domingo, 20 de maio de 2018
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Cabruêra e Os Fulano apresentam o ‘lado obscuro’ de Jackson do Pandeiro

Audaci Junior / 20 de Março de 2018
Foto: Divulgação
“Olha aqui, preste atenção, vou falar / A Cultura Racional tá ai para ensinar”, cantava Jackson do Pandeiro (1919-1982) na faixa “A luz do saber” (composta por João Lemos), no disco Alegria, Minha Gente (1978, Alvorada/Chantecler).

Muitos desconhecem, mas, assim como Tim Maia (1942-1998), que foi o seu maior expoente, o Rei do Ritmo também aderiu nos anos 1970 à Cultura Racional, religião derivada do espiritismo, fundada em meados da década de 1930 pelo médium carioca Manoel Jacintho Coelho (1903-1991), e que tem como base os livros do Universo em Desencanto, enciclopédia extensiva das ciências terrenas e espirituais.

Esse lado obscuro do paraibano será desbravado em um show conjunto das bandas Cabruêra e Os Fulano. Batizado de Jackson Racional e os Afrobatuques, a apresentação será realizada amanhã, às 21h, no Café da Usina Energisa, em João Pessoa.

De acordo com Arthur Pessoa, do Cabruêra, diferente de Tim Maia – que dedicou dois álbuns inteiros com essa temática – as músicas da Cultura Racional de Jackson estão diluídas em três discos: Nossas Raízes (1974, Alvorada/Chantecler), Um Nordestino Alegre (1977, Alvorada/Chantecler) e a já citada Alegria, Minha Gente. Inclusive, o membro do Cabruêra atenta que na capa deste último, o músico pode ser visto um medalhão do Universo em Desencanto no pescoço.

“Jackson chegou a gravar mais de 500 músicas durante a sua carreira”, explica Arthur Pessoa. “Fizemos um recorte na obra dele com dois repertórios: o Racional, que estão soltas nesses três discos, e, por ser um repertório com poucas músicas, colocamos também os afrobatuques, que se aproximam dessa temática espiritual. A temática é bem direta, dentro das religiões do candomblé e umbanda”.

Na seleção do setlist, junto com as composições da Cultura Racional como “Mundo de paz e amor”, “Acorda, meu povo” e “Luz do saber”, as duas bandas unidas apresentarão várias canções dentro do tema dos afrobatuques que estão pela discografia de Jackson, a exemplo de “Pai Orixá”, “Mamãe sereia” e “O galo cantou”. “Além dessa questão temática, existe a questão rítmica dos atabaques e tambores”, frisa Pessoa. “Desde os anos 1950, ele andava pelos terreiros do Recife e do Rio de Janeiro”.

Para ter o suporte do cavaquinho, sanfona, zabumba e triângulo, o Cabruêra chamou a banda Os Fulano para apresentar esse ‘lado B’ de Jackson do Pandeiro. “Pensei nesse projeto há anos, mas não tinha conseguido essa aproximação da releitura do repertório que a gente queria, mais para a gafieira e para o samba”, conta Arthur Pessoa.

O músico confirma que esse repertório obscuro tem a mesma pegada com características fortes das canções conhecidas do homenageado, seja no forró ou no samba. “São pérolas, como as que Tim Maia compôs na época, todas passando por um mergulho espiritual”, define o músico paraibano.

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