sexta, 24 de janeiro de 2020
Economia
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133 agências e postos bancários foram fechados na PB

Ellyka Akemy / 16 de agosto de 2016
Foto: Assuero Lima/Arquivo
Em apenas um ano e meio (2014-2016) 133 agências e correspondentes bancários foram fechados em toda a Paraíba. Após crescimento entre dezembro de 2007 e dezembro de 2014, ano em que o Estado chegou a possuir 251 agências e 760 postos bancários, em junho de 2016, o número caiu para 244 e 634, respectivamente.

Entre 2007 e 2012, o número de postos bancários cresceu 88,39% na Paraíba, passando de 405 para 763. Em 2013, houve uma leve queda de 2,88% e no ano seguinte uma retomada no crescimento de 2,56%. No entanto, em 2015 o número de postos bancários voltou a cair e seguiu tendência até junho deste ano.

Com a quantidade de agências bancárias foi semelhante. Em 2007, a Paraíba tinha 179 agências bancárias. O número saltou para 251, em 2014. Um crescimento de 40,22%. Nesse intervalo de sete anos, só houve crescimento no número de agências. Mas, em 2015, houve uma queda foi de 2,78%. Até junho deste ano, a quantidade permanece a mesma que em dezembro de 2015: 244.

Economia - Bancos fechados

Cenário brasileiro

O cenário paraibano é o mesmo em todo o Brasil. Após crescimento contínuo entre 2011 e 2014, o número de agências bancárias no Brasil caiu de 23.127 em dezembro de 2014, para 22.866 em dezembro de 2015. Em junho deste ano, a quantidade diminuiu ainda mais, chegando em 22.701. Ou seja, uma queda de 1,84% em um ano e meio. O levantamento foi feito pela Boanerges & Cia., consultora especializada em varejo financeiro, com base na relação de agências e postos bancários disponibilizada pelo Banco Central do Brasil. Somente na Paraíba, de 2014 para 2016, foram 133 agências e postos bancários fechados.

Essa queda foi puxada, principalmente, pelo fechamento de agências dos dois principais bancos privados do País: Bradesco e Itaú. Considerando o saldo líquido de aberturas e fechamentos, o primeiro encerrou as atividades de 150 agências em 2015 e 24 em 2016. Já o segundo fechou 97 agências em 2015 e 180 apenas nos primeiros seis meses de 2016.

Desde dezembro de 2014, o Banco do Brasil encerrou 96, mas ainda é a instituição bancária que detém o maior número de agências no País: 5.428. A Boanerges & Cia. levantou também o número de postos de atendimento bancário (PAB), postos avançados de atendimento (PAA) e postos de atendimento bancário eletrônico (PAE). Com isso, é possível observar que os bancos não substituíram as agências por postos bancários, pois estes apresentaram uma queda de 14% em um ano e meio.

Em dezembro de 2014, o Brasil tinha 50.954 unidades deste tipo e, em junho de 2016, registrou 43.854. Mais uma vez o Bradesco e Itaú foram os bancos que mais encerraram postos no período. O Itaú fechou 2.434, enquanto que o Bradesco 1.844. Para o consultor da Boanerges & Cia., Vitor França, esse cenário pode estar associado à crise econômica do País, que obrigou aos bancos a cortar despesas e a buscar eficiência.

No entanto, o avanço tecnológico dos serviços bancários também pode estar por trás desse panorama. “Dados do Banco Central divulgados recentemente mostram que as transações realizadas por acesso remoto [internet e mobile banking] passaram de 29,2% em 2008, para 54,4% em 2015. Já a participação das transações nas agências e nos postos bancários caiu de 23,1% em 2008, para 15,1% em 2015”, apontou França.

Na edição do último domingo (31), o Jornal Correio da Paraíba trouxe uma reportagem que aponta que o uso dos canais digitais no setor bancário brasileiro já supera a ida a pontos físicos e outros canais de atendimento pelos quais o cliente procura o banco. Para ler o material, basta acessar o Correio Online, na editoria de Economia.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Bradesco informou que o banco não comenta o encerramento de agências e postos bancários no Brasil. Já assessoria de imprensa do Itaú respondeu que “o perfil dos nossos clientes vem mudando. Atualmente, mais de 70% das transações do banco são realizadas pelos canais digitais (internet e celular)”.

A assessoria de imprensa do Itaú afirmou ainda que, na medida em que os clientes demandam um atendimento mais digital, o banco mudou os pontos físicos localizados próximos a outras agências. “Por outro lado, abrimos dezenas de agências digitais e lançamos diversas soluções para internet e mobile que agilizam e facilitam a rotina de nossos clientes”, diz a nota.

Tendência é de fechamento de agências e crescimento dos canais digitais

O consultor da Boanerges & Cia., Vitor França, afirmou que, em curto prazo, a redução do número de agências e postos bancários deverá ser lenta e, com isso, não prejudicará os consumidores que ainda não se habituaram aos canais digitais. “Mas a tendência será de continuidade na queda do número de postos de atendimento físico e expansão das agências digitais”, comentou.

O Itaú, por exemplo, foi o banco que mais fechou agências e postos bancários desde 2014, em contrapartida, vem aumento significativamente o foco de suas ações publicitárias no uso dos canais digitais (Campanha “Digitau”) e expandindo suas agências digitais. Além disso, a compra do HSBC pelo Bradesco e a provável venda do Citibank também devem contribuir para a diminuição do número de agências e postos bancários nos próximos anos.

Para França, em médio prazo, quando as transações digitais forem mais comuns, os consumidores deverão se beneficiar com essas mudanças. Isso porque os bancos deverão investir mais em ações de relacionamento e fidelização dos clientes, já que a maioria dos serviços que é realizada hoje fisicamente deverá migrar para os canais digitais.

 

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