feito em todas as capitais e em cidades do interior, 85,9% dos brasileiros se viram obrigados a ajustar o orçamento doméstico para se defender dos efeitos da crise. Em virtude do agravamento da situação econômica do país, 87,0% dos entrevistados admitiram que agora estão dedicando mais tempo para pesquisar preços e 80,5% estão evitando comprometer sua renda com compras de calçados e roupas. O estudo ainda revela que 44,3% dos entrevistados estão com as finanças descontroladas

A lista de restrições em meio à turbulência financeira é extensa: há os que agora evitam comprar produtos e serviços com os quais sempre estiveram acostumados (79,1%); os que passaram a optar por produtos de marcas mais baratas (76,9%) e os que deixaram de viajar (75,5%) e de sair com os amigos para bares e restaurantes (71,3%). Gastos com produtos de beleza (56,8%) e serviços como internet e celular (30,7%) e TV por assinatura (28,9%) também foram alvos de cortes, mas em menor proporção que os demais. Para completar a lista, 25,9% dos entrevistados deixaram de ir à academia e 25,1% tiveram de abandonar cursos de idioma, escolas particulares ou faculdades.

“O impasse verificado desde o início do ano passado contribuiu para a forte e rápida deterioração da economia. O ajuste fiscal proposto há pouco mais de um ano não foi levado a cabo, dificultando a aprovação de medidas que atacassem os problemas econômicos. Isso derrubou de vez a confiança dos empresários e consumidores. Superada a crise, será preciso avançar numa agenda de reformas e de medidas econômicas”. Honório Pinheiro, presidente da CNDL.

Maior temor dos brasileiros é não conseguir pagar as contas

O maior temor do brasileiro com relação a 2016 é não conseguir pagar suas contas básicas, apontado por quase metade (48,2%) da amostra. Outros receios são o de o país não superar a crise (41,1%), ter de pagar mais impostos (38,4%), não conseguir honrar o pagamento de suas dívidas (34,9%) e ficar desempregado (32%).

Além do rearranjo das finanças e do corte de despesas, para não ficar no vermelho, o brasileiro também têm recorrido ao aumento de sua fonte de renda. Segundo o levantamento, 41,7% dos entrevistados que estão empregados disseram estar fazendo ‘bicos’ ou trabalhos extras para complementar o salário. O percentual é mais expressivo entre os jovens de 18 a 34 anos (49,5%) e membros das classes C, D e E (47%). Dentre os entrevistados que não estão trabalhando, o percentual de quem admite ter começado a fazer bicos para sobreviver em meio a crise é ainda maior e chega a 55% da amostra.

Quatro em dez convivem com desemprego dentro de casa

A escalada do desemprego tem atingido cada vez mais pessoas. Quatro em cada dez brasileiros (42,2%) têm algum familiar desempregado dentro da própria casa e 76,3% conhecem alguém que foi demitido nos últimos seis meses ou que tiveram de encerrar as atividades do seu negócio. E as perspectivas não são boas, pois para 82,7%, o desemprego seguirá aumentando em 2016. Mais de um terço (37%) dos entrevistados que atualmente estão trabalhando admitem não se sentir seguros em seus postos de trabalho.

Uma constatação do estudo que mostra os efeitos da crise sobre o brasileiro é que seis em cada dez (58%) entrevistados avaliam que a sua situação financeira piorou em 2016 na comparação com o ano passado. A percepção de piora nas condições do próprio bolso é ainda mais notada entre as pessoas acima de 55 anos (67,8%). Para 34% dos entrevistados a situação permanece a mesma que no ano passado e apenas 6,4% relataram ter percebido uma melhora.

“O risco de perder o emprego e a baixa perspectiva de recolocação exerce forte influência sobre a confiança do consumidor, alimentando a queda do consumo e do próprio emprego num ciclo vicioso para a economia”. Roque Pellizaro Junior, presidente do SPC Brasil.

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