quinta, 21 de março de 2019
Música
Compartilhar:

Percussionista Naná Vasconcelos morre aos 71 anos

Mislene Santos / 09 de março de 2016
Foto: Arquivo


Morreu no Recife na manhã desta quarta-feira (09), vítima de várias paradas respiratórias, o percussionista pernambucano Naná Vasconcelos.  O músico tinha 71 e lutava contra um câncer no pulmão desde novembro de 2015, mas não resistiu às complicações da doença.


O músico se internou às pressas semana passada quando passou mal após show em Salvador. No último sábado o quadro clinico dele piorou e hoje Naná deixou a música de luto.  Um de seus últimos projetos foi o Café no bule, em parceria com Zeca Baleiro e Paulo Lepetit.


Naná Vasconcelos recebeu oito Grammys, o maior prêmio da indústria da música. Durante entrevista concedida em dezembro do ano passado, Naná Vasconcelos parecia prever que não teria muito tempo de vida e declarou que: Minha maneira de pensar a percussão vai continuar viva depois de mim. O músico deixa mulher e duas filhas.


Trajetória artística

Durante toda sua carreira sempre teve preferência por instrumentos de percussão e nos anos 60 se notabilizou por seu talento com o berimbau.

Em 1967 mudou-se para o Rio de Janeiro onde gravou dois LPs com Milton Nascimento. No ano seguinte, junto com Geraldo Azevedo, viajou para São Paulo para participar do Quarteto Livre, que acompanhou Geraldo Vandré no III Festival Internacional da Canção.

Além disso, Naná tem uma extensa carreira no exterior. A partir de 1967 ele atua como percussionista ao lado de diversos nomes de peso: Jon Hassel, Egberto Gismonti, Pat Metheny, Evelyn Glennie e Jan Garbarek. Formou entre os anos de 1978 e 1982, ao lado de Don Cherry e Collin Walcott o grupo de jazz Codona, com o qual lançou 3 álbuns.

Em 1981, tocou no Woodstock Jazz Festival, em comemoração ao décimo aniversário do Creative Music Studio. Em 1998, Vasconcelos contribuiu com a música "Luz de Candeeiro" para o álbum "Onda Sonora: Red Hot + Lisbon", compilação beneficente em prol do combate à AIDS, produzida pela Red Hot Organization.

Naná Vasconcelos ganhou, por sete anos consecutivos (1984-1990), o prêmio de Melhor Percussionista do Ano da conceituada revista Down Beat.

Em 2013, o músico fez a trilha sonora da animação O Menino e o Mundo, que disputou o Oscar de melhor filme de animação em 2016.[6]

No dia 9 de dezembro de 2015, Naná Vasconcelos recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Relacionadas