terça, 18 de junho de 2019
Música
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Maestrinas que regem a Sinfônica de JP hoje, falam ao CORREIO dos desafios

André Luiz Maia / 17 de setembro de 2016
Foto: Divulgação
Na mesma semana em que o Sonora – Ciclo Internacional de Compositoras foi realizado em João Pessoa, outro movimento dá vez, voz e som para as mulheres da música. A Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa convidou as maestrinas Katarine Araújo, Mariana Menezes e Natália Larangeira para realizarem uma série de apresentações desde quarta, culminando hoje, com o trio se alternando na regência da orquestra.

O programa traz uma mescla de obras eruditas e populares. No entanto, mesmo o repertório clássico é conhecido pelo grande público, a exemplo do "Bolero", de Maurice Ravel, e da abertura da ópera "Carmen", de Georges Bizet. "Até mesmo quem não tem o costume de ouvir música clássica já ouviu essas melodias, até mesmo em desenhos animados, como Tom & Jerry", lembra a regente goiana Mariana Menezes. Na porção clássica do repertório, ainda tem a "Marcha Radetzky", de Strauss.

O repertório popular é essencialmente nordestino, com músicas como "Meu sublime torrão", o hino não-oficial da Paraíba, "Vou me casar", parceria de Jackson do Pandeiro e de Rosil Cavalcanti, e uma seleção de obras de Luiz Gonzaga com roupagem sinfônica.

Os concerto integra o Movimento Mulheres Regentes, que no mês passado contou com outra representante em terras paraibanas: Ligia Amadio, que regeu a Orquestra Sinfônica da Paraíba. A iniciativa teve origem em um simpósio organizado pelas regentes Vânia Pajares, Erika Hendrikson, Claudia Feres e Lígia, do qual Katarine, Natália e Mariana participaram. O evento acabou se descobrando em uma série de convites por parte de maestros de todo o Brasil simpáticos ao movimento, que tem como principal objetivo dar visibilidade ao trabalho das mulheres no papel de regência.

Natália Larangeira é regente assistente da Orquestra Sinfônica de Santo André, oportunidade concedida pelo maestro titular Abel Silva, que buscava jovens músicos para ocupar espaços de liderança. Apesar da chance, ela percebe que ainda há barreiras internas. "Já é difícil para uma profissional com uma longa carreira, imagina para uma jovem que está começando? As dificuldades são muito maiores, pois sempre estamos à frente de orquestras em que os músicos quase sempre têm mais experiência", comenta.

Para ter a dita experiência, Katarine Araújo, regente assistente da Orquestra Experimental de Repertório da Fundação Theatro Municipal de São Paulo, acredita que um dos desafios é conseguir chances de aprimorar o trabalho. "A dificuldade que a gente encontra é a questão de espaço, ter uma orquestra que acredite no seu trabalho. A partir do momento em que há um espaço, vamos ganhando a confiança da orquestra", pontua.

Mas nem sempre há o dito respeito. Relatos de comportamento inadequado ou mesmo antiprofissionais não são uma exceção quando olhamos para a música de concerto. Os relatos de Natália impressionam, pois alguns casos beiram a infantilidade.

"Várias vezes, a gente chega no pódio para reger, fazer um ensaio, e ainda há aquela reação meio machista de assoviar, fazer um comentário. A gente quer ser vista por nossa competência, por tudo o que a gente estudou. Se a gente vai corrigir alguma coisa durante um ensaio, alguns deles param de tocar, de propósito, reagem muito mal. A gente ainda se depara com alguns músicos que simplesmente não aceitam", conta Larangeira.

O lado "positivo" é que esse tipo de atitude, lembra a maestrina, não se restringe apenas a elas, mas também às musicistas do corpo sinfônico. "Isso acabou gerando discussões e grupos de debate, que cobram mais respeito".

Orquestra Sinfônica de João Pessoa

Hoje, às 18h. No Centro Cultural Ariano Suassuna (R. Professor Geraldo Von Sohsten, 193, Jaguaribe, João Pessoa – 3208.3300).

Entrada franca

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