segunda, 18 de junho de 2018
Música
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Mauro Senise presta homenagem a Gilberto Gil com o CD “Amor até o fim”

Kubitschek Pinheiro / 24 de junho de 2016
Foto: Divulgação
Depois de homenagear em discos compositores como Dolores Duran, Edu Lobo, Noel Rosa e Sueli Costa o saxofonista e flautista Mauro Senise agora presta homenagem a obra de Gilberto Gil, com o CD “Amor até o fim”. Mauro comemora com este disco, 66 de vida e 44 de carreira.

Lançado pela gravadora Fina Flor, em edição dupla que agrega DVD com o making of da gravação do disco, o CD conta com 13 temas do compositor baiano em seleção que vai de 1965 a 1983. No disco, Mauro Senise toca flauta, o sax alto, o sax soprano e o Piccolo.

Em entrevista ao CORREIO ele rasgou sedas a obra de Gil com quem já tocou em shows nos anos 70. “Sempre fui fã dele, das suas composições, aquelas dos anos 60 e 70, todos aqueles sambas (“Mancada”, “Eu vim da Bahia”). Toquei com ele nos anos 70 e Gil sempre foi muito ligado nos instrumentistas, dando espaço para nós improvisarmos durante os shows. Acho que as melodias dele são um prato cheio para serem interpretadas no formato instrumental. Muito propícias a improvisos.

Ouvindo o disco a gente tem a sensação de que é um concerto pela amplidão do som que vai além das letras. “Pode ser. Os arranjos são muito sofisticados, com harmonias ricas e inspiradas. E com uma turma de músicos de alto nível”.

A conversa com Gil, segundo Senise bem animada. “Foi sim! Bem legal. Ele recebeu o convite com muito carinho e prazer. E adorou a ideia da gravação do CD que já está por ai enquanto nós começamos os lançamentos - (neste sábado acontece na sala Cecilia Meireles no Rio)

A escolha do repertório foi bem tranquila, já que o músico já tocava as canções de Gil e tinha essa familiaridade com as melodias e completou com indicações dos amigos e músicos que o acompanham nesse CD. “Como eu disse, sempre adorei tocar algumas músicas do Gil, como “Eu vim da Bahia”, por exemplo. “Se eu quiser falar com Deus” também. As outras, eu fui escolhendo ao ouvir gravações dele e ouvindo sugestões dos meus amigos músicos que participaram do disco”

Para abrilhantar essa obra Mauro Senise convidou duas gerações de músicos: os veteranos e amigos de longa data como Gilson Peranzzetta, Cristóvão Bastos, Jota Moraes, Romero Lubambo, Ricardo Costa, Zeca Assumpção e Mingo Araújo, e a garotada, representada pelo Gabriel Geszti, Adriano Souza, Kiko Horta, Leo Amuedo, Rodrigo Villa e Bruno Aguilar. “Esta mistura funcionou perfeitamente!”, lembra.

Nessa sequencia, Senise comenta a participação impar do violonista Romero Lubambo nas faixas “Amor até o fim” e do clássico “Eu vim da Bahia”

“O brasileiríssimo Romero Lubambo é meu irmão, tocamos juntos há 40 anos atrás aqui no Brasil e gravamos o CD “Paraty” em duo, em 1995. Hoje ele está radicado nos Estados Unidos. Estamos sempre em contato e quando ele vem ao Rio, nos encontramos para um vinho. E quando eu vou pra lá, tocamos juntos, e tomamos um vinho também, porque ninguém é de ferro...”, disse rindo. Vale destacar também o guitarrista Leonardo Amuedo – uruguaio radicado no Rio que toca em Oriente e Expresso 2222

Gil participa do CD recitando a letra de Preciso aprender a ser só” e é um momento tocante desse trabalho de Mauro Senise. Mas ele poderia muito ter tocado no disco de ou até cantado uma faixa, mas para o músico seria óbvio demais. “Sim, achei que seria óbvio demais. Pedi, então, que ele recitasse a belíssima letra de “Preciso aprender a só ser”. Achei que ficaria diferente e inesperado. Acho que funcionou muito bem. Gil também gostou muito do resultado.

A cria de Mauro, João Senise está com o terceiro CD interpretando as canções de Sinatra, em que o pai toca junto. “Me sinto muito feliz e orgulhoso! João sempre foi muito musical, tocava piano, ouvia música boa... Acho que ele seguiu um caminho natural. Mas ainda tem um longo caminho a percorrer para se firmar na carreira de cantor. Curti muito participar deste CD em que ele homenageia Sinatra”.

O que Mauro Senise está pensando para 2017? “Segredo de estado! Brincadeira... Ainda estou concentrado neste meu novo trabalho em que homenageio um dos grandes mestres da música popular brasileira. E viajando com meu grupo para apresentar este novo projeto”.

Para quem não sabe o nome dele é Mauro Alceu de Amoroso Lima Senise uma homenagem ao seu avô, Dr. Alceu Amoroso Lima, “grande incentivador da minha carreira na música”, fecha.

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