Acesso

Economia
Compartilhar:

55% não têm intenção de gastar nos próximos meses

Celina Modesto / 14 de julho de 2015
Os brasileiros estão mais cuidadosos na hora de assumir dívidas e preocupados em poupar dinheiro. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Varejo (Ibevar), revelou que, nos próximos três meses, 55% dos entrevistados não têm intenção de gastar nada além das despesas fixas como luz, condomínio e mensalidade escolar.

A desaceleração da economia, o crescimento do desemprego e da inflação são alguns fatores que, além de diminuir o poder de compra do brasileiro, tornaram o pagamento de dívidas já assumidas mais difícil. As maiores causas da inadimplência são o desemprego (31%) e o descontrole financeiro (28%).

Segundo o SPC, 50% das pessoas que quitam as pendências voltam a ter o nome sujo um ano depois. Além do planejamento para pagar as dívidas atuais, a reeducação financeira é o caminho para manter o controle e reduzir a chances de entrar nessas estatísticas.

A economista da DeVry Brasil, Amanda Aires, afirmou que, para poder pagar as contas, é necessário que a pessoa faça um reordenamento dos gastos, com o corte de despesas desnecessárias. “Depois disso, é necessário renegociar as dívidas, começando por aquelas que tenham maior taxa de juros, já que essas são as dívidas mais caras”, recomendou.

Sendo assim, ela defendeu a necessidade de aprender a controlar os gastos. “Não dá para pensar em sair do vermelho quando a pessoa se mantém com gastos elevados. As pessoas precisam aprender que não precisamos ter tudo: às vezes, é melhor fazer uma política de contenção de gastos para não entrar no vermelho”, afirmou.

Cinco Medidas

1. Identifique seus gastos

O primeiro passo é ter total controle do quanto você ganha e, principalmente, do quanto gasta. Mantenha um orçamento doméstico, com uma lista de todas as despesas e receitas. Detalhe os credores, o valor de cada dívida e os prazos de quitação. Inclua também contas esporádicas como IPTU e seguro do carro. Além das tradicionais planilhas de excel, há vários aplicativos que podem ajudar nesta tarefa. “Com base nessas informações, é possível entender a composição dos gastos e começar a fazer um planejamento financeiro”, explicou Amanda.

2. Renegocie dívidas

Entre em contato diretamente com os credores e renegocie. A melhor maneira para reduzir o custo da dívida é dar uma boa entrada e reduzir o prazo de pagamento. Seja realista em relação às suas condições: não adianta nada assumir prestações que não terá condições de pagar.

3. Não caia na cilada do crédito fácil

Diversas empresas oferecem empréstimo mesmo para quem tem o nome negativado. No entanto, resista à tentação de, na ansiedade para quitar uma dívida, assumir um novo débito e correr riscos de pagar juros ainda mais altos. “A medida é vantajosa apenas se as taxas forem menores do que a pendência já existente”, orientou professora da DeVry Brasil. Procurar o credor e tentar renegociar pode acabar sendo uma solução melhor.

4. Fique atento às taxas de juros

Deixar de pagar o cartão de crédito ou efetuar apenas o pagamento mínimo pode ser o início de uma bola de neve. Com a inflação em alta, os juros do cartão de crédito chegaram a 304% ao ano no mês de junho, maior taxa dos últimos 16 anos. Isso significa que quem fizer uma dívida de R$ 1.000 no cartão estará devendo, 12 meses depois, R$ 4.040,30. O cheque especial também segue em alta, com 268,79% ao ano.

5. Reveja seus gastos

“Contas no vermelho indicam que você gastou mais do que ganhou ou perdeu o controle dos seus gastos”, alertou a economista. A solução é reduzir gastos: optar por marcas mais baratas no supermercado, cortar a TV a cabo, diminuir o consumo de energia elétrica, por exemplo. “Outra solução é buscar fontes alternativas de renda”, finalizou Amanda.

Relacionadas