segunda, 20 de novembro de 2017
Show
Compartilhar:

Começa hoje 2ª edição do Festival Espinho Branco de Artes em Patos

Renata Escarião / 01 de abril de 2016
Um redemoinho artístico orquestrado por mãos femininas vai passar pelo Sertão paraibano de hoje até domingo com a segunda edição do Festival Espinho Branco, que acontece em Patos. Realizado pelo local Coletivo Espinho Branco, o evento cultural apresenta uma programação gratuita composta por shows, oficinas, debates, saraus poéticos, exibição de documentários, lançamento de livros e espetáculo de dança, distribuída em seis polos que levam nomes de artistas paraibanas.

A programação envolve atrações de quatro estados: Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Tudo acontece nos seguintes polos: Secretaria de Educação (Polo Marcelia Cartaxo), Concha Acústica (Polo Gê Maria), Funes (Pólo Zezita Matos), Centro Cultural (Polo Luciana Urtiga), Bar de Tião (Polo Zabé da Loca) e Praça Getúlio Vergas ( Polo Los Iranzi).

A denominação dos polos e a programação centrada em atrações femininas não são à toa: o II Festival tem uma preocupação especial com a mulher na arte, como espaço de empoderamento e fortalecimento, no intuito de provocar a visibilidade feminina.

Segundo a cantora Débora Malacar, uma das produtoras do evento, “o coletivo existe há três anos e a ideia do festival surgiu pela carência que a gente tem aqui na cidade desse intercâmbio cultural. A gestão da cidade de Patos infelizmente não valoriza a cultura como deveria. Fazem o São João pagando R$ 800 mil a um Wesley Safadão e não fazem questão de fomentar a cultura local”, reclama. “O Coletivo não surgiu para substituir a gestão da cidade, porque isso seria um absurdo, mas para tentar suprir essa necessidade, aos trancos e barrancos, da maneira que a gente consegue. Não temos fins lucrativos, todos os eventos que organizamos são gratuitos e trabalhamos com parcerias e patrocínios, muitas vezes tirando do próprio bolso”.

Sobre a evidência na produção feminina, Débora conta que o 8 de março é importante, mas precisa ser um movimento progressivo. “O feminismo está cada vez mais rotineiro nas nossas discussões, e por viver numa cidade patriarcal, no Sertão, essa questão é muito mais evidente. Achamos importante dar destaque a esta questão”, afirmou Malacar.

Destaques. O festival começa hoje, às 13h, e tem como destaque na programação do dia a exibição, às 17h, do documentário Viver de Mim, da diretora Juily Manghirmalani (do coletivo Lumika, de São Paulo). Ele será seguido pelo debate com o coletivo feminista “Valha, o que é isso?”, de Sousa, na Funes.

Outro destaque é a exposição de artes visuais, às 19h, no Centro Cultural. Estarão expostos trabalhos das paraibanas Yasmin Formiga e Ane Santos e do coletivo cearense Hard Flash Fotografias.

Amanhã merecem destaque o espetáculo de dança Canção para os Ossos, com Aretha Paiva & Eliza Garcia (PB), que também acontece na Funes, às 17h. A noite conta com shows de Sandra Belê e do grupo potiguar Luísa & Os Alquimistas, na Concha Acústica.

No domingo, às 17h, no Centro Cultural, tem destaque o espetáculo teatral Razão para Ficar, seguido de debate e antecedido de oficina. A encenação busca evidenciar as consequências de um regime de internação em hospitais psiquiátricos, as relações perversas de uma sociedade que condena ao confinamento mulheres em situação de pobreza, abandonadas pelas famílias e pelo Estado. O encerramento fica por conta de Catarina Dee Jah (PE) e Chico Correa & Electronic Band (PB), na Concha Cústica a partir das 20h.

A programação completa pode ser acessada na página do Coletivo Espinho Branco no Facebook (https://www.facebook.com/ColetivoEspinhoBranco).

Relacionadas