Acesso

Show
Compartilhar:

Jessier Quirino apresenta ‘Papel de Bodega’ e lança ‘Vizinhos de Grito’

André Luiz Maia / 17 de julho de 2015
Foto: Divulgação
O poeta Jessier Quirino, que lançou seu novo DVD em João Pessoa no fim de maio, agora leva para Campina Grande o novo trabalho, Vizinhos de Grito. Hoje e amanhã, além de lançar o registro, também apresenta o espetáculo Papel de Budega, a partir das 20h30, no Teatro Facisa.

Em um recital que mescla poesia sertaneja, cantos e causos, Jessier é acompanhado por uma hora e meia pelos músicos Roberto Muniz (violões, acordeon, teclado, percussão e vocal) e Arnoud Costa (sax alto, tenor, flauta, clarinete, violão, teclado e vocal). “É a primeira vez que apresentamos em Campina Grande e estou ansioso, pois tenho uma ligação forte com a cidade. Ao longo das apresentações, estamos aprimorando nossa performance no espetáculo e vai ser muito bom compartilhar isso com os campinenses”, afirma o poeta.

O nome do espetáculo vem do título do mais recente trabalho literário de Quirino, o livro e CD Papel de Bodega, publicado pelas Edições Bagaço. A capa é inspirada numa velha caderneta de fiados do Cariri paraibano. E essa solução visual é transportada para a cenografia do palco pelas mãos habilidosas do artista visual Shiko, que assina as ilustrações do painel que compõe Papel de Bodega – o espetáculo.

“É a segunda vez que eu trabalho com Shiko. A ideia do cenário é levar para o teatro personagens que pudessem dialogar com o texto do espetáculo”, pontua Jessier.

A parceria, como o próprio poeta faz questão de salientar, não foi unilateral, pois Shiko teve a liberdade artística de criar como melhor lhe convinha. “Eu expliquei brevemente a minha ideia e ele foi elaborando essa tradução gráfica de tipos interioranos. Inclusive, acabei adaptando alguns causos inspirado por suas ilustrações”, revela Quirino.

Além da apresentação, ele leva na bagagem algo que há muito era cobrado por seus fãs: um registro audiovisual de seu trabalho. O resultado foi Vizinhos do Grito, uma ideia que já existia na mente de Jessier Quirino há muito tempo, mas que só se concretizou através de um especial de fim de ano na televisão.

Ele já havia recebido propostas de registro das apresentações, mas sua ideia era ir além e apresentar algo mais elaborado. “Não queria uma gravação do show pura e simplesmente. Tanto que os cenários e jogos de iluminação que criamos para o Vizinhos do Grito são quase cinematográficos, interagindo com os causos e poesias que falo”, relata Jessier.

O repertório traz histórias mais antigas, que o artista apresenta desde o início da carreira e material mais recente, contido em Papel de Bodega. O nome do DVD, por sinal, também é uma referência ao espírito do sertanejo. “É uma expressão bem interiorana, do ‘vizinho de grito’, aquela pessoa que mora do seu lado, a um grito de distância para que consiga ser ouvido”, comenta.

Embora abuse de histórias que relatam situações engraçadas, Jessier evita ser classificado como humorista ou comediante. “Antes de tudo sou um poeta que utiliza como matéria-prima as características do homem do campo. Obviamente, o bom-humor e os causos engraçados fazem parte, mas também há espaço para a nostalgia e o saudosismo”, pontua Jessier Quirino.

De acordo com o poeta, a base do seu trabalho é “a nostalgia de um interior aparentemente esquecido, esmagado pelo trator da modernidade”. Mas, como um bom causo nordestino, a realidade ganha contornos fantásticos quando um símbolo da modernidade se torna aliado para a divulgação de valores sertanejos.

“É contraditório, mas com a internet, está tendo uma onda de valorização das tradições nordestinas. Gosto disso e meu trabalho também se dá através da rede de computadores”, pontua.

PAPEL DE BODEGA. Hoje e amanhã, às 20h30. No Teatro da Facisa (Av. Senador Argemiro de Figueiredo, 1901, Itataré, Campina Grande – 2101.8832/ 8892.7520). Ingressos: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia).

Relacionadas