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Adriana Calcanhotto lança em CD e DVD show em que canta Lupicínio Rodrigues

KUBITSCHEK PINHEIRO / 24 de julho de 2015
Foto: Divulgação
Loucura - Adriana Calcanhotto Canta Lupicínio Rodrigues é um belo trabalho e,m CD e DVD onde a cantora homenageia o compositor gaúcho, que teria completado 100 anos no ano passado. A edição em DVD tem 17 faixas e um documentário chamado À Luz do Refletor. O registro foi feito em dezembro do ano passado no palco do Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre. A direção do show é de Adriana e quem dirige o DVD é Gabriela Gastal.

“Esse trabalho não ia sair em DVD e CD físicos, surgiu a partir do convite Projeto Unimúsica, que também chamou Yamandu Costa para tocar, Hamilton de Holanda e outros artistas, como parte das comemorações dos 80 anos da Universidade do Rio Grande do Sul e, claro pelo centenário de Lupicínio”, disse a artista por telefone ao CORREIO, ontem pela manhã. “E eu pensei vamos registrar, se ficar bom a gente pensar em lançar”.

Lupicínio ganhou no último ano três shows em sua homenagem. Elza Soares e Gal Costa prepararam individualmente seus tributos ao artista gaúcho. O de Adriana, que chega às lojas hoje, é dedicado a Suzana Moraes (com quem Adriana foi casada e morreu em janeiro), Augusto de Campos e a mulher dele, Lygia Fingers.

A cantora entra no palco literalmente vestida de Lupicínio Rodrigues: de paletó preto, gravata borboleta e sapato bem engraxado. A diferença é o colar de pérolas e o batom vermelho.

Antes de sua aparição, escutamos a voz dele: “Quem sabe por que me chamam de criador da dor de cotovelo? Porque naquela época de fato eu andava sofrendo muito e eu fazia músicas muito tristes, que se cantam até hoje, músicas que faziam sucesso, que vocês vão começar a ouvir de agora em diante”.

“Esse material veio de um documentário, do trecho de um depoimento dele que está no Museu da Imagem e do Som”, conta Adriana. “Ele fala das músicas que se cantam até hoje e começo a cantar”.

Adriana está acompanhada por uma banda formada por Alberto Continentino (baixo), Cézar Mendes (violão), Dadi Carvalho (violão) e Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn) com intervenções de Arthur de Faria no acordeon, Arthur Nestrovski e Cid Campos nos violões. Abre o show cantando “Homenagem”, e não poderia haver melhor canção para o ocasião: “Eu agradeço estas homenagens que vocês me fazem/ Pelas bobagens e coisas bonitas que dizem que eu fiz/ Receber os presentes, isto eu não tenho coragem/ Vão entregá-los a quem de direito deve ser feliz”, diz a letra.

A artista dá voz a canções raríssimas como “Cenário de Mangueira” (de Lupicínio e Henrique de Almeida, que aparece nos extras). È um samba gravado em 1969 pelo cantor paulistano Francisco Petrônio com outro nome: “Rancho de Mangueira”.

Quando ela canta “Volta”, acompanhada apenas do violão de Nestrovski, faz uma performance como se procurasse seu grande amor. Quando a canção acaba, ela está deitada no chão. Esse registro é o mais comovente dessa homenagem ao compositor dos Pampas.

No documentário, ela comenta que usou batom vermelho para esse show porque lembrou de uma história de Caetano Veloso envolvendo Lupicínio. Ao voltar do exílio, o baiano fez um show em Porto Alegre e teve um encontro com Lupicínio e a mulher dele num bar e chegou ainda batom, maquiagem que usava no palco. “Caetano diz que conversou com Lupi e ele nem percebeu ou nada falou sobre o batom vermelho”.

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