quinta, 19 de outubro de 2017
Economia
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Desperdício encolhe e encarece alimentos na Empasa

Érico Fabres / 27 de julho de 2015
Foto: Assuero Lima
A Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas – Empasa, com suas três Ceasas (João Pessoa, Campina Grande e Patos), registrou 90 mil toneladas não comercializadas, sendo apenas 21 mil toneladas aproveitadas para serem transformados em adubo orgânico, enquanto as outras 69 mil toneladas vão para o aterro sanitário (5,7 mil toneladas ao mês), segundo o seu presidente, José Tavares Sobrinho. As partes deterioradas dos produtos fazem com que haja uma redução em um mol de coentro ou no tamanho de um pé de alface e impede com que o tomate, apenas alguns exemplos, possa ter seu valor de venda reduzido.

De acordo com a Organização das Nações Unidas - ONU, todos os anos, no mundo, um terço de toda a comida produzida pelo sistema agrícola global está sendo perdida, segundo pesquisa realizada pelo World Resources Institute (WRI) em parceria com o Programa Ambiental das Nações Unidas (Pnuma). O desperdício de alimento no Brasil é estimado em 26,3 milhões de toneladas. Cerca de 10% desse total se perde ainda no campo, outros 50% se dá no transporte e manuseio e 10% da perda acontece na fase de consumo. No mundo todo, são 1,3 bilhão de toneladas que vão para o lixo, sendo 44% só de frutas e verduras.

A população mundial é de 7,2 bilhões de pessoas, que acabam por desperdiçar as 1,3 bilhão de toneladas de comida por ano. Para a Paraíba, não existe um cálculo de quanto se desperdiça, porém se calculado proporcional aos habitantes no planeta todo, o Estado, que possui 3,9 milhões de habitantes (0,05% do total), seria responsável pela perda de 650 mil toneladas de alimentos, sendo 286 mil só de frutas e verduras.

Nos países em desenvolvimento como Brasil, cerca de dois terços da comida é perdida após a colheita e armazenamento inadequado. Melhorar a eficiência nessa etapa é fundamental pata reduzir as perdas.

R$ 114 milhões perdidos

O total de alimentos que a Embasa recebeu em suas Ceasas foi de 330 mil toneladas, gerando uma receita para os produtores de R$ 574 milhões. Apesar disso, com os 20% de perdas, deixaram de ganhar R$ 114 milhões, o que acaba por ser agregado no valor da venda ao consumidor. De acordo com o presidente da Empresa, “a perda não é tão grande em João Pessoa porque 60% das 129,7 mil toneladas de frutas e verduras que iriam para o lixo passam por tratamento para serem transformadas em adubo orgânico, que estamos trabalhando para conseguir licenciamento para comercialização, enquanto isso, doações para associações são feitas. Em Campina Grande já existe um projeto buscando realizar o mesmo”, conta.

Lucro com o desperdício

Josinaldo Correia Barbalho, 50 anos, lucra com o desperdício. Ele recolhe, por dia, 20 quilos de alimentos que os produtores acabam por descartar por não serem comercializáveis. Ele recolhe, carrega dois carrinhos cheios e leva até um agropecuarista que usa para alimentar o gado. “Recebo R$ 150 por semana, recolhendo as frutas e verduras para que os animais sejam alimentados”, conta.

O produtor Sérvio Túlio Moreira Matos poderia também aproveitar o que é desperdiçado por ele mesmo, mas diz que não compensa, pois o trabalho consistiria em lavar e tratar folhas de alface que acabam por ser descartadas por não estarem com uma ‘cara’ muito boa.

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