quarta, 13 de dezembro de 2017
Teatro
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Festival Teatro e Diversidade começa amanhã e vai até sexta-feira

André Luiz Maia / 21 de julho de 2015
Foto: Divulgação
Dez espetáculos girando em torno da temática da diversidade humana estão na programação da terceira edição da Mostra Escola, Teatro e Diversidade (TED), realizada pelo Sesc João Pessoa. As atividades gratuitas começam amanhã e vão até sexta, com performances sempre às 14h, no Teatro do Sesi, Centro da Capital. Além disso, o evento conta com intervenções artísticas e debates promovidos, por Baba Santana, além da exposição Carica Tua – Paraíba Ilustre, com a arte de Kell Martins.

Na abertura, uma apresentação especial do grupo Ser em Cena, às 13h, com o espetáculo Transcendência. Depois, O Pequenino Grão de Areia, do grupo Kairós, às 15h. E o destauqe Confissões, do NTU, que reúne em cena dois expoentes do teatro paraibano: Everaldo Pontes e Edilson Alves.

A Ser em Cena é uma instituição sem fins lucrativos cujo objetivo é o de auxiliar na reabilitar de portadores da chamada afasia, um problema de comunicação similar à dislexia. Logo em seguida, às 14h, acontece a performance de Negra Sou, do Grupo Cabe na Sacola, formado por estudantes do IFPB, dirigidos pela atriz Palmira Palhano.

O espetáculo tomou como base o poema “Gritaram-me Negra”, de Victoria Santa Cruz, que recentemente viralizou nas redes sociais por conta de um vídeo, antes raro, da poeta declamando sua obra. “A gente usa o poema da Victoria e fazemos um exercício de intertextualidade com músicas brasileiras”, explica Palmira. Algumas das músicas usadas no espetáculo são “Saí de casa”, de Escurinho, e “Mestre-sala dos mares”, de Aldir Blanc e João Bosco.

Esta última, por sinal, inspirou uma inserção na peça, que faz referência à Ditadura Militar. “É algo bem rápido, pois esta música sofreu censura do regime por contar a história de um negro”, conta a diretora. Para completar a costura de referências, Palmira escolheu uma cena do texto Festa do Rosário, da dramaturga Lourdes Ramalho, na qual uma negra entra em conflito com a prefeita de uma cidade fictícia.

Para preparar os alunos, Palmira contou com a ajuda de professores de sociologia e de história do IFPB. Ela relata mudanças no comportamento pessoal dos próprios alunos. “Inclusive, sem que a gente tenha imposto nada, uma das alunas, que fazia chapinha do cabelo, decidiu assumir o cabelo crespo depois de trabalhar esse espetáculo. Acho que esses assuntos são importantes de serem tratados com estudantes, pois isso amplia a percepção do mundo deles”, completa.

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