segunda, 16 de julho de 2018
Música
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Marina lança oito músicas inéditas em 21º disco da carreira

Kubitschek Pinheiro / 29 de maio de 2018
Foto: Rogério Cavalcanti/ Divulgação
Novas Famílias. Esse é o 21º álbum de Marina Lima, que agora detona o conservadorismo. Com letras em favor de famílias formadas por casais homossexuais e com foco feminista. Traz nove canções, oito delas inéditas, e é bem atual para o momento polêmico em que o país atravessa com a greve dos caminhoneiros. Nas letras, ela veste a camiseta do que quer defender.

Em entrevista ao CORREIO pelo telefone, a artista afirma de cara que “Novas famílias” é uma canção politizada, que denota os conceitos de uma sociedade arcaica. “O próprio título já está inserido no mundo contemporâneo. São questões do mundo de hoje”, opina.

Para produzir o disco, cuja gestão começou em 2015 e é lançado em formato independente. “Uma alegria imensa. Foi muito animador ver que um rascunho terminou numa obra pronta”, lembra Marina. “Eu conheci pessoas novas, diferentes e atraentes nestes últimos anos, na minha moradia aqui em São Paulo. Dustan, Silva, Jeneci. A própria Letícia, que é carioca, estreitei laços nestes últimos dois anos. E isso tudo gerou esse novo disco”.

Com o irmão Antonio Cícero, com quem Marina assina parecias desde o inicio (como “Fullgás”, de 1984, e “Virgem”, de 1987, entre outras), ela assina a segunda faixa, “Juntas”, que fala de uma rosa que invade a cena e se alonga em signos, e “Só os coxinhas”, além da faixa bônus (“Pra começar”, lançada em 1986 no disco Todas ao Vivo).

“Juntas” é sobre uma rivalidade que às vezes há entre as cidades. “Eu sinto o Brasil todo meu. Mesmo tendo nascido no Rio, eu sinto as cidades e estados como sendo meus também”, diz a cantiora. “Mas há essa bobagem de rivalidade, como se cidades fossem times de futebol. Ora, eu acho que elas juntas é que reforçam o Brasil”.

Em São Paulo há quase dez anos, Marina já está acostumada com a cidade, mas cita Gasolina, do Teto Preto (“Gasolina, gasolina neles”) e Criolo em “Juntas”, vai a Belém em “É sexy, é gostoso”, um tecnobrega. É um disco quente, mesmo ela sendo uma pessoa tímida. “Sou introvertida, mas sei sair da toca, quando necessário”, disse rindo.

Lá em 2001, no CD Setembro, Marina declama e canta uma canção “Me diga (Francisca)”, dela e do irmão Cícero. Uma bela canção que fala de uma mulher que sai do Nordeste e vende comida em Copacabana.

“Como a maioria das canções que faço, essa é outra que sai de um mundo muito particular meu. A Francisca, no caso, foi a babá que me criou. Mas essa Chica representa uma família afetiva, nova, eterna que existe no Brasil, que são nordestinos, de bom caráter, pessoas talentosas que vem tentar a vida no sul”, explica.

No Rio de Marina, até um hotel em Ipanema é referência, na canção “Virgem” (“O Hotel Marina quando acende/ Não é por nós dois/ Nem lembra o nosso amor). “Sinto amor pelo Rio, saudade, apego... Muitas lembranças boas residem ali. Mas o momento agora é outro. Eu estou feliz em São Paulo”, adianta.

“Pra começar” ganhou nova roupagem e arranjos. Essa é uma maneira de mostrar que o mundo ainda pode ser nosso? “Sim, e também mostrar que uma obra pode atravessar as décadas, o tempo”, conta. “Eu tenho uma visão da vida como sendo cíclica. Me parece que há um eterno retorno, sim, no sentido de depuração”.

Marina se derrete em elogios aos rapazes que a acompanham no disco: “O produtor junto comigo é o Dustan Gallas. Um excelente músico e produtor, Dustan toca muito bem guitarra, baixo, teclados, programa... É muito versátil. Tem o Arthur Kuntz, coprodutor, um excelente baterista e programador; tem o Leo Chermont, guitarrista também, que está comigo ao vivo com Arthur e Dustan na nova turnê. Além de diversos outros excelentes músicos”.

Na capa, Marina aparece com boca e nariz cobertos. É um protesto? “É como eu me sinto no Brasil. Eu e milhares de brasileiros somos forasteiros no próprio país”, fecha.

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