terça, 25 de setembro de 2018
Teatro
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Grupo Evoé apresenta adaptação de ‘Os Sete Gatinhos’, de Nelson Rodrigues

André Luiz Maia / 23 de novembro de 2017
Foto: Divulgação
Ao lado de Nyka Barros, elas apresentam nesta quinta-feira (23) os resultados de um ano de estudos com a turma 2017 do curso, com o espetáculo Folia no Matagal, do Evoé Grupo de Teatro.

A peça é apresentada nesta quinta e sexta (24) no Teatro Santa Roza. Com bases estabelecidas no teatro contemporâneo, Folia no Matagal é uma colcha de textos costurada por Suzy, baseado principalmente na peça Os Sete Gatinhos, de Nelson Rodrigues. A partir dela e dos diálogos com os próprios alunos do curso, ela começou a inserir trechos de textos como Doce Deleite, do dramaturgo Alcione Araújo, um poema de protesto de Mariana Félix – autora que utiliza a internet para apresentar seus poemas com veia feminista – e elementos do polêmico Cartaz de Cinema, do paraibano Paulo Vieira, encenado pela primeira vez na década de 1970. “No meu mestrado, eu pesquisei dramaturgia e foi despertado em mim o desejo de escrever para teatro. Então, inicialmente, a ideia era escrever um texto autoral, mas no processo de montagem, esses textos foram aparecendo. E eu respeito os processos como eles acontecem. Então, sentei agarrada com os textos e os ouvidos abertos pra ouvir o que o grupo queria falar. Assim chegamos nesses quatro”, explica Suzy.

Durante o curso, Nyka Barros e ela foram apresentando ao grupo várias linguagens teatrais, que acabaram sendo absorvidas nesse trabalho final. “O processo teatral tem vida própria, se constrói. Temos que ter a sensibilidade de deixar a barca correr. Sem controlar, presa a ideia inicial, pois essa limitação só atrapalha o andar da criação”, comenta a artista. O resultado final é um espetáculo com veia cômica, mas também provocativo, em um diálogo com a situação atual do Brasil.

A trama de Os Sete Gatinhos é de 1957 e expõe as feridas de uma sociedade hipócrita ao contar a história de uma família do subúrbio liderada por Seu Noronha (Rodrigo Batista) e por sua mulher, Dona Aracy (Talitta Leonilia). Noronha faz de tudo para proteger a castidade da filha caçula, Silene (Eslia Maria). Paradoxalmente, prostitui suas outras filhas Aurora (Raissa Gama), Hilda (Israela Ramos), Arlete (Brenna Monteiro) e Débora (Isabele França), tudo para pagar os estudos da mais nova em um internato comandado pelo doutor Portela (Leandro Nobre). O espetáculo é resultado do diálogo constante com os alunos que entram em cena. "Essa turma me empolgou muito desde o começo, fizemos vá- rios eventos ao longo do ano. Naturalmente, fomos dando voz aos anseios deles por meio dos laboratórios. Queria que eles abraçassem o texto como se fosse de autoria deles. São jovens muito instigados e inteligentes, antenados com seu tempo”, salienta Suzy Lopes.

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