terça, 25 de setembro de 2018
Show
Compartilhar:

Lenine canta hoje no Espaço Cultural, em João Pessoa

André Luiz Maia / 17 de abril de 2016
Foto: Flora Pimentel/ Divulgação
Alotropia. Conceito da química que descreve a capacidade de um elemento em se transformar em outros, através das mais diversas combinações. Mas o que isso tem a ver com cultura? Para Lenine – que estudou Engenharia Química na juventude –, tudo. Seu disco mais recente, Carbono, é definido pelo próprio como uma alotropia musical, carregado de referências que vão da viola pantaneira ao afro jazz, rock, frevo e mais.

Hoje, ele vem a João Pessoa com a turnê desse seu trabalho mais recente. Na abertura, a banda Seu Pereira e Coletivo 401 segue o caminho inverso: traz as canções inéditas de seu novo disco, Eu Não Sou Boa Influência Pra Você, antes mesmo de apresentar as versões em estúdio. O segundo álbum da banda paraibana, que tem previsão de lançamento para outubro, é fruto de financiamento coletivo, tendo arrecadado mais de R$ 35 mil através da plataforma Catarse.

De volta a Lenine, Carbono foi lançado há um ano e encerra uma trilogia de álbuns na carreira do cantor e compositor pernambucano, que ainda conta com os predecessores Labiata (2008) e Chão (2011). O que os conecta, de acordo com Lenina, é sua busca por uma narrativa coesa.

“Até o Labiata, quando eu tinha o desejo de fazer um disco, metade dele já havia sido composto, pois ia escrevendo e guardando canções ao longo do tempo. De certa maneira, isso dava a sensação de que eu estava gravando o eu de ontem, não o de hoje. Fazendo um paralelo com a literatura, é como se fosse uma coletânea de contos, e não um romance. Com essa trilogia, o caminho foi perseguir esse tipo de narrativa”, conta.

Da nova safra, canções como “Castanho”, parceria com Carlos Posada, “A causa e o pó”, com João Cavalcanti, “Cupim de ferro”, com Pupillo, Dengue, Lucio Maia e Jorge Du Peixe, todos da Nação Zumbi, Lula Queiroga, na música “O universo na cabeça do alfinete”, Dudu Falcão, em “Simples assim”, dentre outros.

Resgato aqui o conceito de alotropia. Embora seja uma costura de parcerias das mais diversas, a linha-guia deste projeto, que é Lenine, busca um discurso de comunhão. “A gente espera que após a segunda, terceira, quarta audição, as pessoas tenham essa possibilidade de descobrir algo novo, outra referência dentro da produção. Na primeira canção, ‘Castanho’, há o verso ‘o que eu sou, eu sou em par, não cheguei sozinho’. Logo na sequência, entra ‘O impossível vem pra ficar’. Há um desencadear de ideias que, realmente, são feitas como capítulos de uma narrativa”, defende o artista.

Disco feito, hora de levá-lo aos palcos. Para Lenine, são dois momentos distintos e díspares. “O estúdio é aquele ambiente hospitalar, no qual você tem que gravar emoção de alguma maneira. Esse trabalho gera um produto, que é o disco, uma fotografia do tempo do artista naquela ocasião. Com base nesse esqueleto do álbum, faço o espetáculo, aproveitando a narrativa do projeto para incluir canções que se adequem. É um momento divertido”, explica. Dentre as canções que ele resgata – “aquelas que estavam ali, meio que cochilando” –, estão ‘Olho de peixe’, do álbum homônimo, e “Magra”, do Labiata.

Ao pensar em “carbono” como o conceito-base deste trabalho, Lenine estava em busca de algo que pudesse definir esse esforço em apresentar um trabalho estruturado. “O carbono é uma palavra tão carregada de significados. O elemento químico tem essa característica de se associar muito facilmente a outros elementos, gerando novas moléculas, portanto, novos compostos, com suas propriedades particulares. Acho que isso define não só meu trabalho, mas também a mecânica, a maneira como eu faço esse trabalho”, filosofa.

Relacionadas