domingo, 19 de novembro de 2017
Teatro
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Tarcísio Pereira volta aos palcos após 15 anos e interpreta João Pessoa

Astier Basílio Especial para o CORREIO / 05 de abril de 2016
Foto: Antonio David
Tarcísio Pereira está de volta. Em dose tripla. Escreveu, dirigiu e está atuando em De João para João, espetáculo no qual divide a cena com o Flávio de Melo, ator e diretor, companheiro de trabalhos anteriores, como a última produção de Tarcísio na Paraíba, Os Sete Mares de Antônio, de 2012, prêmio Myriam Muniz. Dessa vez, Tarcísio segue no peito e na raça, sem patrocínio. A produção estreou no último final de semana, em Guarabira. Hoje e amanhã, a apresentação será em Campina Grande, no Teatro Severino Cabral.

Diretor de 22 produções, Tarcísio começou, em 1984, com um texto seu, A Cabeça da Santa, em João Pessoa. A última vez que subiu ao palco como ator foi 2001, em As Pelejas de Camões, texto e direção sua.

De João para João se passa no momento em que o então presidente da Paraíba, João Pessoa, é assassinado por seu desafeto político, João Dantas, na confeitaria Glória, no Recife, em 1930, sacramentando de vez a briga entre os perrepistas (integrantes do Partido Republicano da Paraíba, correligionários de José Pereira, chefe político de Princesa) e os liberais (alinhados com o presidente João Pessoa).

“Esta peça é um acerto de contas comigo mesmo”, diz Tarcísio. Em 1997, dirigiu a peça Cifrado 110, de Carmem Coelho de Miranda Freira, que nos palcos ganhou o nome de João Pessoa, Revolução de 30. “Foi uma apresentação restrita aos amigos dela”, explica. O dramaturgo apreciou a montagem, mas o texto tinha um viés muito celebratório. A proposta inicial, conta Tarcísio, era fazer um monólogo com João Dantas, a partir da carta “Às voltas com um doido”, correspondência desaforada que o assassino enviara antes a sua vítima. “Mas estava ficando muito chato”, pontua. “Resolvi, então, colocar a voz de João Pessoa”.

Na peça, antes que o tiro seja disparado, o tempo fica suspenso como ocorre no conto “Milagre secreto”, do argentino Jorge Luís Borges, em que o condenado pede um ano para concluir, mentalmente, sua epopeia. No palco, porém, a suspensão do tempo se dá para que os rivais se digladiem verbalmente. Muito do texto de Tarcísio Pereira baseou-se em transcrições de telegramas. Há um visível tom cinematográfico, sobretudo, na cena de abertura.

“Esse estilo cinematográfico a gente procurou manter do início ao fim”, confirma Tarcísio. “E temos uma trilha sonora original, criada magistralmente por Eli-Eri Moura, que ajuda a pontuar essa linguagem. O que temos em cena é um tiroteio verbal do início ao fim, e procuramos dar uma dinâmica de movimentos que persegue essa linha escrita”.

De joão para joão’

Do Grupo Sagarana Produções Teatrais

Hoje e amanhã, às 20h.

No Teatro Municipal Severino Cabral (Av. Floriano Peixoto, s/nº, Centro, Campina Grande – 3322.7490 – http://teatroseverinocabral.art.br/).

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

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