quinta, 22 de fevereiro de 2018
Música
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O rock’n roll vai invadir a ‘terra do forró’

Redação / 20 de Abril de 2016
Foto: Divulgação
Na terra do puro forró, o rock'n roll dá sinais de estar mais vivo e maduro do que nunca. Bandas consideradas “alternativas” entraram num ritmo vigoroso e ganham as casas que antes se apresentavam um pouco fechadas para este público. Os guetos do Centro Histórico de João Pessoa não são mais os únicos redutos. Agora, casas de show e  bares investem na vibe hard, potente e despojada do estilo.

Músico há 30 anos, o guitarrista Zé Filho é um dos responsáveis por movimentar a cena e a produção do rock na Paraíba. Com a agenda lotada nos fins de semana, ele cria projetos e convida outras bandas e cantores para incrementar os shows e promover novos artistas.  Nos repertórios, uma boa mescla do rock anos 80 e 90, nacional e internacional, com hits da atualidade.

“Mesmo vivendo numa terra essencialmente do forró, o rock é uma linguagem universal que tem amantes em todo canto, e aqui na Paraíba não é diferente. Temos um público bem eclético que consome e gosta de outros tipos de música”, comentou o músico. Já o músico Degner Queiroz, da banda Dead Nomads, tem a mesma opinião.

Para ele, de um modo geral, o público cultua os grandes clássicos do estilo. A Dead Nomads, que é norteada pelo punk e hard core, comemora 20 anos de estrada, ainda com a pegada original.  “A exigência do público é bem maior hoje e ainda pouco para bandas novas e locais. Mas a cena é boa”, disse Degner.

O cenário também animou alguns empresários do setor de eventos. No próximo dia 22, os Raimundos chegam a João Pessoa, após 15 anos sem tocar por aqui – eles comemoram 20 anos de estrada em uma turnê nostálgica. Já no dia 25 de maio, é a vez da Legião Urbana realizar um dos shows mais esperados do ano, em que comemora 30 anos de estrada, também em um show especial – há mais de 20 anos sem pisar em solo paraibano. Ambos, é claro, resgatando os maiores sucessos que fizeram a cabeça da juventude dos anos 80 e 90.

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“Raimundos e Legião vêm de agendas lotadas de shows, a crítica tem elogiado bastante. As duas bandas são muito representativas no cenário nacional, e o rock nacional estava bem afastado dos palcos paraibanos. Este é um movimento de aproximação com o rock”, avaliou Will Fonseca, diretor executivo da Luz Criações, empresa que realiza o evento.

No more guetos. Para se ouvir rock em João Pessoa, a saída era o Centro da cidade. Por lá, bares abriam suas portas no fim de semana para bandas locais e shows nacionais de menor repercussão. Atualmente, a área da praia conta com ótimas opções para diversão voltadas para o público amante do rock. Um dos mais tradicionais e movimentados, o bar On the Rocks, em Tambaú, é o principal reduto. No local, de cenário despojado, com mesa de sinuca e petiscos de primeira, ouve-se em música ambiente. “Sempre haverá amantes do rock, e João Pessoa está passando por uma fase de descentralização dos bares que possuem identidade com este estilo musical”, comemorou Raphael Baptista de Oliveira, proprietário do On The Rocks.

Uma dessas casas é o Gata Club, antigo pub Gata Preta que migrou do Centro para a praia e se incorporou ao Club Tatoo, uma estúdio de tatuagem. O novo local mantém as características do pub, com ambiente descontraído, música boa, e acrescentou novos serviços – que tem tudo a ver com o conceito pensado pelos sócios.

Além de hamburguers e petiscos, o Gata Preta conta com um mega estúdio de tatuagem. “O antigo Gata Preta, assim como o Club Tatto, já tinha seu público assíduo. Com a fusão, a tendência é que dê muito certo. Foi um projeto de muito trabalho juntamente com todos os sócios, visando fazer e trazer o melhor para nosso público”, acrescentou o publicitário, Yuri Pinangé, também sócio.

O empresário Oliver de Lawrence, proprietário há 28 anos de uma das lojas mais completas neste nicho, também percebeu uma melhora na cena e no mercado. Além de vender CDs, DVDs, camisetas e outros artigos nacionais e importados, ele acha positiva a expansão do segmento para outros públicos e acredita no aprimoramento dos colecionadores. Com caprichadas reedições de clássicos e tiragens limitadas de lançamentos, o mercado nacional de discos cresceu 30% em 2015, segundo dados da fábrica Polysom.

“Temos um público fiel, e a volta dos LPs deu uma aquecida no mercado. Muita gente gosta do LP pela arte, pelos encartes e até pelo cheio”, afirmou ele, que mantém um acervo atualizado e com certo volume de exclusividades. Para ele, o ponto negativo é massificação e a indústria fashion. “Tem gente usando camiseta dos Ramones pela rua, por exemplo, e não conhece nenhuma música da banda. Isso é ruim porque não dá a identidade para quem realmente curte o som”, comentou. Com camiseta preta ou não.

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